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Petrobras dá segunda vida a mais de 420 km de dutos offshore e transforma linhas retiradas do mar em ativos industriais em cinco anos de reaproveitamento, com projetos que somam 53 e 63 km

Petrobras dá segunda vida a mais de 420 km de dutos offshore e transforma linhas retiradas do mar em ativos industriais em cinco anos de reaproveitamento, com projetos que somam 53 e 63 km

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Petrobras dá segunda vida a mais de 420 km de dutos offshore e transforma linhas retiradas do mar em ativos industriais em cinco anos de reaproveitamento, com projetos que somam 53 e 63 km

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 05/10/2026 às 13:37

Atualizado em 05/10/2026 às 13:40

Setor Offshore

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Dados apresentados pela Petrobras na ROG.e 2026 mostram que projetos no FPSO Capixaba, em Marlim e Voador já deram novo uso a linhas retiradas do mar, enquanto o avanço desse mercado depende de integridade comprovada, rastreabilidade e regras para reuso, reciclagem e mudança de finalidade.

Parte dos equipamentos retirados de operações offshore no Brasil já está encontrando uma segunda utilização. Dados apresentados pela Petrobras na ROG.e 2026 e repercutidos pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente mostram que mais de 420 quilômetros de dutos flexíveis foram reutilizados nos últimos cinco anos.

No FPSO Capixaba, 53 quilômetros de linhas receberam nova utilização. Nos campos de Marlim e Voador, outros 63 quilômetros foram reaproveitados, operação associada a uma redução estimada de 17 mil toneladas de dióxido de carbono.

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O reaproveitamento aparece dentro de uma etapa mais ampla da indústria de petróleo e gás. O descomissionamento reúne atividades adotadas quando instalações deixam definitivamente de operar e inclui desde o abandono de poços até a retirada ou destinação dos sistemas que permaneceram no mar durante a produção.

Antes da remoção definitiva, porém, um equipamento pode ser avaliado para permanecer em operação ou receber outra utilização. A Petrobras informa em sua página sobre descomissionamento offshore que considera alternativas como revitalização de campos, continuidade operacional e reutilização de ativos quando as condições técnicas permitem.

Segunda vida depende da integridade do equipamento

Retirar um duto, umbilical, manifold ou outro componente do fundo do mar não significa que ele esteja automaticamente disponível para um novo projeto. O reaproveitamento depende do histórico de serviço, das condições às quais o equipamento esteve submetido e da comprovação de integridade para a aplicação seguinte.

A avaliação precisa considerar mecanismos de degradação e a vida remanescente do ativo. No caso das linhas flexíveis, referências técnicas podem orientar esse processo, mas a possibilidade de reutilização continua vinculada às características de cada equipamento e às exigências da operação em que ele será empregado.

Também há diferença entre reutilizar um ativo na mesma função e destiná-lo a uma aplicação diferente. A mudança de finalidade acrescenta questões sobre responsabilidade técnica, licenciamento, tratamento tributário e classificação do equipamento, além dos requisitos de segurança que precisam ser demonstrados para o novo uso.

A rastreabilidade acompanha esse processo porque um componente retirado de uma instalação precisa manter informações sobre origem e histórico de serviço. Esses registros integram a avaliação necessária para definir se o ativo conserva condições de receber uma segunda aplicação.

Retirada das instalações mobiliza uma cadeia de serviços

O descomissionamento começa antes de uma plataforma deixar sua localização definitiva. Entre as etapas descritas pela Petrobras estão limpeza e condicionamento de plataformas e dutos, abandono permanente de poços, desconexão de sistemas submarinos e destinação dos resíduos e rejeitos gerados durante a operação.

A execução dessas etapas demanda embarcações especializadas, engenharia, operações de corte e retirada, inspeção, limpeza, transporte, estaleiros e empresas de gestão de resíduos. Quando um componente conserva condições de uso, entram ainda atividades de recuperação, testes e preparação para uma segunda aplicação.

A estratégia também alcança materiais que não podem retornar ao mar. A Petrobras informa que estuda novas aplicações para componentes poliméricos retirados de linhas flexíveis e umbilicais, além de prever critérios de sustentabilidade em contratos relacionados à remoção de sistemas submarinos.

Para esses materiais, a alternativa deixa de ser o reuso do equipamento completo e passa pela recuperação de matérias-primas. A reciclagem pode devolver aço, polímeros e outros componentes às cadeias produtivas, enquanto os materiais sem aproveitamento precisam seguir para destinação final adequada.

Regras definem o alcance do mercado de segunda vida

A transformação dessas experiências em atividade industrial permanente depende de critérios capazes de acompanhar o ativo desde sua retirada até a nova utilização. A discussão envolve reuso, mudança de finalidade, reciclagem, gestão de resíduos e tratamento tributário e aduaneiro, áreas submetidas a diferentes regras e autoridades.

O tratamento fiscal é uma das partes desse processo porque equipamentos utilizados na indústria de petróleo e gás podem estar enquadrados em regimes específicos. Quando a finalidade do bem muda, a nova situação precisa ser compatível com as exigências aplicáveis à movimentação e à utilização desses ativos.

A questão ambiental também permanece quando o equipamento não reúne condições para reaproveitamento. Separar o que ainda possui vida útil, o que pode fornecer materiais recicláveis e o que deve receber destinação final exige rastreabilidade ao longo das diferentes etapas.

Nos campos maduros da Bacia de Campos, os grandes projetos de descomissionamento ampliam a demanda por serviços especializados e o volume de equipamentos que precisam ser avaliados. Ativos que conservam valor residual podem seguir para reparo, certificação e nova utilização quando atendem aos requisitos técnicos e regulatórios aplicáveis.

Os Programas de Descomissionamento das Instalações, conhecidos como PDIs, passam pela avaliação dos órgãos responsáveis. A Petrobras informa que Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Ibama e Marinha analisam esses projetos dentro de suas respectivas competências técnicas, ambientais e de segurança da navegação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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