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Petrobras, Braskem e Ultrapar avaliam projeto de R$ 6 bilhões para transformar a primeira refinaria do Brasil em biorrefinaria 100% renovável

Petrobras, Braskem e Ultrapar avaliam projeto de R$ 6 bilhões para transformar a primeira refinaria do Brasil em biorrefinaria 100% renovável

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Petrobras, Braskem e Ultrapar avaliam projeto de R$ 6 bilhões para transformar a primeira refinaria do Brasil em biorrefinaria 100% renovável

Escrito por Ana Alice

Publicado em 18/10/2026 às 20:33

Atualizado em 18/10/2026 às 20:35

Biocombustíveis Renováveis

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Petrobras, Braskem e Ultrapar avaliam projeto de R$ 6 bilhões para converter a primeira refinaria do Brasil em biorrefinaria renovável. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Refinaria Riograndense, inaugurada em 1937 no Rio Grande do Sul, concluiu estudos para conversão integral da unidade e agora aguarda decisão dos três acionistas sobre investimento estimado em R$ 6 bilhões.

A Refinaria de Petróleo Riograndense, instalada em Rio Grande (RS), aguarda uma decisão de Petrobras, Braskem e Ultrapar sobre um projeto estimado em R$ 6 bilhões para converter integralmente a unidade ao processamento de matérias-primas renováveis.

Segundo o jornal A Hora do Sul, os estudos e documentos solicitados pelos acionistas foram concluídos em 2026 e encaminhados para análise. As três companhias se reúnem mensalmente para deliberar sobre a refinaria, e a expectativa informada pela unidade é de que o projeto possa ser analisado até o fim de outubro.

O aval é necessário para que a transformação física avance. Até o momento, não há confirmação pública de aprovação definitiva do investimento de R$ 6 bilhões.

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A mudança tem peso histórico. A Refinaria Riograndense registra que sua unidade foi inaugurada em 7 de setembro de 1937 e se tornou a primeira refinaria de petróleo do Brasil.

O plano em avaliação prevê substituir o processamento de petróleo por matérias-primas renováveis e produzir combustíveis e insumos como diesel renovável, Bio-GL e bioaromáticos.

Refinaria Riograndense, em Rio Grande (RS), poderá receber investimento de R$ 6 bilhões para conversão integral ao processamento de matérias-primas renováveis. Crédito: Divulgação/Petrobras

Projeto de R$ 6 bilhões depende do aval dos três acionistas

Petrobras, Braskem e Ultrapar são as principais acionistas da Refinaria Riograndense. Cada uma detém 33,20% do capital da companhia, enquanto os acionistas minoritários concentram os 0,40% restantes.

A decisão sobre a conversão, portanto, envolve diretamente as três empresas.

A refinaria informou ao A Hora do Sul que concluiu os estudos e a documentação solicitada pelos acionistas ao longo do ano e agora aguarda autorização para avançar com a transformação física da planta.

O valor associado ao projeto é de aproximadamente R$ 6 bilhões. O montante já havia sido apresentado publicamente pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no início de 2026, quando a executiva tratou dos planos para transformar a Riograndense em uma biorrefinaria.

O cronograma, entretanto, passou a depender das decisões societárias e do avanço das análises técnicas.

Em março, Chambriard também afirmou que questões envolvendo a estrutura de controle da Braskem interferiam na capacidade de decisão relacionada ao investimento na refinaria.

Com os documentos agora entregues, a expectativa está concentrada na deliberação dos acionistas. A eventual aprovação abrirá caminho para as próximas etapas de engenharia, obras e adaptação da unidade.

ANP já autorizou processamento contínuo de carga 100% renovável

Apesar de a conversão completa ainda depender do investimento, a Refinaria Riograndense já avançou em uma etapa regulatória importante.

Em 26 de janeiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu autorização para que a unidade processe continuamente matéria-prima 100% renovável, utilizando carga formada por óleo vegetal.

