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Navio offshore de 74 metros começa afundar ao entrar em porto, força evacuação e só é estabilizado após ação de mergulhadores, bombas e dois rebocadores

Navio offshore de 74 metros começa afundar ao entrar em porto, força evacuação e só é estabilizado após ação de mergulhadores, bombas e dois rebocadores

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Navio offshore de 74 metros começa afundar ao entrar em porto, força evacuação e só é estabilizado após ação de mergulhadores, bombas e dois rebocadores

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 07/10/2026 às 22:06

Atualizado em 07/10/2026 às 22:20

Logística e Transporte

Canal

O Nautilus começou a afundar após água invadir a praça de máquinas no porto de Eemshaven, na Holanda. A tripulação foi evacuada, e mergulhadores, bombeiros e dois rebocadores impediram que o navio fosse perdido.

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O Nautilus começou a afundar após água invadir a praça de máquinas no porto de Eemshaven, na Holanda. A tripulação foi evacuada, e mergulhadores, bombeiros e dois rebocadores impediram que o navio fosse perdido.

Um navio utilizado em operações offshore começou a afundar pouco depois de entrar no porto de Eemshaven, no norte da Holanda, desencadeando uma operação emergencial para impedir que a embarcação desaparecesse sob a água ainda junto ao cais.

O Nautilus, de bandeira espanhola, retornava ao porto na noite de 5 de outubro de 2026 quando sua tripulação informou que água estava entrando na praça de máquinas. A proa começou a descer rapidamente, deixando o navio visivelmente inclinado e próximo de perder estabilidade.

O incidente mobilizou bombeiros, policiais, mergulhadores, autoridades portuárias e dois rebocadores. Enquanto bombas retiravam a água acumulada no interior do casco, os rebocadores mantiveram a embarcação estável e encostada ao cais.

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A operação durou várias horas. O risco imediato de naufrágio só foi afastado depois que mergulhadores localizaram e fecharam o ponto de entrada da água.

Emergência começou na entrada da Julianahaven

O alerta foi emitido por volta das 18h30, quando o Nautilus se aproximava da Julianahaven, uma das áreas que formam o complexo portuário de Eemshaven.

A tripulação percebeu que a praça de máquinas estava recebendo água. Esse compartimento abriga motores, equipamentos de propulsão, geradores, bombas e diferentes sistemas necessários para manter o navio em funcionamento.

Uma entrada de água nessa região pode comprometer rapidamente a energia e a capacidade de bombeamento da própria embarcação. O peso acumulado também altera o equilíbrio do casco e pode fazer com que um dos lados ou uma das extremidades afunde progressivamente.

Imagens e relatos do local indicaram que a parte dianteira do Nautilus estava cada vez mais baixa. O cenário levou as autoridades a considerar que o navio poderia afundar junto ao cais caso a inundação não fosse interrompida.

O Nautilus durante a operação emergencial no porto de Eemshaven, após a entrada de água na casa de máquinas.Crédito: Groningen Seaports.

Tripulação foi retirada e duas pessoas ficaram feridas

A tripulação deixou o navio enquanto a situação se agravava. Duas pessoas sofreram ferimentos leves durante o incidente e foram examinadas por uma equipe de ambulância.

Nenhuma delas precisou ser levada ao hospital, segundo as informações divulgadas pelas autoridades locais. Não houve registro de pessoas desaparecidas ou presas dentro da embarcação.

A região de segurança de Groningen elevou a resposta para o nível GRIP 1. O protocolo é utilizado na Holanda quando diferentes serviços precisam trabalhar sob uma coordenação conjunta no mesmo local.

A classificação não significa, por si só, que toda a população da região estava em perigo. Ela permitiu organizar bombeiros, polícia, administração portuária, equipes de mergulho e demais envolvidos em uma única estrutura de comando.

Dois rebocadores impediram movimento descontrolado

Dois rebocadores foram posicionados junto ao Nautilus para manter o casco estável durante a retirada da água.

Mesmo encostado ao cais, um navio parcialmente inundado pode adquirir inclinação perigosa, romper cabos de amarração ou sofrer danos adicionais ao tocar o fundo e a estrutura portuária.

Os rebocadores aplicaram força controlada para evitar que a embarcação se afastasse, girasse ou tombasse enquanto as equipes trabalhavam. Eles também ajudaram a conduzir o Nautilus até uma posição segura no cais.

A intervenção permitiu que bombas de alta capacidade fossem instaladas. Bombeiros e uma empresa especializada começaram então a retirar a água acumulada na praça de máquinas.

