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P-33, plataforma de 337 metros e quase 49 mil toneladas, já está no dique seco no RS para ser cortada e virar aço de novo

P-33, plataforma de 337 metros e quase 49 mil toneladas, já está no dique seco no RS para ser cortada e virar aço de novo

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P-33, plataforma de 337 metros e quase 49 mil toneladas, já está no dique seco no RS para ser cortada e virar aço de novo

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 30/09/2026 às 23:34

Petróleo e Gás

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A P-33 quando ainda operava no Campo de Marlim, na Bacia de Campos. Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras

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A Ecovix anunciou que a P-33 entrou no dique do Estaleiro Rio Grande, onde a P-32 foi desmontada antes. Veja como as regras da Petrobras organizam o desmonte, do inventário de materiais perigosos ao aço que segue para a siderúrgica.

A P-33, antiga plataforma da Petrobras com 337 metros de comprimento, já está dentro do dique seco do Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito pela Ecovix, operadora do estaleiro, em 20 de agosto de 2026.

“A missão com a P-32 foi cumprida com excelência. Agora, a P-33 já está em nosso dique!”, escreveu a Ecovix em sua página no LinkedIn. A P-32 foi a primeira plataforma desse porte da Petrobras a ser desmontada no Brasil.

Segunda unidade a seguir esse modelo, a P-33 será cortada no estaleiro gaúcho. A plataforma pertence à Gerdau, siderúrgica que a comprou em parceria com a Ecovix. No caso da P-32, a Petrobras informou que a sucata viraria matéria-prima de aço na usina da Gerdau em Charqueadas (RS).

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A plataforma é uma FPSO, sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo. Na prática, um navio adaptado que produz, guarda e descarrega óleo em alto-mar.

A P-32, antecessora da P-33, ao chegar ao Estaleiro Rio Grande, em dezembro de 2023. Foto: Matheus Vieira/Ecovix

Segundo a Agência Petrobras, a P-33 tem 337 metros de comprimento, 54,5 metros de largura e peso de aproximadamente 49 mil toneladas. Ela operava no Campo de Marlim, na Bacia de Campos.

Era uma das dez unidades que produziam nos campos de Marlim e Voador, registra a estatal. Elas estão sendo substituídas pelos FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi, que podem produzir juntos até 150 mil barris por dia.

Quanto aço cabe numa plataforma de 337 metros

A conta a seguir é da redação e mostra a escala. Um campo de futebol de medida oficial tem 105 metros de comprimento, e a P-33 equivale a pouco mais de três campos enfileirados.

Multiplicando comprimento por largura, a conta mostra uma área de casco perto de 18,4 mil metros quadrados. Isso dá cerca de 2,6 campos de 105 por 68 metros, sem contar os andares de equipamentos.

O peso também ajuda a medir. Em 2023, a Petrobras informou que previa destinar mais de 650 mil toneladas de aço à reciclagem nos projetos de desativação até 2029.

Só a P-33, com quase 49 mil toneladas, representa perto de 7,5% desse total, pela conta da redação.

O caminho da P-33 até o dique seco

A venda foi concluída em leilão em 28 de novembro de 2023. A vencedora foi a Gerdau, em parceria com o estaleiro Ecovix, de acordo com a Agência Petrobras.

A plataforma ficou acostada no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), desde fevereiro de 2024. Em 23 de julho de 2026, iniciou a navegação rumo ao Estaleiro Rio Grande, informou a Petrobras.

Menos de um mês depois, veio o anúncio da Ecovix de que a P-33 já estava no dique. Pelo comunicado da Petrobras, ela ocupa o espaço que antes foi da P-32.

Houve atraso em relação ao plano inicial. Em dezembro de 2023, a Petrobras informou que a P-33 deveria chegar ao estaleiro em meados de 2024. A entrada no dique seco foi anunciada em agosto de 2026.

Por que o desmonte precisa de dique seco

O dique seco é uma grande bacia que pode ser esvaziada depois que o navio entra. Com a água retirada, o casco fica apoiado no fundo seco, e o trabalho acontece fora do mar.

