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Petrobras financia pesquisa para transformar biomassa brasileira em combustível sustentável de aviação, com gaseificação e Fischer–Tropsch para criar uma cadeia nacional de SAF

Petrobras financia pesquisa para transformar biomassa brasileira em combustível sustentável de aviação, com gaseificação e Fischer–Tropsch para criar uma cadeia nacional de SAF

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Petrobras financia pesquisa para transformar biomassa brasileira em combustível sustentável de aviação, com gaseificação e Fischer–Tropsch para criar uma cadeia nacional de SAF

Escrito por Carla Teles

Publicado em 15/10/2026 às 11:48

Atualizado em 15/10/2026 às 11:50

Biocombustíveis Renováveis

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Petrobras pesquisa combustível sustentável com biomassa brasileira, gaseificação e Fischer–Tropsch para desenvolver uma cadeia nacional de SAF.

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Combustível sustentável produzido com biomassa brasileira é estudado por universidades com apoio da Petrobras, usando gaseificação e Fischer–Tropsch para estruturar uma cadeia nacional de SAF.

A Petrobras está financiando uma pesquisa voltada ao desenvolvimento de combustível sustentável de aviação a partir de biomassa brasileira, em um projeto coordenado pela Universidade Federal de Itajubá, a UNIFEI. Iniciada em janeiro de 2026, a iniciativa reúne quatro universidades federais e avalia uma rota tecnológica que combina gaseificação da biomassa com síntese Fischer–Tropsch para produzir querosene renovável.

As informações foram divulgadas pela UNIFEI em 24 de julho de 2026. Além da universidade mineira, participam pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, da Universidade Federal de Uberlândia e da Universidade Federal do Paraná. O objetivo não é apenas estudar a conversão da matéria-prima, mas avaliar as condições necessárias para transformar a tecnologia em uma futura cadeia nacional de produção de SAF.

Biomassa brasileira entra no centro da pesquisa sobre SAF

Imagem: Reprodução.

O projeto investiga como diferentes fontes de biomassa disponíveis no Brasil podem ser convertidas em combustível sustentável destinado à aviação. A proposta considera um conjunto de etapas tecnológicas e econômicas que precisam funcionar de forma integrada antes de qualquer implantação industrial.

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Uma das frentes será o mapeamento georreferenciado das fontes de biomassa existentes no país. Isso permitirá avaliar onde estão concentradas as matérias-primas, quais regiões apresentam maior disponibilidade e como a logística poderia interferir na viabilidade de uma futura cadeia produtiva.

A localização da biomassa é um ponto estratégico porque transporte, distância e disponibilidade influenciam diretamente os custos e a escala de produção. Por isso, o estudo não se limita à reação química necessária para gerar o combustível.

Gaseificação transforma biomassa em matéria-prima para novos combustíveis

A primeira etapa tecnológica central do projeto envolve a gaseificação em fluxo de arraste. Nesse processo, a biomassa passa por uma conversão termoquímica capaz de gerar uma mistura gasosa que posteriormente pode ser utilizada como matéria-prima para a produção de combustíveis líquidos.

O trabalho coordenado pela UNIFEI pretende avaliar essa rota de forma integrada, considerando eficiência, viabilidade e possibilidade de utilização em escala futura. A gaseificação funciona como uma ponte entre a biomassa sólida e a produção de moléculas capazes de originar combustíveis líquidos renováveis.

Os pesquisadores também vão modelar diferentes processos para compreender como mudanças nas condições operacionais podem afetar o desempenho global do sistema. Essa análise será importante para comparar alternativas antes de uma eventual implantação industrial.

Fischer–Tropsch aparece como etapa para produzir querosene renovável

Depois da gaseificação, o projeto analisa a utilização da síntese Fischer–Tropsch. Essa tecnologia permite converter determinados gases de síntese em hidrocarbonetos líquidos.

No contexto da pesquisa, a combinação das duas etapas é avaliada como uma rota para chegar ao combustível sustentável de aviação. A UNIFEI descreve a solução como uma das alternativas promissoras para a produção de combustíveis líquidos sustentáveis.

A pesquisa, entretanto, ainda está em desenvolvimento. Não há anúncio de uma planta comercial, volume de produção ou data para início de fabricação em escala industrial. O objetivo atual é reunir dados suficientes para avaliar se a rota pode avançar tecnicamente e economicamente.

Quatro universidades formam rede nacional de pesquisa

A coordenação do projeto está sob responsabilidade do professor Electo Eduardo Silva Lora, do Instituto de Engenharia Mecânica da UNIFEI.

