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Operadores da Termocabo, em Pernambuco, vão trocar 250 toneladas diárias de óleo combustível por gás natural nos 3 motores da usina, convertidos pela Wärtsilä para um contrato de 10 anos

Operadores da Termocabo, em Pernambuco, vão trocar 250 toneladas diárias de óleo combustível por gás natural nos 3 motores da usina, convertidos pela Wärtsilä para um contrato de 10 anos

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Operadores da Termocabo, em Pernambuco, vão trocar 250 toneladas diárias de óleo combustível por gás natural nos 3 motores da usina, convertidos pela Wärtsilä para um contrato de 10 anos

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 27/10/2026 às 02:05

Atualizado em 27/10/2026 às 02:06

Geração de Energia

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A finlandesa Wärtsilä vai converter para gás natural os três motores da Termocabo, termelétrica a óleo combustível pesado no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, para que a usina cumpra o contrato de 10 anos conquistado no leilão de reserva de capacidade, com início de fornecimento em 2028.

O pedido foi registrado pela Wärtsilä no terceiro trimestre de 2026 e divulgado nesta segunda-feira (26), segundo o Petronotícias e o MegaWhat. O valor do contrato com a fabricante não foi informado.

A previsão é que a usina convertida entre em operação em julho de 2028. Até lá, a Termocabo troca de combustível, de configuração de motor e de sistemas de controle.

Os motores Wärtsilä 46 viram Wärtsilä 50SG

O projeto envolve a conversão dos três motores Wärtsilä 46 existentes, hoje movidos a combustível líquido, para a configuração de motores a gás Wärtsilä 50SG. O trabalho será feito em regime de EPC completo.

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No EPC, a mesma empresa responde por engenharia, compra de equipamentos e construção. O escopo inclui ainda a modernização dos sistemas elétricos, de automação e auxiliares, além do comissionamento da usina.

Para quem opera a planta, isso significa passar a rodar com gás numa usina que, desde a origem, foi montada para queimar óleo combustível pesado, o HFO.

Casa de máquinas com motores Wärtsilä; imagem ilustrativa (Foto: divulgação/Wärtsilä)

A usina nasceu às pressas no racionamento de energia

A história da Termocabo, contada pela sócia EBrasil, começa no racionamento de energia do início dos anos 2000, quando o governo precisou de geração elétrica rápida para atender a demanda do país.

Em janeiro de 2002, a EBrasil assinou contrato com a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial para operação de 40 meses. A obra durou sete meses, e a operação comercial começou em setembro de 2002.

Em julho de 2007, a Termocabo venceu um novo leilão de energia, com fornecimento até dezembro de 2024. A EBrasil informa participação de 24% e registra consumo de 250 toneladas de óleo combustível por dia na usina.

São 50 MW instalados e 47 MW oferecidos no leilão

A usina tem potência instalada de 50 MW, segundo o MegaWhat e a Wärtsilä. A página da EBrasil cita 48 MW de capacidade instalada.

No Leilão de Reserva de Capacidade na forma de potência, o LRCap, realizado em março, a Termocabo ofereceu 47 MW. O contrato com geração a gás natural tem dez anos de duração a partir de 2028.

A receita fixa é de R$ 92,9 milhões por ano

De acordo com o MegaWhat, a receita fixa da planta no LRCap ficou em R$ 92,9 milhões por ano. O preço de potência acertado foi de R$ 2,2 milhões por megawatt ao ano.

O investimento total estimado pelo empreendimento no leilão foi de R$ 167,3 milhões. É o valor declarado no certame, que não se confunde com o preço do contrato com a fabricante finlandesa, que não foi divulgado.

A gente costuma olhar só o preço da energia, mas no leilão de capacidade o que se contrata é a potência à disposição do sistema elétrico, como mostra o próprio nome do certame.

Cabo de Santo Agostinho (PE), município da Termocabo (Foto: Mega Jovial, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons)

A troca de combustível abriu a porta do leilão

A solução da Wärtsilä permitiu que a Termocabo participasse do LRCap de 2026, segundo o Petronotícias. A mudança de combustível fazia parte do projeto apresentado pela usina no certame.

“Agradecemos o apoio e a competência técnica da Wärtsilä, que foram fundamentais para a prorrogação deste contrato de comercialização de energia”, afirmou Dagoberto Chaves, diretor-presidente da Brasympe, acionista majoritária da Termocabo.

“Com a substituição do óleo combustível pesado pelo gás natural, também passaremos a contar com uma geração de energia mais flexível e com emissões de CO₂ significativamente menores”, completou o executivo.

É a quarta conversão da Wärtsilä no Brasil

“Este será o quarto projeto de conversão para gás natural realizado por nós no Brasil”, disse Gastón Giani, diretor de Negócios de Energia da Wärtsilä Energy para a região Sul das Américas.

Segundo ele, a solução oferece fornecimento confiável e flexível e ajuda a equilibrar o sistema elétrico diante da participação crescente das fontes renováveis.

A EPE calcula 14 GW de potência extra até 2031

O Leilão de Reserva de Capacidade foi instituído em 2021. De acordo com análises da Empresa de Pesquisa Energética citadas pelo Petronotícias, o país vai precisar de 14 GW de capacidade adicional até 2031.

A intermitência das renováveis pode ser compensada por usinas flexíveis, contratadas nesses leilões. O CPG mostrou em setembro quatro termelétricas que colocaram 1.712,3 MW sob reserva de capacidade.

A Termocabo é pequena perto dessas usinas, mas o caso dela mostra um caminho: uma térmica a óleo com mais de 20 anos de operação que troca de combustível para continuar contratada.

Converter térmicas antigas a óleo para gás é melhor para o consumidor do que construir usinas novas do zero?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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