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Nordeste concentra quase 97% dos caprinos do Brasil e fortalece a criação de ovinos e cabras
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 26/10/2026 às 15:02
Atualizado em 26/10/2026 às 15:30
Agronegócio
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Rebanho de ovinos alcança 22,31 milhões de animais no Brasil. Nordeste lidera a produção, enquanto custos e riscos climáticos desafiam os criadores.
O Brasil incorporou 341.253 ovinos ao seu rebanho no último ciclo anual analisado, alcançando 22,31 milhões de animais, um crescimento de 1,55%. Os números constam no Boletim nº 33 do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM), elaborado pela Embrapa com base na Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. O resultado acompanha o aumento da procura por carne de pequenos ruminantes e a maior atuação de frigoríficos e abatedouros no atendimento ao mercado formal.
O movimento também alcançou a criação de caprinos, embora em ritmo menor. O país passou a contabilizar 13,52 milhões desses animais, após um acréscimo de 158.352 cabeças, correspondente a uma alta anual de 1,2%.
Procura por carne abre espaço para expansão da ovinocultura
A presença mais ativa de estabelecimentos de abate na comercialização de carne tem incentivado criadores a investir na ampliação dos plantéis. Para Klinger Magalhães, pesquisador do CIM/Embrapa, esse movimento está relacionado às exigências dos consumidores e à necessidade de abastecer regularmente os canais formais de venda.
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O interesse não se limita à carne. Produtos lácteos especiais e cortes com menor quantidade de gordura também encontram consumidores, enquanto restaurantes de grandes centros urbanos do Sul e Sudeste apresentam uma demanda que ainda não é totalmente atendida, sobretudo em datas comemorativas.
Parte dessa oportunidade vem sendo aproveitada por produtores organizados coletivamente. No Piauí, grupos rurais comercializam animais diretamente com abatedouros industriais. Em Pernambuco e na Paraíba, algumas áreas produtoras concentram esforços na fabricação de derivados do leite.
A mudança na dinâmica do setor aparece nas taxas de crescimento. Entre 2021 e 2025, a caprinocultura registrou expansão média anual de 3,3%, contra 2,1% da ovinocultura. No ciclo mais recente, entretanto, os ovinos passaram a avançar mais rapidamente que os caprinos.
Custos elevados e estiagens exigem atenção nas propriedades
O aumento do número de animais não elimina as dificuldades financeiras enfrentadas pelos criadores. Gastos com alimentação, combustíveis e produtos veterinários continuam pressionando a atividade, enquanto furtos e ataques de predadores representam outras fontes de prejuízo.
No semiárido, a disponibilidade de água e pastagem acrescenta uma preocupação ao planejamento das propriedades. O levantamento menciona a previsão de um episódio severo de El Niño nos próximos anos, cenário que traz o risco de agravamento das estiagens e exige medidas preventivas.
Entre as alternativas indicadas por Magalhães estão a conservação de alimento por meio da silagem, o cultivo de plantas forrageiras mais resistentes e a implantação de barragens subterrâneas. A preparação antecipada busca evitar que a escassez de recursos comprometa a manutenção dos animais.
O pesquisador também recomenda avaliar a capacidade de alimentação da propriedade antes de ampliar o plantel. Nesse planejamento, a comercialização antecipada de animais improdutivos ou doentes pode ajudar a adequar o tamanho do rebanho às reservas de pastagem.
Casa Nova reúne os maiores rebanhos municipais do país
No interior da Bahia, Casa Nova se destaca pela dimensão de suas criações. O município contabiliza 713,5 mil ovinos e 810,2 mil caprinos, ocupando a liderança nacional entre os municípios nas duas atividades.
A força da pecuária de pequenos ruminantes também aparece em outras localidades do Vale do São Francisco, especialmente Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Nessas áreas, a criação mantém relevância econômica, enquanto iniciativas relacionadas a feiras gastronômicas e turismo rural contribuem para movimentar a atividade.
O cenário é diferente em parte dos antigos polos produtores do Sul. Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, perdeu espaço na classificação brasileira de municípios criadores de ovinos, deixando a segunda posição e passando a ocupar a oitava.
Na comparação estadual, Pernambuco reúne 3,86 milhões de ovinos e 3,27 milhões de caprinos, ficando atrás apenas da Bahia em ambas as espécies. O estado baiano lidera os dois segmentos, com 5,99 milhões de ovinos e 4,69 milhões de caprinos.
A concentração é especialmente expressiva entre os caprinos: Bahia, Pernambuco e Piauí respondem, juntos, por 74,4% do rebanho brasileiro. Já o Rio Grande do Sul, terceiro colocado nacional na criação de ovinos, registrou uma redução de 9,9% no efetivo.
Nordeste avança enquanto outras regiões perdem animais
O contraste entre os diferentes polos produtores fica ainda mais evidente na distribuição regional dos rebanhos. Na ovinocultura, o Nordeste concentra 16,9 milhões de cabeças, correspondentes a 75,8% do total brasileiro, e apresentou expansão de 4,4% no período analisado.
Fora dessa região, o Sul mantém o segundo maior contingente de ovinos, com 3,49 milhões de animais, apesar de uma redução anual de 8,6%. Os demais efetivos estão distribuídos entre Sudeste, com 508,5 mil cabeças, Norte, com 648,5 mil, e Centro-Oeste, que reúne 763,6 mil.
A predominância nordestina é ainda maior quando se observa a criação de caprinos. Dos animais existentes no Brasil, 13,07 milhões estão nessa região, que representa 96,6% do plantel nacional. Além disso, foi a única parte do país a apresentar crescimento anual na atividade, com avanço de 1,4%.
Em sentido contrário, o Centro-Oeste registrou retração de 10,5% no número de caprinos. Sul e Sudeste possuem participações próximas de 1% cada, com atividades ligadas principalmente à produção de leite em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.
Melhoramento genético e organização podem sustentar o crescimento
A concentração da criação no Nordeste também coloca em evidência o papel da região no fornecimento de material genético para produtores de outras partes do Brasil. Ao mesmo tempo, Magalhães considera preocupante a diminuição do interesse pela atividade em áreas onde os rebanhos vêm recuando.
Para que o crescimento resulte em uma produção capaz de atender regularmente aos compradores, o pesquisador destaca a importância da capacitação técnica e do melhoramento genético dos animais. A participação em cooperativas e a aproximação com estabelecimentos formais de abate também integram suas recomendações.
Fonte
BAND
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

