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NASA traz pedaços de asteroide para a Terra e encontra açúcar, componentes do RNA e poeira de estrelas que explodiram antes do Sistema Solar

NASA traz pedaços de asteroide para a Terra e encontra açúcar, componentes do RNA e poeira de estrelas que explodiram antes do Sistema Solar

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NASA traz pedaços de asteroide para a Terra e encontra açúcar, componentes do RNA e poeira de estrelas que explodiram antes do Sistema Solar

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 29/10/2026 às 14:54

Atualizado em 29/10/2026 às 15:30

Ciência e Tecnologia

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NASA acha açúcar, todos os componentes do RNA e poeira de estrelas mais antiga que o Sistema Solar em pedaços do asteroide Bennu trazidos à Terra.

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A NASA trouxe para a Terra pedaços do asteroide Bennu. Três estudos de dezembro de 2025 acharam neles açúcar, todos os componentes do RNA, uma goma nunca vista e seis vezes mais poeira de estrelas que explodiram do que em outros materiais espaciais, poeira mais antiga que o Sistema Solar.

A NASA trouxe para a Terra pedaços do asteroide Bennu e encontrou neles açúcar, todos os componentes do RNA e poeira de estrelas que explodiram antes do Sistema Solar existir. Os pedaços foram recolhidos pela nave OSIRIS-REx. Um asteroide é uma rocha que viaja pelo espaço, e o Bennu, segundo os cientistas, é um asteroide primitivo, formado nos primeiros dias do Sistema Solar.

As descobertas estão em três estudos publicados na terça-feira pelas revistas científicas Nature Geoscience e Nature Astronomy, segundo texto da NASA de 2 de dezembro de 2025, assinado por Abby Tabor, Aaron L. Gronstal, Erin Morton e Rachel Barry, da área de Pesquisa e Exploração de Astromateriais (ARES). Detalhes da abertura das amostras vêm de texto de Rachel Barry, do Centro Espacial Johnson da NASA, publicado pelo site SciTechDaily em 3 de outubro de 2023.

Como a NASA pegou pedaços do asteroide Bennu

NASA acha açúcar, todos os componentes do RNA e poeira de estrelas mais antiga que o Sistema Solar em pedaços do asteroide Bennu trazidos à Terra.

A nave OSIRIS-REx, da NASA, encostou na superfície do asteroide Bennu em 20 de outubro de 2020 para recolher uma amostra. Amostra é um pedaço guardado para estudo. A manobra se chamou Touch-And-Go (TAG), que quer dizer “tocar e sair”.

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O nome OSIRIS-REx vem das iniciais, em inglês, de Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, and Security-Regolith Explorer. A nave entregou na Terra amostras intactas do asteroide, que os cientistas seguem estudando.

Asteroide deu tanto material que a NASA demorou mais para abrir

Em outubro de 2023, a primeira etapa de cuidado com a amostra do asteroide Bennu andou mais devagar que o previsto, segundo a NASA. O motivo foi bom: havia material demais. Quando a tampa do recipiente foi retirada, a quantidade de grãozinhos escuros grudados por dentro era ainda maior do que os cientistas esperavam.

“O melhor ‘problema’ que se pode ter é que há tanto material que está levando mais tempo do que esperávamos para recolhê-lo”, disse Christopher Snead, vice-líder da curadoria da OSIRIS-REx no Centro Espacial Johnson. Curadoria é a equipe que guarda e cuida das amostras.

Microscópio e raios X fizeram a primeira análise do asteroide

A primeira porção recolhida fora da cabeça de coleta TAGSAM, a peça que guarda a maior parte do material do asteroide, foi para uma análise rápida. Os cientistas usaram um microscópio eletrônico, medições de luz infravermelha e raios X para conhecer o material do asteroide Bennu.

“Temos todas as técnicas de microanálise que podemos usar para realmente desmontar isso, quase até a escala atômica”, disse Lindsay Keller, da equipe de análise de amostras da OSIRIS-REx no Johnson.

Três estudos sobre o asteroide Bennu saíram em 2025

Os três novos estudos trazem três achados, segundo a NASA. O asteroide Bennu tem açúcares importantes para a vida, uma substância parecida com goma nunca vista em material do espaço e muita poeira de supernova. Supernova é a explosão de uma estrela.

Segundo a NASA, o asteroide Bennu continua dando pistas para duas das maiores perguntas da ciência: como o Sistema Solar se formou e como a vida começou.

NASA encontra açúcar no asteroide: ribose e glicose

Uma equipe de cientistas do Japão e dos Estados Unidos, liderada por Yoshihiro Furukawa, da Universidade de Tohoku, no Japão, achou açúcares nas amostras do asteroide Bennu. O estudo saiu na revista Nature Geoscience.

Os cientistas encontraram a ribose, um açúcar com cinco átomos de carbono. Também acharam a glicose, um açúcar com seis átomos de carbono, pela primeira vez numa amostra vinda de fora da Terra.

