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Petrobras prepara duas plataformas que juntas poderão produzir 240 mil barris por dia em Sergipe, enquanto cursos de soldagem, elétrica e caldeiraria de até 240 horas formam trabalhadores
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 12/10/2026 às 22:18
Atualizado em 12/10/2026 às 22:20
Petróleo e Gás
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Sergipe prepara trabalhadores com cursos do Senai de 200 a 240 horas para estaleiros ligados ao projeto Águas Profundas da Petrobras. Duas plataformas terão capacidade conjunta de 240 mil barris por dia.
Um projeto preparado para produzir até 240 mil barris de petróleo por dia no litoral de Sergipe já está movimentando cursos de soldagem, elétrica e caldeiraria em terra. O governo estadual detalhou, em 7 de outubro, as ações de qualificação ligadas ao Sergipe Águas Profundas (Seap), empreendimento da Petrobras que terá duas unidades de produção no mar e demanda profissionais em diferentes etapas.
Enquanto o Senai forma trabalhadores para os estaleiros Sergipe e Ojuara, em Santo Amaro das Brotas, a SBM Offshore prepara outra frente de treinamento voltada à futura base operacional no estado. São iniciativas diferentes, conectadas à mesma cadeia de petróleo e gás, que começaram antes da chegada das plataformas e do início projetado da produção em 2030.
Cursos de 200 a 240 horas colocam soldagem, elétrica e caldeiraria no centro da preparação
A formação profissional apoiada pelo governo estadual contempla soldagem, eletricidade, caldeiraria, operação de maçarico, pintura industrial e jateamento. Ministradas pelo Senai, as capacitações têm carga horária de 200 a 240 horas, com conteúdos adicionais associados aos requisitos da indústria naval e da Petrobras.
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As turmas estão relacionadas à preparação dos estaleiros Sergipe e Ojuara, em Santo Amaro das Brotas, que devem oferecer apoio logístico às atividades do complexo de petróleo e gás. Segundo a divulgação estadual de outubro, os cursos têm duração média de 90 dias e a expectativa era manter a formação até dezembro de 2026.
Os dois estaleiros passaram a fazer parte da estratégia de recuperação da infraestrutura industrial da região do Cotinguiba. Na atualização divulgada em junho, o estado informou que 52 dos 390 profissionais previstos para uma etapa de qualificação já estavam em treinamento, com aproximadamente 70% de participação feminina entre os matriculados naquele momento. Esses números descrevem aquela etapa de junho, e não novas vagas abertas em outubro.
Estaleiro recebe mais de R$ 80 milhões e prepara cais para até dez embarcações
A preparação de mão de obra acompanha a reativação do antigo estaleiro Araújo, hoje chamado Estaleiro Sergipe. O empreendimento integra uma parceria da gestão estadual com a SG Reparos Navais e envolve investimentos superiores a R$ 80 milhões, segundo o governo.
O plano divulgado inclui terminal alfandegado, cais com mais de 200 metros e capacidade para receber até dez embarcações simultaneamente, além de dique seco, áreas de produção naval e estrutura de abastecimento. Parte dessa capacidade industrial se relaciona também a operações de descomissionamento de plataformas, que exigem profissionais especializados em desmontagem, inspeção, manutenção e serviços marítimos.
No curso de soldagem, por exemplo, a formação envolve medidas, terminologia técnica e atividades práticas. A combinação de treinamento em oficina e adaptação às exigências do setor é relevante para trabalhos que dependem de procedimentos de segurança, qualidade das soldas e conhecimento dos equipamentos instalados em embarcações e instalações industriais.
SBM Offshore mira base operacional em Sergipe para 2027 e amplia treinamento de técnicos
A segunda frente de capacitação está ligada diretamente à operadora das futuras unidades flutuantes. A SBM Offshore assinou um memorando com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) para um novo ciclo do programa Offshore do Futuro. A iniciativa busca formar técnicos que possam atuar na base operacional da companhia em Sergipe, cuja implantação estava prevista para 2027.
O anúncio dessa parceria ocorreu no fim de setembro e foi retomado pelo governo estadual no balanço de 7 de outubro. A SBM também firmou um acordo de cooperação com o Sebrae em Sergipe e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL/SE) para identificar possíveis fornecedores e organizar informações sobre a cadeia produtiva local.
Para empresas de manutenção, serviços técnicos e fornecimento industrial, a movimentação pode abrir caminho para futuras oportunidades de participação na cadeia do projeto. O estágio divulgado é de preparação, capacitação e estruturação de fornecedores; os programas mencionados não constituem um edital geral de emprego ou promessa de contratação automática.
Duas plataformas de 120 mil barris por dia vão operar em uma das novas fronteiras da Petrobras
O Seap reúne os módulos Sergipe Águas Profundas I e II, na Bacia Sergipe-Alagoas. A Petrobras informou em abril de 2026 o avanço das decisões de investimento e da contratação das unidades FPSO, navios capazes de produzir, armazenar e transferir petróleo.
Cada plataforma foi concebida para produzir até 120 mil barris de óleo por dia. Juntas, elas representam a capacidade anunciada de 240 mil barris diários. O governo de Sergipe cita ainda capacidade conjunta de 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia; já o plano de negócios da Petrobras apresenta um gasoduto associado aos projetos com capacidade de escoamento de 18 milhões de metros cúbicos diários, indicador de outra etapa da infraestrutura.
A exploração ocorrerá em águas profundas, com desenvolvimento previsto em lâminas d’água superiores a 2.500 metros, chegando a aproximadamente 3.000 metros em partes do projeto. O cronograma da Petrobras aponta início de operação do módulo II em 2030 e o módulo I em etapa posterior, conforme o modelo de contratação e implantação.
Estado prepara bolsas de estudo e formação de servidores para acompanhar a indústria
Além dos cursos ligados aos estaleiros e à SBM, o governo informou que mantém conversas com a Universidade do Setor de Petróleo e Gás para estruturar um sistema de bolsas de estudos. A proposta prevê seleção de candidatos com formação em áreas relacionadas e participação de empresas na absorção de parte dos profissionais capacitados. Os termos e eventuais vagas dependerão da formalização dessas iniciativas.
Desde 2024, servidores públicos também participam de uma trilha de formação em petróleo e gás organizada pela Sedetec, com apoio da Escola de Administração Pública e Gestão Governamental de Sergipe e da Universidade Tiradentes. O treinamento aborda aspectos técnicos, tecnológicos, regulatórios e tributários, além de visitas a instalações do setor.
Com os estaleiros em reestruturação, a base da SBM projetada para 2027 e a produção offshore prevista para o fim da década, a qualificação começou antes da operação das plataformas. Para os trabalhadores, acompanhar os anúncios oficiais do Senai, dos programas de formação e das empresas participantes será fundamental para conhecer critérios e prazos de futuras seleções.
Você acredita que a formação profissional em Sergipe pode garantir mais oportunidades aos trabalhadores locais quando o projeto entrar em operação? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem com quem acompanha empregos na indústria naval e no petróleo e gás.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

