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Navio de 16 mil contêineres abastece com etanol em Santos, como carro flex: é o primeiro contrato do tipo no mundo

Navio de 16 mil contêineres abastece com etanol em Santos, como carro flex: é o primeiro contrato do tipo no mundo

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Navio de 16 mil contêineres abastece com etanol em Santos, como carro flex: é o primeiro contrato do tipo no mundo

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 29/10/2026 às 20:39

Atualizado em 29/10/2026 às 21:10

Indústria Naval

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Copersucar fechou em Santos o primeiro contrato do mundo para abastecer navios com etanol de forma regular. Meta é chegar a 200 milhões de litros em 2027.

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A Copersucar fechou no Porto de Santos o primeiro contrato do mundo para abastecer navios com etanol de forma comercial e regular. A empresa planeja pelo menos sete abastecimentos até o fim de 2026, com cerca de 10 milhões de litros, e mira os 200 milhões de litros em 2027.

A Copersucar fechou o primeiro contrato do mundo para abastecer navios com etanol de forma comercial e regular, no Porto de Santos, em São Paulo. A empresa planeja pelo menos sete abastecimentos até o fim de 2026, com cerca de 10 milhões de litros de etanol. Para 2027, a meta é chegar a 200 milhões de litros.

As informações foram publicadas pela CNN Brasil em 23 de outubro de 2026, em texto de Luciana Franco. As declarações são de Tomás Manzano, CEO da Copersucar, empresa apresentada pela reportagem como líder global no setor de açúcar e etanol.

Navio que abastece com etanol em Santos funciona como um carro flex

O navio usado nas operações pode funcionar com três tipos de combustível. Ele roda com etanol, com metanol ou com o combustível fóssil de navio, chamado de bunker.

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É parecido com o carro flex, que pode andar com etanol ou com gasolina. Combustível fóssil é aquele que vem do petróleo, formado debaixo da terra há milhões de anos.

Contrato da Copersucar é o primeiro de abastecimento regular de navios com etanol

Outras empresas já tinham feito testes com etanol em navios, segundo Manzano. A diferença é que o contrato da Copersucar começa o fornecimento comercial e frequente, e não só uma experiência.

Fornecimento comercial é quando o produto é vendido de verdade, como um negócio. Regular quer dizer que acontece de tempos em tempos, sem ser uma vez só.

Até o fim de 2026, serão pelo menos sete abastecimentos de etanol

A Copersucar já tem um plano para os próximos meses. “Até o fim de 2026, planejamos pelo menos sete abastecimentos, com consumo total de aproximadamente 10 milhões de litros de etanol”, afirma Tomás Manzano.

CEO é o cargo da pessoa que comanda uma empresa.

Abastecimento de navios com etanol levou cerca de dois anos para ficar pronto

O contrato é resultado de cerca de dois anos de desenvolvimento e testes. Em julho de 2026, a Copersucar fez uma operação-piloto para avaliar a segurança, as etapas e as medidas técnicas do abastecimento.

Operação-piloto é um teste feito antes de começar de verdade, para ver se tudo funciona.

CMA CGM, Bunker One e Autoridade Portuária de Santos são parceiras

A Copersucar faz as operações com três parceiros. O primeiro é a CMA CGM, grupo global de transporte de cargas pelo mar e de logística.

O segundo é a Bunker One, que vende combustíveis para navios e pertence ao grupo dinamarquês Bunker Holding. O terceiro é a Autoridade Portuária de Santos, a APS. Logística é o trabalho de organizar como as cargas são guardadas e levadas de um lugar para outro.

Porto de Santos ganha destaque nos combustíveis de navio com menos carbono

A operação marca a passagem de um teste pioneiro para um abastecimento regular, segundo a CNN Brasil. Com isso, o Porto de Santos e o Brasil ficam em posição de destaque no desenvolvimento de combustíveis de navio com baixo carbono.

Baixo carbono quer dizer que o combustível solta menos gases que esquentam o planeta.

Meta de 200 milhões de litros de etanol em 2027 é 20 vezes maior

A Copersucar quer chegar a 200 milhões de litros para navios em 2027. Esse volume é 20 vezes maior do que o previsto para os últimos meses de 2026.

Segundo Manzano, essa meta ainda está em fase de planejamento.

Navios consomem 270 milhões de toneladas de combustíveis fósseis

O mercado pode ir muito além do Brasil, segundo o executivo. Manzano afirma que o setor de combustíveis de navio consome hoje cerca de 270 milhões de toneladas de combustíveis fósseis.

Tonelada é uma medida de peso: uma tonelada vale mil quilos.

