Faça um comentário
4 min de leitura
Operadores de ônibus de São Paulo vão avaliar o primeiro micrão elétrico de piso baixo com chassi BYD e carroceria Caio, um midi de 11 metros com baterias Blade feito para as linhas de bairro onde o ônibus grande não passa
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 25/10/2026 às 23:35
Logística e Transporte
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Ficou pronto o primeiro micrão elétrico de piso baixo no padrão da SPTrans, com chassi BC10LE da BYD e carroceria Caio e-Millennium de 11 metros, e o veículo vai rodar em demonstração para empresas de ônibus e para a gerenciadora do transporte da capital paulista.
A conclusão do ônibus foi divulgada na sexta-feira, 23 de outubro, por Gildo Vendramini, representante da encarroçadora. Ele confirmou ao Diário do Transporte que a unidade será usada para demonstração junto aos operadores e à prefeitura.
Micrão é o apelido do ônibus do tipo midi, menor que o convencional. É o veículo das linhas de bairro, que circulam por ruas estreitas, com valetas, lombadas e buracos.
O chassi foi mostrado há um ano, na fábrica de Campinas
O Diário do Transporte revelou o chassi em primeira mão em outubro de 2025, numa visita à fábrica da BYD em Campinas (SP). Na época, a fabricante o apresentou como o único midi de 10 metros com piso baixo montado no país.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Agora o conjunto ganhou carroceria. A unidade de demonstração foi configurada com 11 metros, na categoria básico, usando a família e-Millennium da Caio, desenvolvida para plataformas elétricas.
Segundo o diretor de vendas de veículos comerciais da BYD no Brasil, Bruno Paiva, o modelo atende aos padrões operacionais da SPTrans. Como muitas cidades seguem as exigências paulistanas, ele pode servir a vários sistemas do país.
Seis peças elétricas viraram uma e liberaram bancos na traseira
A principal novidade técnica é o controlador integrado 6×1. Ele reúne duas unidades de controle de motor elétrico, a de direção, a do compressor de ar, um conversor DC-DC e a unidade distribuidora de potência.
Antes, esses seis equipamentos ficavam na traseira, quase até o teto. Agora ocupam pouco espaço, o que abre lugar para mais bancos atrás e até para um vidro traseiro.
Só essa troca tira cerca de 120 kg do ônibus, dependendo da configuração, segundo a reportagem de 2025.
Com as baterias Blade, o ônibus fica 1,5 tonelada mais leve
Os midis da BYD usam baterias Blade, menores e com autonomia entre 275 e 300 km. Conforme a operação, a recarga completa cai pela metade e leva cerca de uma hora e meia.
Somadas ao controlador 6×1, as baterias reduzem o peso em 1,5 tonelada por ônibus. Num midi de 10 metros, isso representa um veículo 15% mais leve.
A mesma tecnologia de bateria aparece na linha de carga da marca: a BYD leva à feira Fenatran, em novembro, o caminhão elétrico eT35 com bateria Blade.
Na prática, sobra mais espaço interno, o consumo de energia cai e o desgaste de pneus e outros componentes diminui. A BYD dá garantia de 10 anos para as baterias, com retenção de 80% da energia perto do fim do período.
Suspensão que ajoelha para encarar rua ruim
O BC10LE tem dois motores elétricos e suspensão pneumática com controle eletrônico e ajoelhamento, recurso que baixa o ônibus na parada. A plataforma é oferecida para veículos de até 11 metros.
A dúvida do mercado é se um elétrico de piso baixo aguenta as vias das linhas alimentadoras. Em 2025, Bruno Paiva garantiu que sim, apontando soluções de engenharia no chassi, nos eixos e na suspensão.
A capital não compra ônibus a diesel desde 2022
O nicho tem pressa. Segundo o Diário do Transporte, a falta de modelos elétricos de 10 metros é apontada como um dos motivos de a eletrificação da frota paulistana não avançar como o planejado.
As empresas não podem comprar ônibus a diesel desde 17 de outubro de 2022, e a frota do subsistema local é uma das que mais envelhecem na cidade.
As linhas de bairro, do lote chamado Distribuidor Local, são operadas por empresas que surgiram de cooperativas. É para esse tipo de operação que o micrão foi desenhado.
Boa parte dos concorrentes tem piso alto ou é menor
A Eletra oferece o e-BUS Midi, de cerca de 10 metros, sobre chassi Mercedes-Benz OF 1721L, com carroceria Caio e-Millennium e equipamentos WEG. O modelo tem piso alto.
A Higer tem o Azure A9 BR, integral de piso baixo com 8,82 metros e baterias CATL de 266,61 kWh. A Ankai oferece o OE-10, de 10,5 metros, com construção integral e motor Dana, em versões de piso alto e baixo, segundo o ICCT.
Há ainda o conjunto Blu Electric, Volkswagen e Caio eApache Vip, de piso alto, que na configuração de 9,8 metros leva 57 passageiros, segundo a fabricante.
Quem vai decidir são as empresas e a SPTrans
Olhando assim, o micrão BYD/Caio chega a um nicho em que boa parte dos concorrentes tem piso alto ou porte menor.
As autonomias são declaradas pelos fabricantes e variam com lotação, relevo, trânsito e uso do ar-condicionado. O teste com os operadores é que vai mostrar o desempenho nas ruas.
A ficha completa está na reportagem do Diário do Transporte, que acompanha o projeto desde o lançamento do chassi.
Na linha de ônibus do seu bairro, um micrão elétrico de piso baixo daria conta das ruas que ele percorre?
Tags
Fontes
Primeiro ônibus elétrico BYD/Caio micrão piso baixo fica pronto no padrão SPTrans e passará por demonstração junto a operadores e à prefeitura
BYD apresenta o único ônibus midi 10 metros de piso baixo montado no Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

