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Petrobras vendeu sua metade por R$ 24,7 milhões e, sete anos depois, gigante do óleo de palma no Pará aparece avaliada em R$ 1,3 bilhão em negociação que pode entregar o controle ao Opportunity

Petrobras vendeu sua metade por R$ 24,7 milhões e, sete anos depois, gigante do óleo de palma no Pará aparece avaliada em R$ 1,3 bilhão em negociação que pode entregar o controle ao Opportunity

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Petrobras vendeu sua metade por R$ 24,7 milhões e, sete anos depois, gigante do óleo de palma no Pará aparece avaliada em R$ 1,3 bilhão em negociação que pode entregar o controle ao Opportunity

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 21/10/2026 às 19:30

Atualizado em 21/10/2026 às 19:35

Biocombustíveis Renováveis

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Gestora negocia assumir o comando de uma das grandes produtoras brasileiras de óleo de palma, enquanto a portuguesa Galp prepara sua saída do negócio

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Gestora negocia assumir o comando de uma das grandes produtoras brasileiras de óleo de palma, enquanto a portuguesa Galp prepara sua saída do negócio

A gestora brasileira Opportunity está avançando para assumir o controle exclusivo da Belém Bioenergia Brasil (BBB), uma das grandes produtoras de óleo de palma do país. A negociação envolve a compra da participação pertencente à portuguesa Galp em uma companhia com operações industriais e agrícolas no Pará e avaliação estimada em aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

A operação, divulgada em outubro de 2026, foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ainda depende de aprovação. O negócio chama atenção pela trajetória da empresa, fundada em parceria com a Petrobras, que vendeu sua participação de 50% em 2019 por R$ 24,7 milhões.

Opportunity já possui participação importante e pretende assumir o controle exclusivo

Segundo informações publicadas pela MegaWhat, o Opportunity Dinâmico Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia apresentou ao Cade a aquisição da totalidade das ações pertencentes à Galp Bioenergy na Belém Bioenergia.

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A gestora já divide o controle da companhia com o grupo português. A nova operação busca concentrar as decisões estratégicas sob um único controlador, simplificando a governança e permitindo maior agilidade administrativa.

Para a Galp, a venda representa a saída de um investimento considerado não estratégico. A companhia portuguesa pretende direcionar seus recursos para atividades prioritárias do setor energético.

Estrutura industrial ilustra o processamento de óleo de palma, matéria-prima utilizada nos setores alimentício, de cosméticos e de biocombustíveis. O setor ganha destaque com a negociação envolvendo a Belém Bioenergia Brasil e o Opportunity. Foto: Divulgação

Documentos da CVM revelam avaliação bilionária da empresa

O tamanho financeiro da negociação aparece nos registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em documentação disponibilizada em julho de 2026, o Opportunity declarou uma posição em ações da Belém Bioenergia avaliada em R$ 524,6 milhões, correspondente a aproximadamente 38,34% do capital da companhia.

Considerando essa participação, a avaliação implícita da empresa chega a aproximadamente R$ 1,37 bilhão. Trata-se de uma estimativa baseada no valor registrado pelo fundo, e não de um preço confirmado para a transação.

A participação da Galp corresponde a aproximadamente metade das ações. Caso a aquisição seja concluída nos termos divulgados, o Opportunity passará a deter cerca de 88% do capital, mantendo outro acionista minoritário.

Petrobras saiu do negócio por R$ 24,7 milhões em 2019

A história da Belém Bioenergia começou em 2011, quando Petrobras Biocombustíveis e Galp constituíram uma sociedade para produzir óleo vegetal e desenvolver uma cadeia vinculada aos biocombustíveis.

O projeto enfrentou dificuldades financeiras e atrasos industriais. Em novembro de 2019, a Petrobras concluiu a venda de seus 50% à parceira portuguesa por R$ 24,7 milhões, como parte de sua estratégia de concentração de investimentos em petróleo e gás.

A negociação despertou questionamentos sobre o valor recebido pela estatal. O Tribunal de Contas da União analisou posteriormente o processo, mas considerou improcedente a representação sobre possíveis irregularidades na venda, conforme o Acórdão 58/2022.

A comparação entre os R$ 24,7 milhões de 2019 e a avaliação bilionária atual exige cautela: os valores envolvem participações diferentes, períodos distintos e uma companhia que passou por reorganizações societárias e expansão operacional.

Empresa reúne milhares de hectares e unidades industriais no Pará

A Belém Bioenergia mantém operações principalmente em Tailândia e Tomé-Açu, além de atividades relacionadas à região de Moju.

Segundo informações institucionais, seus plantios próprios e de parceiros familiares ultrapassam 40 mil hectares. A estrutura inclui duas unidades de extração de óleo de palma e palmiste, além de instalações de refino em Tailândia.

A empresa atende indústrias alimentícias, fabricantes de cosméticos e segmentos ligados aos biocombustíveis. Seus produtos incluem óleos brutos, refinados e derivados obtidos do processamento dos frutos da palma.

O relatório de agricultura familiar referente a 2025 registra 776 produtores ativos, distribuídos por 11 municípios e vinculados a aproximadamente 10,5 mil hectares dentro desse programa.

Apesar do porte bilionário, balanço revelou queda nas receitas

Os resultados financeiros mostram que o tamanho do negócio não elimina seus desafios.

Conforme o balanço publicado no Diário Oficial do Pará, a receita líquida da companhia caiu de R$ 1,073 bilhão em 2023 para R$ 758 milhões em 2024.

A administração relacionou a queda aos efeitos de condições climáticas adversas sobre a produção. A empresa também registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 231 milhões em 2024, em um exercício marcado por despesas tributárias relevantes.

Esses números demonstram que a negociação envolve um negócio de grande porte, mas também exposto a riscos agrícolas, financeiros e tributários.

Mercado de óleo de palma ganha importância na transição energética

Colheita de frutos de palma em plantação de dendê. O óleo extraído é utilizado pelas indústrias alimentícia, de cosméticos e de biocombustíveis, ganhando importância na transição energética brasileira. Foto: Divulgação.

A movimentação ocorre em um momento de crescente interesse pelo óleo de palma como matéria-prima industrial e potencial insumo para combustíveis avançados.

Em julho de 2026, o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma, Victor Almeida, também ligado à direção da BBB, afirmou à Reuters que o Brasil possui condições de expandir significativamente essa cultura em áreas anteriormente desmatadas.

A perspectiva inclui atender à indústria nacional e desenvolver cadeias de combustíveis sustentáveis, como o SAF utilizado na aviação. Entretanto, esse potencial não significa que a Belém Bioenergia já produza esses combustíveis em escala comercial.

Cade terá a palavra final sobre a mudança de controle

A aquisição poderá representar uma mudança importante na estrutura de comando de uma das principais empresas brasileiras do setor.

O movimento ocorre no mesmo ano em que o grupo colombiano Daabon concluiu a compra das operações paraenses da Agropalma, evidenciando o interesse de investidores pelos ativos brasileiros de óleo vegetal.

Por enquanto, o valor efetivamente negociado entre Opportunity e Galp permanece desconhecido. A conclusão da operação depende da análise concorrencial e do cumprimento das condições previstas pelas partes.

Se receber autorização, o Opportunity ampliará seu controle sobre uma cadeia agroindustrial que conecta o cultivo de palma na Amazônia às indústrias brasileiras de alimentos, cosméticos e energia.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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