Troca de 10% por etanol pode criar demanda de 50 bilhões de litros

Manzano fez uma conta sobre o tamanho desse mercado. “Se 10% desse consumo for substituído por etanol, a demanda equivalente pode chegar a 50 bilhões de litros do biocombustível”, calcula o executivo.

Demanda é a quantidade que os compradores querem. Biocombustível é o combustível feito de plantas, como o etanol de cana.

Demanda de etanol para navios passaria a produção do Brasil, de 37 bilhões de litros

Os 50 bilhões de litros seriam mais do que todo o etanol produzido no Brasil. A produção brasileira é de cerca de 37 bilhões de litros, segundo a estimativa de Manzano.

Preço, motores e pressão contra a poluição decidem o crescimento

Para Manzano, o crescimento desse mercado depende de três fatores. São eles: preço competitivo, motores que aceitem combustíveis renováveis e pressão para reduzir os gases que esquentam o planeta.

Combustível renovável é aquele que pode ser produzido de novo, como o que vem da cana. Esses gases são chamados de gases de efeito estufa, porque prendem o calor na Terra como o vidro de uma estufa de plantas.

Navegação responde por cerca de 3% das emissões do mundo

A indústria de navegação responde por cerca de 3% das emissões globais, segundo o executivo. Ela tem dificuldade para diminuir a sua pegada de carbono.

Emissão é a quantidade de gás jogada no ar. Pegada de carbono é o total de gases poluentes que uma atividade solta.

Motor deixou de ser obstáculo para o etanol nos navios, diz Manzano

Manzano avalia que a tecnologia dos motores já não é um obstáculo importante para usar o biocombustível nos navios. O próprio navio das operações de Santos aceita etanol, metanol ou bunker.

Etanol pode reduzir em 75% as emissões de carbono dos navios

Segundo Manzano, o etanol pode reduzir em cerca de 75% as emissões de carbono, em comparação com o combustível fóssil de navio. Para ele, esse é o principal benefício de usar o biocombustível na navegação.

Etanol custa mais que o combustível fóssil de navio

O executivo faz uma ressalva. Na comparação direta entre os dois combustíveis, o etanol custa mais do que o combustível fóssil.

A vantagem financeira depende também da venda de créditos de carbono, que podem deixar os custos iguais, dependendo das condições de venda. Crédito de carbono é um certificado que a empresa ganha por poluir menos e que pode ser vendido.

Navio em Santos usa o mesmo etanol misturado à gasolina dos carros

O produto usado nas operações de Santos é o etanol anidro de cana-de-açúcar. É o mesmo tipo que o Brasil mistura à gasolina.

Anidro quer dizer sem água.

Oferta de etanol pode crescer com cana, milho e usinas maiores

Manzano afirma que a oferta do biocombustível poderá crescer por três caminhos. Um deles é a cana produzir mais em cada pedaço de terra, e os outros são o aumento da produção de etanol de milho e o crescimento das usinas.

Usina é a fábrica onde a cana ou o milho viram etanol.

Copersucar diz que etanol vem de produção certificada

A Copersucar destaca que o produto fornecido vem de uma cadeia de produção já estabelecida e certificada. A empresa também aponta que a cana pode se expandir sobre pastos degradados.

Pasto degradado é a terra de pastagem que ficou fraca e pobre. Certificado quer dizer que um órgão conferiu e aprovou como o produto é feito.

RenovaBio é o programa brasileiro de incentivo aos biocombustíveis

A Copersucar cita ainda os critérios de sustentabilidade do RenovaBio. O RenovaBio é o programa brasileiro de incentivo aos biocombustíveis.

Sustentabilidade é produzir sem destruir a natureza, para que os recursos não acabem.

Copersucar quer abastecer navios com etanol em Singapura e nos Estados Unidos

Além de Santos, a Copersucar pretende criar pontos de abastecimento de navios com etanol em Singapura e nos Estados Unidos a partir de 2027. A empresa ainda não divulgou quanto espera vender nesses lugares.

Expansão para outros países depende de regras e autorizações

De acordo com Manzano, levar a operação para outros países exige mudanças nas regras, atualização das exigências técnicas e autorizações dos portos. A experiência brasileira ajudou a montar a operação em Santos, mas a expansão para fora ainda depende dessas etapas.

Copersucar prevê 10 milhões de litros de etanol para navios até dezembro

A Copersucar fechou o contrato de abastecimento regular de navios com etanol no Porto de Santos e prevê fornecer cerca de 10 milhões de litros até dezembro de 2026, em pelo menos sete abastecimentos. A meta de 200 milhões de litros em 2027 ainda está em planejamento, e os pontos em Singapura e nos Estados Unidos dependem de regras e autorizações.

Na sua opinião, o etanol brasileiro pode virar combustível comum nos navios do mundo, mesmo custando mais que o combustível fóssil? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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