O pórtico e a área de água do Estaleiro Rio Grande, com a popa da P-32 em primeiro plano, em dezembro de 2023. Foto: Matheus Vieira/Ecovix

A exigência estava no edital da P-33. Os concorrentes tinham de ser estaleiro ou empresa associada a estaleiro nacional, “com a obrigatoriedade de dique seco”, registra a Agência Petrobras.

O edital também exigia que o desmonte do casco ocorresse em dique seco. A política de reciclagem da companhia, segundo a Petrobras, aceita só estaleiros certificados com dique seco ou terreno impermeabilizado com sistema de drenagem.

O objetivo, explica a política da estatal, é conter os contaminantes do desmantelamento e impedir que eles cheguem ao meio ambiente.

O passo a passo do desmonte da P-33, segundo as regras da Petrobras

O post da Ecovix não detalha as etapas do corte. O que se sabe sobre o processo vem das regras que a Petrobras informou no edital e na sua política de reciclagem de embarcações.

O primeiro passo é o inventário. Um inventário de materiais perigosos (IHM, na sigla em inglês), elaborado por empresa reconhecida no mercado, mapeia o que há a bordo, informa a estatal.

Esse inventário serve de base para o plano de reciclagem. Com ele, explica a Petrobras, o estaleiro planeja como manusear, armazenar e destinar os materiais e resíduos gerados na desmontagem.

O segundo passo é o plano. O comprador apresenta um plano que vai do recebimento da unidade até a destinação final dos resíduos, e a Petrobras afirma que acompanha a execução de perto.

Depois vem o desmonte em si, no dique seco. A política informada pela Petrobras prevê reaproveitamento de equipamentos e economia circular, além de ações para reduzir a geração de resíduos.

Por fim, a destinação. No caso da P-32, a Petrobras informou que a Gerdau usaria a sucata metálica como matéria-prima de aço em sua unidade de Charqueadas (RS), e os outros materiais iriam para descarte seguro.

O que o Estaleiro Rio Grande precisa ter para receber uma plataforma

As exigências do edital vão além do dique. O estaleiro precisa ter licença de operação que inclua, de forma explícita, a atividade de desmontagem, informa a Agência Petrobras.

Também precisa ter capacidade instalada para armazenar e manusear os materiais retirados, além de plano de contingência e de emergência. A Ecovix, segundo a Petrobras, tem licença de operação para a desmontagem.

A estatal se responsabiliza por entregar a plataforma no estaleiro indicado pelo comprador. O edital, explica a empresa, assegura que a unidade seja reciclada e não volte a navegar.

A lição da P-32 e o prazo da P-33

A P-32 chegou ao Estaleiro Rio Grande em 14 de dezembro de 2023. Na época, a Petrobras informou que o desmantelamento levaria cerca de um ano, e que o da P-33 também levaria cerca de um ano.

A previsão da Petrobras era de cerca de um ano de desmonte. A Ecovix declarou a missão cumprida na P-32 em 20 de agosto de 2026, mais de dois anos e meio depois da chegada, em dezembro de 2023. O post não diz em que dia o corte terminou.

Para a P-33, a empresa promete ganhar tempo. “Cada lição aprendida com a P-32 será aplicada agora para garantir uma execução ainda mais rápida, precisa e segura”, escreveu a Ecovix.

Em vídeo publicado com o post, Tiago Dias, gestor operacional da Ecovix, falou do prazo. “Nosso compromisso é trabalhar com a máxima eficiência para concluir este projeto no menor prazo possível, mantendo a excelência e a segurança durante toda a operação”, disse.

O que vem depois da P-33 no Estaleiro Rio Grande

A Ecovix afirmou que a chegada da P-33 reforça a capacidade técnica e a prontidão do Estaleiro Rio Grande para grandes operações. A empresa disse ter consolidado com a P-32 o “pioneirismo do primeiro desmantelamento sustentável do Brasil”.

Do lado da Petrobras, o plano estratégico prevê o descomissionamento de 18 plataformas até 2030, sendo sete fixas e 11 flutuantes, segundo a Agência Petrobras.

A P-32 e a P-33 são, pelos comunicados da estatal, as duas primeiras unidades flutuantes da companhia a seguir esse modelo de reciclagem. Na P-32, a Petrobras informou que o aço seguiria para a siderurgia gaúcha.

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: Petrobras


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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