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O fungo continua ali, mas o trigo sofre menos: Embrapa e USP mostram como bactérias reduzem sintomas em cerca de 60% e revelam a proteção que começa onde poucos costumam olhar: no solo junto às raízes

O fungo continua ali, mas o trigo sofre menos: Embrapa e USP mostram como bactérias reduzem sintomas em cerca de 60% e revelam a proteção que começa onde poucos costumam olhar: no solo junto às raízes

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O fungo continua ali, mas o trigo sofre menos: Embrapa e USP mostram como bactérias reduzem sintomas em cerca de 60% e revelam a proteção que começa onde poucos costumam olhar: no solo junto às raízes

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 22/10/2026 às 16:58

Atualizado em 22/10/2026 às 17:02

Agronegócio

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Pesquisa da Embrapa e da USP observou cerca de 60% menos sintomas no trigo em testes controlados, mesmo com o fungo presente.

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Em testes controlados, bactérias modificaram a comunidade de microrganismos ao redor das raízes e reduziram os danos ao trigo. A aplicação nas lavouras ainda depende de validação

O fungo permaneceu no solo. Em alguns tratamentos, sua população até aumentou. Mesmo assim, as plantas de trigo apresentaram menos sintomas da doença. Foi esse resultado que pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade de São Paulo (USP) observaram ao testar bactérias benéficas contra o Bipolaris sorokiniana.

Nos experimentos, a severidade da doença caiu cerca de 60%. A proteção estava ligada às mudanças que as bactérias provocaram na comunidade de microrganismos ao redor das raízes, onde ocorrem interações importantes para a saúde da planta.

O trabalho, publicado na revista científica npj Biofilms and Microbiomes, ajuda a entender como essa comunidade pode contribuir para o controle de doenças. Os resultados vieram de condições controladas e ainda precisam de validação antes de uma aplicação comercial em larga escala.

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Menos danos, mesmo com o fungo presente

A equipe comparou plantas expostas apenas ao patógeno com outras que receberam também as bactérias. No segundo grupo, os sintomas foram menos severos.

Da esquerda para a direita, plantas de trigo sem sintomas e com lesões leves, moderadas e severas provocadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana.

Ao medir a quantidade do fungo, os pesquisadores encontraram um detalhe importante: a melhora das plantas não acompanhava, necessariamente, uma queda na população do patógeno. O trigo continuava mais protegido mesmo quando essa população permanecia estável ou crescia.

Conforme a descrição dos resultados divulgada pela Embrapa, contar os fungos presentes no solo não basta para explicar a intensidade da doença. Nos testes, a comunidade microbiana associada às raízes ajudou a limitar os danos, apesar da presença do organismo causador.

O resultado permite olhar para o controle biológico por outro ângulo. A proteção pode depender também das condições que os microrganismos criam ao redor da planta, sem exigir a eliminação completa do fungo.

O que mudou ao redor das raízes

Essa região de contato entre as raízes e o solo tem um nome: rizosfera. Foi nela que os pesquisadores acompanharam os efeitos de três bactérias: Streptomyces virginiae, Paenibacillus ottowii e Pseudomonas inefficax.

Ensaio em laboratório compara o fungo cultivado sozinho, à esquerda, com sua resposta à presença das três bactérias avaliadas na pesquisa.

A introdução desses microrganismos alterou a composição da comunidade microbiana e seu potencial de desempenhar funções relacionadas à proteção do trigo.

As análises também mostraram a recuperação da diversidade de genes ligados ao crescimento vegetal e à produção de compostos que a infecção havia prejudicado. Entre as funções favorecidas estavam a tolerância ao estresse e o metabolismo de nutrientes.

Na prática, os pesquisadores observaram uma mudança que ia além da ação isolada de uma bactéria. O efeito envolveu outros integrantes da comunidade presente junto às raízes.

Uma bactéria teve os melhores resultados

A Pseudomonas inefficax se destacou entre as espécies avaliadas. Além de reduzir a severidade da doença, favoreceu o desenvolvimento das raízes e a disponibilidade de fósforo para as plantas.

A região próxima às raízes abriga a comunidade de microrganismos que os pesquisadores investigaram para compreender a proteção do trigo.

Sua participação na comunidade, porém, era pequena. Segundo a Embrapa, ela correspondia a menos de 2,5% dos microrganismos detectados ao final dos experimentos. Ainda assim, sua introdução foi suficiente para provocar uma reorganização ampla naquele ambiente.

A equipe trabalhou com a cultivar BRS Guamirim, em solo agrícola coletado em Assis, no interior paulista. As bactérias haviam sido isoladas da região das raízes de variedades tradicionais de trigo da Turquia e do Irã.

O caminho até as lavouras ainda exige testes

Os resultados podem orientar o desenvolvimento de inoculantes, produtos que utilizam microrganismos benéficos na agricultura. A expectativa é aproveitar essa proteção para reduzir a dependência de fungicidas químicos.

Há, contudo, uma diferença entre o que o experimento demonstrou e o que ainda precisa ser comprovado no campo. A queda de aproximadamente 60% se refere à severidade da doença, e não à quantidade de fungicida utilizada.

O estudo também não permite afirmar que essas bactérias possam substituir os tratamentos adotados pelos produtores. Para chegar a uma recomendação de uso, será necessário verificar como a proteção se comporta nas condições das lavouras.

Por enquanto, o achado mostra que o trigo pode sofrer menos com a doença mesmo quando o fungo continua presente. Entender como manter essa proteção fora do ambiente experimental será essencial para transformar o resultado em uma ferramenta de manejo.

Você acredita que o uso de microrganismos ganhará mais espaço na proteção das lavouras brasileiras?

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Caio Aviz

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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