O que é o RNA e para que serve o açúcar ribose

O DNA e o RNA são moléculas que existem nos seres vivos da Terra. O DNA é o principal guardião da informação genética, as instruções guardadas nas células. O RNA faz muitas tarefas, e a vida como conhecemos não existiria sem o RNA.

Cada um tem o seu açúcar: o DNA usa a desoxirribose, e o RNA usa a ribose. No RNA, a ribose forma, junto com o fosfato, uma espécie de “espinha dorsal”. Essa espinha liga uma fileira de nucleobases, as peças que carregam a informação.

Asteroide Bennu tem todos os componentes do RNA

Com a ribose, o asteroide Bennu passou a ter todas as peças do RNA, segundo Furukawa. Antes, os cientistas já tinham achado no asteroide Bennu as cinco nucleobases do DNA e do RNA e os fosfatos.

“Todas as cinco nucleobases usadas para construir o DNA e o RNA, junto com fosfatos, já foram encontradas nas amostras do Bennu trazidas à Terra pela OSIRIS-REx”, disse Furukawa. “A nova descoberta da ribose significa que todos os componentes para formar a molécula de RNA estão presentes no Bennu.”

Açúcar no asteroide não é prova de vida

Os açúcares achados no asteroide não são prova de que existiu vida no Bennu, segundo a NASA. Eles são ingredientes, e não seres vivos.

Junto com aminoácidos, que são as peças das proteínas, nucleobases e ácidos carboxílicos já encontrados no asteroide Bennu, os açúcares mostram que as peças das moléculas da vida estavam espalhadas por todo o Sistema Solar. Segundo a NASA, esses ingredientes podem ter chegado à Terra primitiva levados por meteoritos, pedaços de rocha do espaço que caem no planeta.

Asteroide não tinha o açúcar do DNA

Achar ribose num asteroide não foi uma surpresa completa. Esse açúcar já tinha aparecido em dois meteoritos recolhidos na Terra.

A novidade é que os cientistas não acharam desoxirribose, o açúcar do DNA, no asteroide Bennu. Se o asteroide Bennu servir de pista, a ribose pode ter sido mais comum que a desoxirribose no começo do Sistema Solar, segundo a NASA.

Asteroide reforça a ideia do “mundo de RNA”

Os pesquisadores acham que a presença de ribose e a falta de desoxirribose apoiam a hipótese do “mundo de RNA”. Hipótese é uma ideia que a ciência ainda testa. Nessa ideia, as primeiras formas de vida usavam o RNA para guardar informação e fazer as reações químicas necessárias para sobreviver.

“A vida atual se baseia num sistema complexo organizado principalmente por três tipos de biopolímeros funcionais: DNA, RNA e proteínas”, explica Furukawa. “Mas a vida primitiva pode ter sido mais simples. O RNA é o principal candidato a primeiro biopolímero funcional, porque pode guardar informação genética e acelerar muitas reações biológicas.”

Glicose, o “alimento” da vida, também estava no asteroide

A glicose é uma das formas mais comuns de “alimento”, ou de energia, usadas pela vida na Terra. Achar glicose no asteroide Bennu é a primeira prova de que essa fonte de energia também existia no começo do Sistema Solar, segundo a NASA.

“Goma espacial” nunca vista aparece no asteroide Bennu

O segundo estudo, na revista Nature Astronomy, foi liderado por Scott Sandford, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, no Vale do Silício, na Califórnia, e por Zack Gainsforth, da Universidade da Califórnia em Berkeley. A equipe achou no asteroide Bennu um material parecido com goma que nunca tinha sido visto em rochas do espaço.

Segundo a NASA, essa substância pode ter ajudado a preparar a Terra para o surgimento dos ingredientes da vida. A goma é rica em nitrogênio e oxigênio e é feita de materiais parecidos com polímeros, que são correntes longas de moléculas ligadas umas às outras.

Goma se formou quando o asteroide de origem esquentou

O asteroide Bennu veio de um asteroide mais antigo, chamado pelos cientistas de asteroide-mãe. Ele se formou com material da nebulosa solar, a nuvem de gás e poeira que girava e deu origem ao Sistema Solar. Esse asteroide tinha vários minerais e gelos.

Quando o asteroide-mãe esquentou por causa da radiação natural, surgiu uma substância chamada carbamato, feita a partir de amônia e gás carbônico. O carbamato se desfaz na água, mas durou o bastante para virar correntes maiores que a água não destrói. Isso indica que a goma se formou antes de o asteroide ficar quente o bastante para ter água.

Cientista diz que o asteroide mostra “o começo do começo”

Uma vez mole e flexível, a goma endureceu com o tempo. Para Sandford, ela pode ser uma das primeiras mudanças que aconteceram no material dessa rocha.

“Com essa substância estranha, estamos olhando, muito possivelmente, para uma das primeiras alterações de materiais que ocorreram nessa rocha”, disse Sandford. “Neste asteroide primitivo, que se formou nos primeiros dias do Sistema Solar, estamos olhando para eventos perto do começo do começo.” Sandford é astrofísico do Centro de Pesquisa Ames, da NASA.

