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Petrobras avança em águas profundas, mas os navios viram o centro de uma disputa: Brasil pode precisar de mais 40 embarcações até 2030 enquanto diárias offshore podem chegar a US$ 60 mil em cinco anos

Petrobras avança em águas profundas, mas os navios viram o centro de uma disputa: Brasil pode precisar de mais 40 embarcações até 2030 enquanto diárias offshore podem chegar a US$ 60 mil em cinco anos

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Petrobras avança em águas profundas, mas os navios viram o centro de uma disputa: Brasil pode precisar de mais 40 embarcações até 2030 enquanto diárias offshore podem chegar a US$ 60 mil em cinco anos

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 22/10/2026 às 02:30

Atualizado em 22/10/2026 às 02:50

Indústria Naval

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Expansão das operações offshore impulsiona a demanda por navios de apoio; estimativa da Arctic Offshore aponta necessidade de cerca de 40 embarcações adicionais no Brasil até 2030. Imagem ilustrativa.

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Operadores avaliam compras de frotas e encomendas a estaleiros para atender às operações no mar; projeções de preços reforçam o peso dos contratos de longo prazo

A expansão das operações da Petrobras em águas profundas traz uma preocupação para as empresas que trabalham no mar: encontrar embarcações para acompanhar esse crescimento. Segundo Martin Lysne, analista sênior da Arctic Offshore, o Brasil pode precisar de cerca de 40 unidades adicionais até 2030.

Plataforma P-78, da Petrobras, integra a operação do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

A estimativa foi apresentada durante a Offshore Support Journal Conference Americas, no Rio de Janeiro, conforme a cobertura publicada pela Riviera Maritime Media. Entre os participantes, o debate passou pela disponibilidade de navios e pelo custo de construir novas unidades.

Os sinais de pressão variam conforme a atividade. Jesper Skodje Skjong, analista da Fearnley Offshore Supply, apontou disponibilidade, naquele momento, de PSVs, as embarcações que abastecem plataformas. Para os grandes navios de manuseio de âncoras, porém, ele descreveu um mercado mais apertado.

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Essa diferença impede tratar toda a frota offshore como se estivesse na mesma situação. Enquanto alguns segmentos ainda oferecem opções, outros exigem mais planejamento de quem precisa contratar.

Diárias projetadas chegam a US$ 60 mil

Quintin Kneen, presidente e CEO da Tidewater, acredita que as diárias de PSVs de alta especificação podem alcançar entre US$ 55 mil e US$ 60 mil em cinco anos, segundo o relato da conferência publicado pela Riviera. Trata-se de uma projeção do executivo para esse segmento, e não de um preço já praticado por toda a frota.

Sua avaliação também ajuda a explicar a cautela dos armadores diante de novas encomendas. Segundo Kneen, um PSV novo precisaria de aproximadamente US$ 44 mil por dia, durante 20 anos, para atingir o equilíbrio econômico.

Por isso, o executivo defende a construção vinculada a contratos de longo prazo. Para quem assume o investimento, a duração do serviço pesa tanto quanto o valor da diária.

Tidewater escolheu comprar embarcações que já existiam

A Tidewater ampliou sua presença no Brasil por meio de uma aquisição. Em 31 de agosto de 2026, a companhia concluiu a compra da Wilson Sons Ultratug e da Atlantic Offshore Services, incorporando 22 PSVs.

O negócio teve preço-base de US$ 500 milhões, sujeito a ajustes contratuais. No fechamento, a empresa pagou aproximadamente US$ 283,1 milhões em dinheiro, conforme o documento apresentado à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

As empresas adquiridas tinham cerca de US$ 229,3 milhões em dívidas existentes. O contrato previa ajustes relacionados ao endividamento líquido, ao capital de giro e a outros componentes da transação.

Com a aquisição, a Tidewater passou a controlar uma frota que já estava disponível no mercado. A operação aumenta a participação da companhia, mas não acrescenta 22 embarcações recém-construídas à oferta brasileira.

Para ampliar o número de unidades, as encomendas aos estaleiros continuam sendo parte importante da resposta à demanda.

Petrobras contratou construção e serviços por R$ 16,5 bilhões

Uma dessas encomendas foi anunciada pela Petrobras em 12 de dezembro de 2024. A companhia assinou contratos de R$ 16,5 bilhões para construção e afretamento de 12 PSVs, em acordos com Bram Offshore e Starnav Serviços Marítimos.

Petrobras anunciou contratos de R$ 16,5 bilhões para construção e afretamento de 12 embarcações de apoio em dezembro de 2024.

Do total, R$ 5,2 bilhões correspondem a investimentos em construção naval no Brasil, segundo o comunicado oficial da Petrobras sobre os contratos. O valor total inclui também a prestação dos serviços de afretamento.

As embarcações terão propulsão híbrida, conforme detalhado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina. O sistema combina motores elétricos e baterias com geradores movidos a diesel ou biodiesel, buscando reduzir o consumo de combustível e as emissões durante as operações.

Nesse caso, a contratação oferece aos operadores uma perspectiva de trabalho para as unidades que serão construídas. É justamente essa previsibilidade que os armadores consideram necessária antes de assumir novas encomendas.

Starnav Elektra já trabalha com contrato de 12 anos

Em Santa Catarina, o Estaleiro Detroit construiu o Starnav Elektra, embarcação híbrida que pertence à Starnav e atende à Petrobras por meio de um contrato de 12 anos.

Starnav Elektra atende à Petrobras com propulsão híbrida e contrato de 12 anos, após construção no Estaleiro Detroit, em Santa Catarina.

O Ministério de Portos e Aeroportos detalhou a operação em uma publicação de 1º de outubro de 2026. A bordo, um sistema de gerenciamento integra os geradores e o armazenamento em baterias, ajustando o fornecimento de energia à necessidade do navio.

Em determinadas condições de trabalho, a embarcação utiliza a energia armazenada. A proposta é adequar o funcionamento dos equipamentos à demanda e reduzir o consumo.

Segundo informações do estaleiro reproduzidas pelo ministério, o Elektra alcançou conteúdo local estimado entre 65% e 70%. Engenharia, mão de obra e fornecedores brasileiros participaram da construção em Itajaí.

A embarcação também reúne uma tripulação inteiramente feminina, sob o comando de Isabela Teixeira Ponce de Leon. As profissionais atuam na navegação, na sala de máquinas e nas demais funções da operação marítima.

O Brasil conseguirá aproveitar a demanda por embarcações offshore para ampliar as encomendas aos seus estaleiros? Deixe nos comentários.

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Caio Aviz

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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