Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Petrobras inicia operação de centro tecnológico de R$ 300 milhões para pesquisas sobre o pré-sal em Minas Gerais

Petrobras inicia operação de centro tecnológico de R$ 300 milhões para pesquisas sobre o pré-sal em Minas Gerais

MG

Faça um comentário

6 min de leitura

Petrobras inicia operação de centro tecnológico de R$ 300 milhões para pesquisas sobre o pré-sal em Minas Gerais

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 07/10/2026 às 16:53

Atualizado em 07/10/2026 às 16:57

Imagem: Ascom UNIFEI/Divulgação Agência Petrobras

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Instalação na Unifei permite realizar testes com altas pressões, temperaturas e concentrações de CO₂ e apoiará o desenvolvimento de tecnologias para operações submarinas

Segundo informações divulgadas pela Agência Petrobras em 3 de julho de 2026, começaram as operações do Centro Tecnológico para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), instalado na Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais. Viabilizada por R$ 300 milhões em investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras e dos parceiros do Consórcio de Libra, a estrutura permite reproduzir condições encontradas no pré-sal, como altas pressões, altas temperaturas e elevado teor de CO₂, para testar tecnologias antes de sua aplicação no ambiente submarino.

Centro tecnológico começa a operar em Itajubá

O novo centro funciona dentro da Universidade Federal de Itajubá. Segundo a Petrobras, trata-se de uma planta de processo em escala semi-industrial e uma das instalações mais modernas do mundo em sua categoria.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Imagem: Ascom UNIFEI/Divulgação Agência Petrobras

Além disso, a companhia afirma que o CTPB é único por conseguir reproduzir condições operacionais específicas do pré-sal brasileiro. Essa capacidade permite aproximar os ensaios tecnológicos do ambiente encontrado nos campos offshore.

O investimento de R$ 300 milhões veio da Petrobras e dos parceiros do Consórcio de Libra. Participam do consórcio Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC e CNOOC.

A estrutura amplia a capacidade brasileira de realizar testes complexos dentro do próprio país. Dessa forma, pesquisadores e engenheiros poderão avaliar equipamentos e soluções destinados ao pré-sal em condições próximas das encontradas em campo.

A abertura ocorre enquanto as perspectivas econômicas para essa região continuam elevadas. A Roberta Souza mostrou no CPG que o pré-sal brasileiro pode atrair US$ 150 bilhões em investimentos e alcançar produção de 5,2 milhões de barris por dia até 2032, conforme projeção apresentada pelo diretor-geral da ANP durante a ROG.e 2026.

Centro permitirá simular condições encontradas no pré-sal

Produzir petróleo em águas profundas exige equipamentos capazes de enfrentar condições severas. Por isso, testar novas soluções antes da instalação definitiva ajuda a reduzir incertezas técnicas durante o desenvolvimento dos projetos.

No caso do CTPB, os pesquisadores poderão reproduzir simultaneamente fatores como pressão, temperatura e presença elevada de dióxido de carbono.

Consequentemente, a infraestrutura permitirá observar como equipamentos e tecnologias se comportam diante de condições semelhantes às encontradas nos reservatórios.

Imagem: Ascom UNIFEI/Divulgação Agência Petrobra

Esse tipo de validação ganha importância porque uma falha no ambiente submarino pode exigir intervenções complexas. Além disso, operações em águas profundas dependem de embarcações, equipamentos especializados e planejamento logístico.

HISEP será uma das tecnologias avaliadas no centro

Uma das principais funções do CTPB será apoiar o desenvolvimento do HISEP, sigla para Sistema de Separação Submarina de Alta Pressão.

A Petrobras desenvolveu a tecnologia para realizar parte do processamento dos fluidos ainda no fundo do mar. A solução separa o gás rico em CO₂ antes que ele siga até a unidade de produção na superfície.

Depois da separação submarina, esse gás pode ser reinjetado no reservatório. Dessa maneira, a tecnologia busca aumentar a eficiência operacional e contribuir para uma produção com menor intensidade de carbono.

O HISEP também pode liberar capacidade de processamento na plataforma. Afinal, parte do gás deixa de percorrer todo o caminho até a unidade de superfície para depois passar pelos processos de separação e reinjeção.

A tecnologia busca responder a desafios que ganham relevância à medida que a indústria avança sobre reservatórios mais complexos.

Testes das bombas estavam previstos para o segundo semestre de 2026

O desenvolvimento do HISEP já passou por etapas importantes. Em 2023, a Petrobras testou com sucesso a primeira bomba de fase densa com arquitetura submarina fabricada e testada no Brasil.

O trabalho recebeu reconhecimento da própria indústria. O projeto conquistou o Prêmio de Inovação Tecnológica da ANP na categoria de sistemas submarinos.