Cientistas viraram “ferreiros” de um grão do asteroide

Com um microscópio de luz infravermelha, a equipe de Sandford escolheu grãos estranhos do asteroide, ricos em carbono, nitrogênio e oxigênio. Depois veio o que Sandford chama de “trabalho de ferreiro no nível das moléculas”, feito na Molecular Foundry, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia.

Os cientistas reforçaram um grão com camadas finíssimas de platina, soldaram nele uma agulha de tungstênio para levantá-lo e o rasparam com um feixe de partículas carregadas. O fragmento do asteroide mede 30 micrômetros, cerca de um milésimo de polegada.

Grão do asteroide ficou mil vezes mais fino que um fio de cabelo

Quando a partícula ficou mil vezes mais fina que um fio de cabelo humano, os cientistas analisaram do que ela era feita. Eles usaram microscopia eletrônica e raios X na Advanced Light Source, do Laboratório Berkeley, que permitiu uma análise química nunca feita antes.

“Soubemos que tínhamos algo notável no instante em que as imagens começaram a aparecer no monitor”, disse Gainsforth. “Era diferente de tudo o que já tínhamos visto, e por meses ficamos mergulhados em dados e teorias tentando entender o que era aquilo e como poderia ter surgido.”

Goma do asteroide dobra como chiclete usado e lembra plástico

Os testes mostraram que a substância se depositou em camadas sobre grãos de gelo e de minerais do asteroide. Ela era flexível, parecida com chiclete usado ou com um plástico mole, e dobrava e afundava quando os cientistas apertavam.

A goma era translúcida, ou seja, deixava passar um pouco de luz. Exposta à radiação, ficou quebradiça, como uma cadeira de jardim esquecida no sol por muitas estações.

Goma do asteroide Bennu é um “plástico espacial”

“Olhando a composição química, vemos os mesmos tipos de grupos químicos que existem no poliuretano na Terra”, disse Sandford, “o que torna esse material do Bennu algo parecido com um ‘plástico espacial’.” O poliuretano é um material usado na Terra.

A goma do asteroide não é simplesmente poliuretano, que é um polímero organizado. Segundo Sandford, ela tem ligações mais “aleatórias e bagunçadas” e uma mistura de elementos que muda de partícula para partícula.

Asteroide tem seis vezes mais poeira de estrelas que explodiram

O terceiro estudo, também na Nature Astronomy, foi liderado por Ann Nguyen, do Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston. A equipe analisou grãos pré-solares, que são poeira de estrelas mais antigas que o nosso Sistema Solar, encontrados em dois tipos de rocha do asteroide Bennu.

Os cientistas acreditam que essa poeira antiga ficou bem misturada quando o Sistema Solar se formou. Mas as amostras do asteroide Bennu tinham seis vezes mais poeira de supernova do que qualquer outro material espacial já estudado. Isso sugere que o asteroide-mãe nasceu numa região do disco protoplanetário, onde os planetas se formam, rica em poeira de estrelas que morreram.

Parte do asteroide escapou da água e guardou a poeira antiga

O asteroide-mãe do Bennu passou por muitas mudanças causadas por líquidos. Mesmo assim, as amostras ainda guardam pedacinhos pouco alterados, que ajudam a contar a origem do asteroide, segundo o estudo.

“Esses fragmentos guardam mais matéria orgânica e grãos pré-solares de silicato, que são conhecidos por serem facilmente destruídos pela alteração por água em asteroides”, disse Nguyen. “A preservação deles nas amostras do Bennu foi uma surpresa e mostra que parte do material escapou da alteração no corpo-mãe.”

Quem fez a missão OSIRIS-REx da NASA

O Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, gerenciou a missão. O pesquisador principal é Dante Lauretta, da Universidade do Arizona, em Tucson. A Lockheed Martin Space, de Littleton, no Colorado, construiu a nave que foi ao asteroide.

A guarda das amostras fica no Centro Espacial Johnson, em Houston. A missão teve parceria da Agência Espacial Canadense (CSA), que forneceu um instrumento a laser, e colaboração com a missão Hayabusa2, da agência espacial japonesa JAXA. A OSIRIS-REx é a terceira missão do programa New Frontiers, da NASA.

NASA quer estudar mais a goma do asteroide Bennu

A equipe de Sandford pretende estudar mais a goma encontrada no asteroide Bennu. Segundo a NASA, entender o que aconteceu há muito tempo dentro de um asteroide ajuda a conhecer o Sistema Solar jovem.

Esse trabalho também mostra que ingredientes da vida já existiam no começo do Sistema Solar e até onde essas matérias-primas podem ter sido espalhadas por asteroides parecidos com o Bennu, de acordo com a NASA.

Na sua opinião, o açúcar e os componentes do RNA achados no asteroide Bennu ajudam a explicar como a vida começou na Terra? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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