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Opep+ congela produção de petróleo para novembro enquanto Brent segue acima de US$ 100 e guerra no Irã mantém milhões de barris fora do mercado
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 04/10/2026 às 23:52
Atualizado em 04/10/2026 às 23:55
Petróleo e Gás
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Sete dos principais produtores mantêm limites para novembro, enquanto exportações do Golfo seguem entre 60% e 80% dos níveis normais e produção permanece abaixo das cotas oficiais
A Opep+ decidiu manter inalteradas as metas de produção de petróleo para novembro, num momento em que as interrupções provocadas pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã continuam limitando a quantidade de óleo que efetivamente chega ao mercado internacional.
A decisão foi tomada neste domingo, 4 de outubro, durante uma breve reunião virtual entre sete dos principais integrantes da aliança: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. As informações são da Reuters, em reportagem publicada pelo UOL.
Segundo a agência, a manutenção das metas está alinhada às expectativas do mercado de que dificilmente haverá novos ajustes relevantes na política de produção antes do próximo ano.
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Na prática, porém, existe uma diferença importante entre a quantidade de petróleo que a Opep+ autoriza seus membros a produzir e o volume que realmente consegue chegar aos compradores.
Produção continua abaixo das cotas mesmo com limites mantidos
Os produtores da Opep+ localizados no Golfo vêm operando significativamente abaixo de suas metas devido às interrupções nas exportações provocadas pela guerra.
Segundo a Reuters, os embarques da região têm oscilado entre 60% e 80% dos níveis considerados normais nos últimos meses.
A situação ajuda a explicar por que a simples manutenção das cotas não significa necessariamente estabilidade na oferta.
O analista do UBS Giovanni Staunovo, ouvido pela Reuters, observou que os limites máximos permaneceram inalterados, mas destacou que, apesar do aumento dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, a produção dos integrantes continua bastante abaixo das cotas permitidas.
Esse é o ponto central da atual dinâmica da Opep+: o problema já não é apenas quanto o grupo permite produzir, mas quanto desse petróleo consegue efetivamente ser extraído, exportado e colocado no mercado internacional.
Sete países ainda produzem cerca de 5 milhões de barris por dia a menos que antes da guerra
Os sete principais membros envolvidos na decisão produziram conjuntamente 25 milhões de barris por dia em agosto, de acordo com dados da própria Opep citados pela Reuters.
O volume representa aumento de aproximadamente 630 mil barris por dia em comparação com julho.
Mesmo assim, a produção ainda permanecia cerca de 5 milhões de barris por dia abaixo dos níveis registrados em fevereiro, antes da guerra.
O número mostra como parte dos aumentos anunciados pela Opep+ ao longo de 2026 permaneceu apenas no papel.
O grupo vinha elevando suas metas durante boa parte do ano depois de um longo período de cortes. As dificuldades de exportação no Oriente Médio, porém, impediram que grande parte dessa capacidade adicional se transformasse em barris disponíveis no mercado.
Brent permanece acima de US$ 100 por barril
A restrição da oferta também aparece nos preços internacionais.
Segundo a Reuters, o Brent continua negociado acima de US$ 100 por barril, apesar da queda registrada na sexta-feira, 2 de outubro.
Antes do início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro, o barril custava aproximadamente US$ 73.
A diferença mostra a dimensão da pressão que o conflito colocou sobre o mercado internacional de energia.
Em um cenário normal, alterações nas cotas da Opep+ costumam ocupar o centro das atenções. Agora, rotas de exportação, capacidade logística e circulação pelo Estreito de Ormuz passaram a ter peso igualmente importante na formação das expectativas.
Guerra também atrasa definição das cotas de 2027
O conflito criou ainda um problema interno para a própria Opep+.
A guerra no Irã atrasou a revisão da capacidade de produção dos integrantes do grupo, processo considerado fundamental para determinar as cotas que serão utilizadas em 2027.
Fontes do setor ouvidas pela Reuters afirmaram que as interrupções provocadas pelo conflito aumentaram a incerteza sobre as estimativas de capacidade futura de produção.
Esse levantamento é particularmente sensível porque a capacidade reconhecida de cada país influencia diretamente a discussão sobre quanto cada integrante poderá produzir dentro do sistema de cotas.
Quando instalações, exportações e rotas marítimas operam em condições excepcionais, torna-se mais difícil separar uma limitação temporária provocada pela guerra de uma restrição estrutural da capacidade produtiva.
Próxima reunião já tem data marcada
Os sete integrantes voltarão a se reunir em 1º de novembro, quando deverão reavaliar a situação do mercado e discutir os próximos passos da política de produção.
Até lá, a decisão deste domingo mantém os limites oficiais intactos.
O mercado, porém, continuará acompanhando uma variável ainda mais importante do que as cotas anunciadas: quantos barris efetivamente conseguem sair dos produtores do Golfo e chegar ao mercado mundial.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

