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Petrobras prepara refinaria brasileira para combustível de avião sustentável e investe US$ 402 milhões
Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/10/2026 às 21:48
Atualizado em 02/10/2026 às 22:00
Biocombustíveis Renováveis
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A Petrobras avança na produção nacional de combustível sustentável para aviões e direciona centenas de milhões de dólares à Refinaria Duque de Caxias, que já recebeu certificação internacional e produziu seu primeiro lote de SAF.
A Petrobras está ampliando a presença dos biocombustíveis em uma de suas principais refinarias e prevê investir US$ 402 milhões em combustível sustentável de aviação e diesel com conteúdo renovável na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, entre 2026 e 2030.
A unidade, localizada em Duque de Caxias, tornou-se a primeira refinaria da Petrobras habilitada a fornecer combustível sustentável de aviação ao mercado internacional.
O avanço coloca a instalação fluminense no centro dos planos da estatal para ampliar a produção de combustíveis com menor intensidade de carbono.
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Os US$ 402 milhões fazem parte de um volume muito maior de investimentos. Segundo a Petrobras, a Reduc deverá receber US$ 4,6 bilhões no ciclo 2026-2030, montante que representa 36% dos investimentos previstos pela companhia entre suas refinarias no período.
A aposta ocorre justamente quando o Brasil começa a estruturar um mercado de combustível sustentável para a aviação.
A legislação nacional estabelece metas graduais de redução das emissões dos voos domésticos a partir de 2027, movimento que deverá elevar a demanda por SAF produzido no país.
Refinaria produziu 3,8 milhões de litros de SAF
A Reduc já passou da fase de estudos e testes iniciais.
Em julho de 2026, a refinaria produziu seu primeiro lote de 3,8 milhões de litros de SAF, sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel.
A produção utilizou óleo de soja classificado segundo critérios relacionados à mudança indireta no uso da terra.
A unidade também conquistou a certificação ISCC CORSIA para a produção de SAF por coprocessamento.
Foi essa certificação que permitiu à Petrobras habilitar o combustível fabricado na Reduc para atendimento ao mercado internacional de aviação.
No coprocessamento, matérias-primas de origem renovável são processadas junto a correntes de origem fóssil nas instalações da refinaria.
O resultado é um combustível que mantém as características técnicas exigidas pela aviação, mas incorpora uma parcela de conteúdo renovável.
A Petrobras informa que seu SAF pode ser utilizado nas aeronaves e na infraestrutura aeroportuária existentes, sem necessidade de mudanças em motores, turbinas, tanques ou sistemas de abastecimento.
Segundo a companhia, a parcela renovável do produto pode apresentar redução superior a 80% nas emissões de gases de efeito estufa, considerando seu ciclo de vida e as matérias-primas utilizadas.
US$ 402 milhões serão destinados a biocombustíveis
Do investimento total previsto para a Reduc até 2030, US$ 402 milhões estão associados especificamente aos projetos de SAF e Diesel R.
O montante faz parte de uma estratégia mais ampla da Petrobras para aumentar a participação de produtos com conteúdo renovável dentro de seu parque de refino.
No Plano de Negócios 2026-2030, a estatal incluiu entre suas prioridades o etanol, biodiesel, biometano, Diesel R, SAF e combustíveis renováveis para o transporte marítimo.
A companhia prevê US$ 15,8 bilhões em investimentos na carteira de implantação do segmento que reúne refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes.
Parte desse dinheiro será destinada à adaptação das refinarias existentes para produzir combustíveis com menor intensidade de carbono.
A Petrobras também pretende ampliar a capacidade de processamento de seu parque de refino de aproximadamente 1,8 milhão para 2,1 milhões de barris por dia até 2030, considerando projetos atualmente em avaliação.
Reduc também avança na produção de diesel renovável
Os projetos da refinaria fluminense não estão concentrados apenas no combustível para aviões.
Em agosto de 2026, a Refinaria Duque de Caxias recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produzir Diesel R com 8,5% de matéria-prima renovável.
