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Nove usinas de etanol de milho estão prontas, mas aguardam autorização para funcionar, enquanto Centro-Sul utiliza apenas 49,6% da capacidade de produção

Nove usinas de etanol de milho estão prontas, mas aguardam autorização para funcionar, enquanto Centro-Sul utiliza apenas 49,6% da capacidade de produção

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Nove usinas de etanol de milho estão prontas, mas aguardam autorização para funcionar, enquanto Centro-Sul utiliza apenas 49,6% da capacidade de produção

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 31/10/2026 às 09:21

Atualizado em 31/10/2026 às 09:22

Biocombustíveis Renováveis

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Imagem ilustrativa gerada digitalmente para representar o setor de etanol de milho; não identifica as nove instalações mencionadas pela StoneX.

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Nove instalações novas ou ampliadas de etanol de milho aguardam aval da ANP. StoneX aponta uso de apenas 49,6% da capacidade no Centro-Sul, apesar do avanço da produção e da demanda por combustível renovável.

Nove instalações de etanol de milho com obras concluídas ainda aguardam autorização para começar a operar, justamente quando a produção do combustível cresce no Brasil e a indústria tenta acelerar sua expansão. O contraste aparece em um levantamento divulgado em 30 de outubro de 2026 pela consultoria StoneX: no Centro-Sul, as unidades do setor utilizam apenas 49,6% da capacidade considerada na análise, abaixo do ritmo que o mercado esperava para a safra 2026/27.

O número das nove instalações inclui novas fábricas e ampliações de plantas existentes, conforme a StoneX. A consultoria calcula que o Centro-Sul possui potencial atual de cerca de 12,7 bilhões de litros de etanol de milho por ano. Ao mesmo tempo, os dados da safra mostram crescimento do volume efetivamente produzido. O setor enfrenta uma combinação de obras à espera da etapa regulatória, demanda mais fraca no começo do ano e recuperação recente do consumo.

Nove projetos concluídos ainda esperam a autorização que permite ligar as máquinas

Uma usina pode ter silos montados, tubulações concluídas, tanques instalados e equipamentos prontos para trabalhar sem ainda estar autorizada a fabricar biocombustível comercialmente. Foi esse tipo de situação que a StoneX identificou em nove projetos de etanol de milho, envolvendo tanto unidades recém-construídas quanto ampliações de capacidade. Os analistas Letícia Corrêa e Raphael Bulascoschi afirmaram que o início das operações está levando mais tempo do que o previsto.

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A etapa final depende da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A regulamentação atualmente aplicável é a Resolução ANP nº 987/2025, que exige documentação e atendimento a requisitos técnicos, econômicos e jurídicos. Entre os itens tratados no processo estão dados da instalação, capacidade máxima, tanques de armazenamento, segurança e procedimentos de vistoria.

O fabricante precisa de autorização para exercer a atividade e de autorização de operação para cada instalação. Segundo as orientações oficiais da agência, o funcionamento só pode começar depois da publicação do ato correspondente no Diário Oficial da União. O relatório divulgado pela StoneX não individualiza os nove projetos nem informa quais exigências permanecem pendentes em cada processo.

Centro-Sul tem potencial de 12,7 bilhões de litros por ano, mas uso da capacidade fica em 49,6%

O tamanho do parque industrial ajuda a entender o descompasso. A StoneX estima que a região poderia alcançar 12,7 bilhões de litros anuais considerando sua capacidade atual. O índice de utilização informado para a safra, porém, ficou em 49,6%. No Norte e Nordeste, o mesmo levantamento registra 63,3%, diferença que mostra ritmos de operação distintos entre as regiões produtoras.

A consultoria projeta 10,5 bilhões de litros de etanol de milho no Centro-Sul ao longo da safra 2026/27. Essa projeção para um ciclo completo não deve ser confundida com o índice observado de uso de capacidade no período já transcorrido: as duas medidas respondem a recortes temporais diferentes. Os números revelam, sobretudo, que a entrada de novas instalações demorou mais do que o setor projetava.

Vista da usina de etanol de milho da 3tentos, em Porto Alegre do Norte (MT), divulgada em maio de 2026. A unidade já recebeu autorização da ANP e é apresentada como exemplo, não como uma das nove instalações ainda pendentes. Foto: 3tentos/Divulgação.

A construção de uma fábrica também não garante imediatamente sua produção máxima. Depois de autorizada, a operação precisa crescer até o nível planejado, fase conhecida na indústria como aumento gradual de produção. O custo dos grãos, a contratação de transporte, o armazenamento e a demanda pelo combustível interferem nas decisões sobre quanto produzir e vender.

Outro exemplo do avanço dos investimentos apareceu em 31 de março de 2026, quando o BNDES anunciou financiamento de R$ 1 bilhão à RRP Energia para implantar uma usina de etanol de milho em Tapurah (MT). A futura unidade foi projetada para fabricar até 459 milhões de litros anuais de etanol hidratado ou 452 milhões de litros de anidro. Esse empreendimento, com cronograma próprio, não foi identificado pela StoneX como uma das nove instalações concluídas que aguardam autorização; seu caso ilustra a expansão industrial em paralelo ao levantamento.