A iniciativa reúne especialistas de diferentes áreas, incluindo conversão termoquímica, modelagem de processos, avaliação econômica, análise ambiental, logística e prospecção tecnológica. Essa estrutura permite observar o problema de forma mais ampla do que uma pesquisa restrita ao laboratório.

A UFSM, a UFU e a UFPR integram a rede ao lado da UNIFEI. A participação de diferentes instituições cria uma estrutura nacional dedicada à avaliação de tecnologias para descarbonizar o setor aeronáutico.

Também participam pesquisadores, pós-doutorandos e estudantes de doutorado e mestrado vinculados às atividades previstas.

Petrobras quer avaliar integração da tecnologia às refinarias

Um dos pontos previstos no projeto é estudar como a rota de produção poderia ser integrada às refinarias da Petrobras.

Essa análise é relevante porque uma futura cadeia de SAF precisaria se conectar a uma infraestrutura industrial capaz de processar, armazenar e distribuir o produto.

Os pesquisadores deverão avaliar de que maneira o novo processo poderia conversar com ativos existentes e quais adaptações seriam necessárias. A integração com refinarias pode ser decisiva para determinar a viabilidade de uma eventual expansão da tecnologia.

A fonte, porém, não informa quais unidades da Petrobras estão sendo consideradas nem estabelece prazo para qualquer adaptação industrial.

Projeto também mede maturidade tecnológica e comercial

A pesquisa vai analisar a maturidade tecnológica por meio do chamado TRL e também a maturidade comercial, indicada pelo CRL.

Esses indicadores ajudam a entender em que estágio determinada solução se encontra e quanto ainda precisa evoluir antes de chegar ao mercado.

Também estão previstos levantamentos em bases de patentes e estudos de prospecção tecnológica. A intenção é identificar o nível de desenvolvimento da rota no cenário internacional e os obstáculos que ainda precisam ser superados.

Essa etapa evita tratar uma tecnologia promissora como solução pronta. O projeto precisa demonstrar se os processos podem ser integrados, escalados e economicamente sustentáveis.

Viabilidade econômica e ambiental também será colocada à prova

Produzir combustível sustentável não depende apenas de conseguir converter biomassa em combustível. O resultado também precisa apresentar desempenho econômico, ambiental e logístico adequado.

Por isso, os pesquisadores vão estudar custos, impactos ambientais e condições de implantação. A análise deverá considerar a disponibilidade das matérias-primas e a estrutura necessária para transportar e processar a biomassa.

O projeto também prevê a avaliação do potencial de captura, utilização e armazenamento de carbono, conhecido pela sigla CCUS.

A combinação entre SAF e tecnologias de gestão de carbono pode alterar o desempenho ambiental da cadeia, mas os resultados dependerão dos cenários avaliados durante a pesquisa.

Roadmap poderá mostrar caminho até uma implantação industrial

Outra entrega prevista é a elaboração de um roadmap para orientar uma possível implantação industrial da tecnologia.

Esse documento deverá reunir informações sobre estágio tecnológico, infraestrutura, matérias-primas, integração industrial e condições econômicas necessárias para o avanço da rota.

O roadmap não significa que uma fábrica será construída imediatamente. Ele funcionará como instrumento para indicar quais etapas ainda precisam ser cumpridas antes de uma decisão de investimento.

Esse cuidado é importante porque o projeto começou em 2026 e ainda está na fase de avaliação de uma tecnologia complexa que precisa conectar produção agrícola, logística, processamento industrial e mercado de aviação.

Pesquisa tenta abrir espaço para uma cadeia brasileira de SAF

A expectativa apresentada pela UNIFEI é que os resultados contribuam para estruturar uma cadeia nacional de produção de SAF baseada em biomassa brasileira.

Caso a rota demonstre viabilidade, o país poderia agregar valor a matérias-primas nacionais e ampliar as alternativas para reduzir as emissões associadas à aviação.

O projeto financiado pela Petrobras reúne biomassa, gaseificação, Fischer–Tropsch, refinarias e pesquisa universitária em uma mesma estratégia tecnológica, mas os resultados ainda dependerão das avaliações técnicas, econômicas e ambientais em andamento.

A iniciativa coloca o combustível sustentável no centro de uma discussão que envolve energia, aviação, bioeconomia e indústria nacional. Nos comentários, registre sua avaliação sobre o potencial da biomassa brasileira para sustentar uma futura cadeia nacional de SAF.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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