O percentual representa um avanço sobre os 5% testados pela unidade em 2023.
Segundo a Petrobras, testes realizados na refinaria confirmaram a estabilidade operacional e a viabilidade técnica da produção com o novo teor renovável.
O Diesel R é produzido com participação de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais ou gorduras animais, durante o processo de refino.
O produto foi desenvolvido para atender aos motores e à infraestrutura já existentes, sem exigir alterações na logística ou no armazenamento.
Com SAF e Diesel R sendo desenvolvidos dentro da mesma refinaria, a Reduc passa a desempenhar um papel relevante na tentativa da Petrobras de combinar sua estrutura tradicional de refino com novas cadeias de biocombustíveis.
Brasil terá novas metas para combustível sustentável de aviação
A expansão acontece em um momento decisivo para o setor aéreo brasileiro.
O governo regulamentou em agosto de 2026 o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, o ProBioQAV, criado pela Lei do Combustível do Futuro.
A partir de 2027, operadores aéreos nacionais deverão começar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa de suas operações domésticas por meio do uso de SAF e de outros mecanismos previstos na regulamentação.
A meta inicial será de 1% de redução em 2027. Depois, o percentual aumentará gradualmente até atingir 10% a partir de 2037.
A ANP define o SAF como um combustível alternativo ao querosene de aviação de origem fóssil, produzido por matérias-primas e processos que atendam a critérios de sustentabilidade.
A agência considera o produto uma das principais alternativas disponíveis atualmente para reduzir as emissões do transporte aéreo, setor em que a substituição direta dos combustíveis fósseis apresenta desafios tecnológicos maiores do que em outras modalidades de transporte.
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Petrobras prepara produção em outras refinarias
A Reduc não será a única unidade envolvida nos planos da Petrobras para combustíveis sustentáveis de aviação.
A companhia também aprovou um projeto de aproximadamente US$ 1,2 bilhão na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, São Paulo, para construir uma planta dedicada à produção de bioquerosene de aviação e diesel 100% renovável.
A instalação terá capacidade para produzir até 15 mil barris por dia de combustíveis renováveis e, de acordo com a Petrobras, deverá entrar em operação em 2030.
Além disso, o Plano de Negócios da estatal prevê adaptações na Refinaria Gabriel Passos, em Minas Gerais, e na Refinaria de Paulínia, em São Paulo, para ampliar a produção de SAF por coprocessamento.
A estratégia combina dois caminhos.
De um lado, a empresa aproveita refinarias e equipamentos existentes para adicionar matérias-primas renováveis aos processos tradicionais.
De outro, prepara unidades dedicadas capazes de produzir combustíveis com participação renovável ainda maior.
Refinaria de Duque de Caxias concentra US$ 4,6 bilhões
Inaugurada em setembro de 1961, a Reduc completou 65 anos de operação em 9 de setembro de 2026.
A refinaria ocupa uma área de 13 quilômetros quadrados e mantém um portfólio de mais de 40 produtos.
A Petrobras classifica a unidade como uma de suas instalações de refino mais complexas e diversificadas.
Os US$ 4,6 bilhões previstos para o ciclo 2026-2030 deverão financiar tanto projetos tradicionais de refino quanto iniciativas relacionadas à produção de combustíveis com conteúdo renovável.
Dentro desse pacote, os US$ 402 milhões destinados a SAF e Diesel R mostram que os biocombustíveis começam a ocupar uma parcela própria dos investimentos da unidade.
A mudança ocorre enquanto o mercado brasileiro de SAF deixa de depender apenas de projetos futuros.
No segundo trimestre de 2026, a Petrobras informou ter comercializado 6,1 mil metros cúbicos de combustível sustentável de aviação produzido por coprocessamento na Reduc com 1% de conteúdo renovável.
Com a certificação internacional, o primeiro lote de 3,8 milhões de litros e novos investimentos previstos até 2030, a Refinaria Duque de Caxias passa a integrar uma etapa em que o combustível sustentável para aviões começa a sair dos projetos experimentais e ganhar espaço dentro das operações industriais da Petrobras.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