Mesmo com o atraso, etanol de milho acumula crescimento de 16,1% na safra

Existe outro dado que muda a leitura dessa história: o combustível continua ganhando espaço. Segundo números do Ministério da Agricultura analisados pela StoneX e repercutidos em reportagem publicada em 30 de outubro, a produção brasileira de etanol de milho somou 5,49 bilhões de litros no acumulado da safra até a primeira quinzena de outubro de 2026, crescimento de 16,1% sobre o mesmo intervalo do ciclo anterior.

Esse volume já representa cerca de 21% do etanol total produzido no período. Apenas na primeira metade de outubro, as usinas fabricaram 479 milhões de litros, diante de 433 milhões na segunda metade de setembro. A divisão entre tipos de combustível também importa: aproximadamente metade do etanol de milho acumulado na safra, ou 2,74 bilhões de litros, foi da variedade anidra, usada na mistura com a gasolina.

Os arquivos de acompanhamento de produção do Ministério da Agricultura trazem séries separadas de etanol de milho anidro e hidratado, permitindo acompanhar os resultados quinzenais. O hidratado é vendido como combustível nos postos; o anidro entra na composição da gasolina. Ambos saem da cadeia de processamento do milho, mas atendem mercados diferentes.

Imagem divulgada pelo BNDES em março de 2026 no anúncio do projeto de usina de etanol de milho da RRP Energia, em Tapurah (MT). É exemplo de investimento no setor, sem identificação como uma das nove unidades à espera de autorização. Foto: RRP Energia/Grupo Piccini, via BNDES.

Demanda fraca no início do ano e estoques menores complicaram a corrida das usinas

O atraso das autorizações explica apenas parte do ritmo abaixo das expectativas. Segundo a StoneX, a procura pelo combustível foi mais fraca no encerramento da safra 2025/26 e nos primeiros meses de 2026. Com menos compradores do que o esperado, os produtores tiveram menor estímulo para aumentar rapidamente o volume fabricado. A demanda começou a dar sinais de recuperação a partir de julho.

O mercado também chegou a outubro com estoques pressionados. A StoneX calculou que os estoques de etanol no Centro-Sul estavam 13% abaixo dos registrados no ciclo anterior, quando as reservas já haviam terminado em patamar apertado. Chuvas excessivas reduziram o ritmo de moagem de cana-de-açúcar no começo de outubro, afetando uma das principais fontes de etanol do país.

Esse conjunto cria uma situação pouco intuitiva: há capacidade industrial de milho ainda subutilizada, projetos novos esperando autorização e, ao mesmo tempo, preocupação com a disponibilidade de determinadas modalidades de etanol. A pressão sobre estoques e oferta varia conforme o tipo de produto, a região e o momento da safra; nenhum desses números, isoladamente, permite prever o preço que o motorista encontrará na bomba.

Gasolina comum passou a levar 32% de etanol e ampliou o papel das fábricas brasileiras

Outra mudança na demanda veio da regulamentação dos combustíveis. Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum e a comum aditivada comercializadas no Brasil passaram a receber, temporariamente, 32% de etanol anidro, em substituição aos 30% anteriores. A alteração foi estabelecida pela Resolução CNPE nº 9/2026 para um período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.

A ANP esclareceu que a gasolina premium permanece com 25% de etanol. O aumento da mistura na gasolina comum cria demanda adicional pelo anidro e torna o planejamento de oferta das usinas ainda mais relevante. Para o consumidor, uma mudança de mistura não representa, por si só, garantia de abastecimento mais barato: preços também respondem a custos industriais, logística, distribuição e condições regionais de mercado.

Uma usina que recebeu o aval da ANP mostra o passo que falta aos novos projetos

Um caso documentado em 2026 ajuda a visualizar a etapa final de autorização. A empresa 3tentos informou que sua fábrica de etanol de milho em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, recebeu a Autorização SPC-ANP nº 253, de 19 de maio, e iniciou operações após a liberação. Essa unidade já autorizada é um exemplo anterior do procedimento regulatório, não uma identificação de qualquer uma das nove instalações ainda pendentes em outubro.

Conforme o comunicado da companhia registrado na CVM, a fábrica foi projetada para processar 2.800 toneladas de milho por dia e produzir etanol anidro, hidratado e ingredientes para alimentação animal. A experiência mostra como a conclusão física da obra, a autorização oficial e a entrada efetiva em produção são momentos diferentes do mesmo investimento.

O que falta saber antes de as nove instalações começarem a produzir

O próximo passo é acompanhar a liberação individual de cada projeto e a velocidade de entrada em funcionamento. A ANP mantém um painel de autorizações e processos em andamento, enquanto novos dados da safra permitirão medir quanto da capacidade adicional estará efetivamente sendo usada. A StoneX não divulgou no levantamento consultado uma data única de início para as nove instalações.

O quadro da safra 2026/27, portanto, reúne fábricas concluídas, expansão industrial que ainda depende de autorização, produção nacional em alta e estoques reduzidos. A evolução desses fatores poderá alterar a oferta de etanol de milho e a dinâmica do mercado de combustíveis nos próximos meses.

Você acredita que a expansão do etanol de milho poderá ampliar a oferta de combustível no país? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem com quem acompanha o mercado de biocombustíveis.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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