Agora, o CTPB assume papel relevante na próxima etapa. Segundo a Petrobras, os testes finais de qualificação das bombas estavam previstos para o segundo semestre de 2026.

Assim, a instalação de Itajubá passa a integrar diretamente o desenvolvimento de uma tecnologia destinada às operações do pré-sal.

CO₂ pode ser separado no fundo do mar e reinjetado no reservatório

Um dos diferenciais do HISEP está no tratamento do gás com alta concentração de CO₂. Em vez de levar todo esse fluxo até a plataforma, a proposta prevê realizar a separação em ambiente submarino.

Posteriormente, o gás rico em CO₂ pode ser reinjetado no próprio reservatório. Com isso, a Petrobras busca combinar eficiência operacional, aumento da produção e redução das emissões associadas ao processamento.

A estratégia de reinjeção também aparece em novos projetos da companhia. A Roberta Souza mostrou no CPG que as plataformas P-80 e P-82 incorporam tecnologias de captura e reinjeção de carbono e recuperação de energia. As duas unidades poderão acrescentar, juntas, até 450 mil barris diários à capacidade instalada de Búzios quando entrarem em produção.

No entanto, é importante diferenciar os projetos. O HISEP pretende realizar a separação ainda no fundo do mar, característica central da tecnologia desenvolvida pela Petrobras.

Universidade ganha estrutura voltada à pesquisa aplicada

O impacto do centro também alcança a pesquisa acadêmica. Instalado na Unifei, o CTPB aproxima pesquisadores, estudantes e profissionais da indústria de uma infraestrutura voltada a problemas reais do setor de petróleo e gás.

Para a universidade, isso abre espaço para ampliar a pesquisa aplicada e a formação de engenheiros e pesquisadores especializados em tecnologias para águas profundas.

A cerimônia que marcou o início das operações reuniu cerca de 80 participantes. Estavam presentes gestores da Petrobras, representantes do Consórcio de Libra, fornecedores, membros da ANP e representantes do poder público federal.

Portanto, o projeto também cria uma conexão entre universidade, indústria, fornecedores e órgãos reguladores.

Pré-sal amplia participação na produção brasileira

O investimento tecnológico ocorre enquanto o pré-sal amplia seu peso na produção brasileira. A Roberta Souza mostrou no CPG que os contratos de partilha produziram 1,84 milhão de barris de petróleo por dia em julho de 2026.

Somente a parcela pertencente à União alcançou 328 mil barris por dia naquele período, considerando contratos de partilha e acordos de individualização.

Ao mesmo tempo, novos projetos aumentam a capacidade instalada. Dessa forma, soluções que elevem eficiência e permitam lidar melhor com fluidos ricos em CO₂ podem ganhar importância conforme a produção avança.

Novos FPSOs ampliam infraestrutura no pré-sal

O desenvolvimento tecnológico ocorre paralelamente à expansão física das operações. Novas plataformas estão sendo preparadas para aumentar a produção em campos da Bacia de Santos.

Entre elas aparecem as P-80 e P-82. Cada FPSO possui capacidade para produzir 225 mil barris de petróleo por dia e processar até 12 milhões de metros cúbicos de gás diariamente.

Portanto, juntas, as duas unidades poderão adicionar até 450 mil barris por dia à capacidade instalada do campo de Búzios quando iniciarem suas operações.

Essa expansão ajuda a explicar por que tecnologias de processamento submarino recebem atenção. Quanto maiores e mais complexas se tornam as operações, maior é a necessidade de encontrar formas de otimizar equipamentos, processamento e gerenciamento dos fluidos produzidos.

Investimento amplia capacidade tecnológica no Brasil

O CTPB também possui uma dimensão estratégica para a engenharia nacional. A Petrobras destaca que a instalação permite desenvolver conhecimento e realizar testes de tecnologias avançadas em território brasileiro.

Segundo a companhia, a capacidade de simular condições reais dos campos do pré-sal representa um avanço para a geração de conhecimento e desenvolvimento tecnológico no país.

Além disso, o centro reúne uma grande operadora, parceiros internacionais e uma universidade federal. Essa estrutura cria condições para transformar desafios operacionais em projetos de pesquisa aplicada.

Com R$ 300 milhões investidos em Pesquisa e Desenvolvimento, o CTPB amplia a infraestrutura disponível no Brasil para testar soluções destinadas ao pré-sal. A instalação em Itajubá permitirá que pesquisadores e engenheiros avaliem tecnologias em condições semelhantes às encontradas nos reservatórios antes de sua aplicação em operações offshore.

Fonte

Petrobras


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

Sair da versão mobile