A agência também autorizou a produção e comercialização do Bio-GL, produto renovável com aplicação semelhante à do GLP convencional.

Segundo a ANP, as autorizações fazem parte de processos administrativos iniciados em 2024 para permitir que a Riograndense avance na substituição gradual do petróleo por matérias-primas renováveis.

A refinaria já havia realizado testes industriais antes da autorização definitiva.

Em 2023, a unidade processou 100% de óleo de soja utilizando tecnologia desenvolvida pelo Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras, o Cenpes. A experiência permitiu produzir derivados petroquímicos integralmente renováveis em escala industrial.

Outro teste foi concluído em fevereiro de 2025, quando a refinaria processou uma mistura contendo 5% de óleo de pirólise produzido a partir de biomassa de eucalipto.

A experiência abriu uma rota adicional para combustíveis com conteúdo celulósico e ajudou a ampliar o conjunto de matérias-primas que poderão ser utilizadas em um eventual modelo de biorrefinaria.

Diesel renovável, Bio-GL e bioaromáticos estão entre os produtos previstos

A transformação integral permitiria levar esses testes para uma operação estruturada permanentemente em torno de matérias-primas renováveis.

De acordo com as informações divulgadas pela Refinaria Riograndense, a futura planta deverá produzir diesel renovável, Bio-GL e bioaromáticos, além de outros derivados obtidos a partir de cargas de origem renovável.

O projeto trabalha com uma estimativa de redução de 65% a 80% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação aos equivalentes fósseis, dependendo do produto e da rota de produção utilizada.

Esse intervalo representa uma projeção do empreendimento e não uma redução já verificada na operação industrial definitiva, que ainda não foi implantada.

No caso do Bio-GL, a ANP informa que testes laboratoriais realizados pela Ultragaz em fogões e aquecedores apontaram desempenho tecnicamente equivalente ao GLP convencional em critérios como potência, consumo, rendimento energético e emissões de monóxido de carbono.

Por essa característica, o combustível pode funcionar como produto do tipo drop-in, utilizando estruturas e equipamentos já existentes, desde que sejam observadas as especificações regulatórias aplicáveis.

A tecnologia desenvolvida para a Riograndense também integra uma estratégia mais ampla de biorrefino da Petrobras.

No Plano de Negócios 2026-2030, a companhia prevê projetos relacionados à produção de SAF, diesel 100% renovável e combustíveis com conteúdo renovável em outras refinarias brasileiras.

Refinaria de Petróleo Riograndense, em Rio Grande (RS) Crédito: Divulgação/Petrobras

Refinaria inaugurada em 1937 pode deixar de processar petróleo

A transformação representa uma mudança profunda para uma instalação diretamente ligada ao início da indústria brasileira de refino.

A história oficial da Riograndense remonta a 1933, quando investidores brasileiros e argentinos constituíram a Destilaria Rio-Grandense de Petróleo, em Uruguaiana.

Quatro anos depois, em Rio Grande, foi inaugurada a Refinaria de Petróleo Ipiranga, atual Refinaria de Petróleo Riograndense, considerada a primeira refinaria de petróleo instalada no Brasil.

Desde então, a unidade atravessou diferentes etapas da indústria nacional e atualmente mantém Petrobras, Braskem e Ultrapar como seus principais acionistas.

Caso a conversão integral seja aprovada, a instalação deixará de ter o petróleo como base de sua operação e passará a processar matérias-primas renováveis em escala industrial.

A mudança, porém, ainda depende da aprovação formal dos acionistas e da execução do investimento estimado em R$ 6 bilhões.

O fato novo de outubro é justamente a conclusão dos estudos e o encaminhamento da documentação necessária para essa decisão.

A expectativa informada pela Refinaria Riograndense é que a análise possa ocorrer até o fim do mês. Depois de um eventual aval, ainda serão necessárias etapas de obras, engenharia, execução financeira e cumprimento das exigências técnicas e regulatórias antes que a transformação completa da unidade seja concluída.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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