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Petrobras anuncia nesta sexta-feira, 2 de outubro, nova descoberta de petróleo na Foz do Amazonas e encontra segunda camada no poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 02/10/2026 às 13:23
Atualizado em 02/10/2026 às 13:25
Petróleo e Gás
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A estatal confirmou boa qualidade do óleo encontrado anteriormente e seguirá avaliando amostras e formações mais profundas para medir o potencial da área.
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 2 de outubro, uma nova descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. O achado ocorreu no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas na costa do Amapá, região considerada estratégica para a expansão futura da exploração brasileira.
A descoberta chama atenção porque é o segundo resultado positivo obtido no mesmo poço em menos de dois meses. Em agosto, a companhia já havia identificado hidrocarbonetos em Morpho, mas decidiu continuar aprofundando a perfuração para investigar outras estruturas geológicas localizadas abaixo da primeira ocorrência.
O resultado apareceu em condições extremas de operação. O poço está situado a cerca de 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá, e foi perfurado sob uma lâmina d’água de aproximadamente 2.886 metros, colocando Morpho entre os projetos exploratórios em águas ultraprofundas conduzidos atualmente pela estatal.
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Petrobras aprofundou Morpho e encontrou outra zona com petróleo
Depois da primeira descoberta divulgada em agosto, a Petrobras manteve a perfuração com o objetivo de avaliar intervalos exploratórios mais profundos. Segundo o comunicado oficial divulgado pela companhia, essa continuidade permitiu alcançar um novo intervalo portador de petróleo dentro do mesmo poço.
A presença de petróleo foi identificada por meio de perfis elétricos, indícios observados nas rochas e amostras de fluidos obtidas durante a perfuração. Na prática, os resultados mostram que Morpho possui mais de uma formação geológica com ocorrência de hidrocarbonetos, ampliando o conjunto de informações disponíveis sobre a área.
Para a Petrobras, os novos dados poderão ajudar a compreender melhor tanto os sistemas petrolíferos existentes no bloco FZA-M-59 quanto o potencial mais amplo da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas. A Reuters também destacou que o resultado poderá contribuir para avaliar o potencial petrolífero dessa região, que vem despertando interesse crescente da indústria.
Ainda não existe, entretanto, uma estimativa oficial sobre quantos barris podem estar presentes nas estruturas encontradas em Morpho. Antes disso, será necessário determinar extensão, espessura, continuidade dos reservatórios e características das formações por meio de novas análises e atividades exploratórias.
Petróleo encontrado em agosto já teve boa qualidade confirmada
Além da nova descoberta, outro ponto importante do anúncio envolve o petróleo encontrado anteriormente. A Petrobras informou que as análises realizadas com as amostras da primeira descoberta de Morpho, anunciada em 14 de agosto, permitiram confirmar a boa qualidade do óleo encontrado.
Já o petróleo localizado agora em uma formação mais profunda ainda será submetido a testes laboratoriais. As amostras coletadas durante a perfuração deverão ser caracterizadas e posteriormente integradas ao restante das informações adquiridas no poço, permitindo comparar as diferentes zonas identificadas.
Esse processo é importante porque duas camadas contendo petróleo dentro de um mesmo poço não necessariamente apresentam as mesmas propriedades. Densidade, composição, viscosidade, pressão e características das rochas reservatório podem variar significativamente conforme a profundidade e a formação geológica analisada.
Por isso, embora o novo resultado seja considerado positivo para a exploração, ainda é cedo para afirmar que o segundo intervalo possui petróleo com exatamente as mesmas características daquele encontrado em agosto. A companhia deverá concluir primeiro as análises laboratoriais e a avaliação técnica da formação.
Foz do Amazonas ganha peso na estratégia da Petrobras
Morpho está localizado na Margem Equatorial brasileira, uma extensa faixa marítima que acompanha os estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A região tornou-se uma das principais apostas da Petrobras para encontrar áreas capazes de ajudar na reposição das reservas brasileiras nas próximas décadas.
A própria companhia afirma que a exploração do bloco FZA-M-59 está alinhada à sua estratégia de longo prazo, que prevê buscar novas fronteiras petrolíferas para compensar, ao longo do tempo, o amadurecimento de campos já em produção.
O interesse pela Margem Equatorial também aumentou após as grandes descobertas realizadas nas últimas décadas em países próximos, especialmente Guiana e Suriname. Essa proximidade geográfica e determinadas semelhanças geológicas fizeram crescer a expectativa sobre o que poderia existir no lado brasileiro da margem atlântica.
Mesmo assim, cada bacia possui características próprias, e as descobertas em países vizinhos não garantem automaticamente reservas equivalentes no Brasil. É justamente por isso que resultados concretos como os obtidos em Morpho são importantes para construir uma avaliação baseada em dados reais da geologia brasileira.
Descoberta não significa que produção comercial já esteja garantida
Encontrar petróleo durante uma perfuração exploratória é apenas uma das primeiras etapas de um processo muito mais longo. O resultado confirma a existência de hidrocarbonetos naquela formação, mas ainda não demonstra sozinho que existe um campo comercialmente viável capaz de justificar bilhões de reais em infraestrutura de produção.
A Petrobras deverá concluir a perfuração e continuar avaliando as formações encontradas, conforme informou em seu comunicado oficial de 2 de outubro. Os dados geológicos, sísmicos, petrofísicos e laboratoriais serão combinados para entender melhor as dimensões e características da descoberta.
Se os resultados continuarem positivos, etapas posteriores poderão envolver novos poços de delimitação para descobrir até onde os reservatórios se estendem. Só depois disso será possível avançar para cálculos mais confiáveis sobre volumes recuperáveis e eventual viabilidade econômica de uma operação comercial.
Isso também explica por que ainda não é tecnicamente correto falar em bilhões de barris descobertos em Morpho. Até agora, a Petrobras confirmou petróleo em dois intervalos do poço, mas não anunciou oficialmente o volume das reservas ou recursos que eventualmente poderão ser recuperados.
Segundo resultado coloca Morpho ainda mais no centro das atenções
O que mudou com o anúncio desta sexta-feira é que Morpho deixou de representar apenas uma ocorrência isolada encontrada durante a perfuração inicial. A continuidade do trabalho revelou um segundo intervalo portador de petróleo em uma camada mais profunda, aumentando a quantidade de evidências obtidas no mesmo ponto exploratório.
A Agência Brasil confirmou que esta é a segunda descoberta realizada no poço, depois do resultado divulgado em agosto. O poço segue localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas da Foz do Amazonas.
Agora, a pergunta mais importante permanece sem resposta: qual é o tamanho real das estruturas petrolíferas encontradas? A resposta dependerá das próximas etapas de avaliação, da integração dos dados obtidos em Morpho e dos resultados que surgirem em futuras perfurações realizadas nessa fronteira.
Por enquanto, porém, a Petrobras conseguiu algo relevante para sua campanha exploratória: aprofundou um poço que já havia encontrado petróleo e encontrou petróleo novamente. Se os próximos dados confirmarem continuidade e volumes significativos, Morpho poderá ganhar importância cada vez maior na estratégia brasileira para a Margem Equatorial.
Fonte
infomoney
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