À medida que o nível interno diminuía, a proa do navio recuperava altura e o casco voltava gradualmente a uma posição mais estável.

Mergulhadores encontraram o ponto de entrada da água

Enquanto as bombas trabalhavam no interior, mergulhadores inspecionaram a parte submersa do Nautilus para localizar o vazamento.

As equipes conseguiram vedar o ponto de entrada. Após o reparo emergencial, as autoridades confirmaram que o navio havia parado de receber água.

A suspeita preliminar é de que o problema tenha ocorrido próximo a uma válvula conectada ao sistema de tubulações da embarcação. A causa definitiva, entretanto, ainda precisa ser determinada por uma inspeção técnica.

Não estava confirmado se houve falha de uma válvula, rompimento de tubulação, dano no casco ou combinação de diferentes problemas. Uma avaliação completa também deverá medir os danos causados pela presença de água na praça de máquinas.

O contato com água salgada pode afetar motores, sistemas elétricos, painéis de controle e outros componentes, mesmo quando o casco permanece estruturalmente intacto.

Barreiras foram instaladas contra possível poluição

A Rijkswaterstaat, órgão responsável por parte da infraestrutura e da gestão das águas holandesas, colocou barreiras de contenção ao redor do navio.

A medida foi preventiva. Uma praça de máquinas pode conter óleo combustível, lubrificantes e outros produtos capazes de contaminar a água caso escapem durante uma inundação.

Não havia confirmação de vazamento relevante ou poluição no porto. As barreiras permaneceram como proteção enquanto o Nautilus era estabilizado e esvaziado.

Por volta das 23h10, aproximadamente quatro horas depois do início da emergência, a situação estava controlada e o nível de resposta foi reduzido. A responsabilidade pelas etapas seguintes foi transferida para a administração do Groningen Seaports.

Nautilus é equipado para trabalhos submarinos

Construído em 2001 pelo estaleiro Appledore, no Reino Unido, o Nautilus mede 73,8 metros de comprimento e 16 metros de largura. O navio possui bandeira espanhola e registro em Santa Cruz de Tenerife.

A embarcação pertence à ACSM Ships e funciona como navio de apoio offshore. Esse tipo de unidade transporta equipamentos e profissionais e oferece uma plataforma para pesquisas, inspeções e intervenções realizadas no mar.

O Nautilus possui sistema de posicionamento dinâmico DP2, que utiliza propulsores e sensores para manter o navio em uma posição determinada sem depender apenas de âncoras.

Seu convés traseiro tem aproximadamente 675 metros quadrados e pode receber equipamentos destinados a projetos de construção marítima, instalação de cabos e levantamentos geofísicos.

A embarcação também transporta um veículo submarino operado remotamente, conhecido como ROV, além de sistemas capazes de mapear o fundo do mar em profundidades de até 11 mil metros.

O navio possui alojamento para até 44 pessoas, embora o número exato de ocupantes durante o incidente não tenha sido divulgado.

Operações eólicas offshore dependem desses navios

O Nautilus é empregado em trabalhos relacionados a cabos submarinos, pesquisas do leito marinho e apoio a projetos offshore, incluindo infraestrutura de energia eólica.

Navios desse tipo são essenciais para verificar rotas de cabos, identificar obstáculos, instalar equipamentos e realizar manutenção em áreas distantes da costa.

Eemshaven tornou-se uma base importante para projetos energéticos no Mar do Norte. O porto recebe embarcações que atendem parques eólicos, plataformas, cabos submarinos e outras estruturas marítimas.

A eventual perda do Nautilus representaria não apenas um problema ambiental e portuário, mas também a indisponibilidade de uma embarcação altamente especializada.

Investigação deverá determinar a origem do vazamento

Depois da estabilização, o Nautilus permaneceu sob responsabilidade das autoridades portuárias para inspeções e reparos.

Antes de voltar a navegar, o navio deverá passar por verificações no casco, válvulas, tubulações, máquinas e sistemas elétricos atingidos pela inundação.

A investigação precisará esclarecer se o vazamento começou durante a navegação, se ocorreu na aproximação ao porto ou se foi provocado por uma falha localizada já dentro da Julianahaven.

A resposta rápida evitou que uma entrada de água na praça de máquinas evoluísse para o naufrágio de um navio de quase 74 metros. A combinação de evacuação, rebocadores, bombeamento e trabalho de mergulhadores foi decisiva para devolver flutuação e estabilidade ao Nautilus.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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