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Petróleo e gás concentram 80% das exportações do Rio de Janeiro enquanto Índia triplica compras e vendas aos Estados Unidos caem pela metade

Petróleo e gás concentram 80% das exportações do Rio de Janeiro enquanto Índia triplica compras e vendas aos Estados Unidos caem pela metade

RJ

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Petróleo e gás concentram 80% das exportações do Rio de Janeiro enquanto Índia triplica compras e vendas aos Estados Unidos caem pela metade

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 22/10/2026 às 14:36

Atualizado em 22/10/2026 às 14:37

Petróleo e Gás

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Petróleo e gás movimentam US$ 30,5 bilhões no Rio de Janeiro em oito meses, com alta de 207% nas vendas à Índia e queda de 50% aos EUA.

O petróleo extraído das bacias brasileiras continua atravessando o oceano em direção às refinarias asiáticas, mas os destinos dessas cargas estão mudando rapidamente. Enquanto a China amplia suas compras e a Índia mais que triplica os valores adquiridos, os Estados Unidos reduzem pela metade suas importações de petróleo fluminense. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em levantamento divulgado em 20 de outubro de 2026, as exportações de petróleo e gás natural do estado movimentaram US$ 30,5 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2025.

O setor respondeu por aproximadamente 80% de tudo o que o Rio de Janeiro vendeu ao exterior, em um movimento que também expõe a crescente concentração das receitas comerciais estaduais na indústria petrolífera.

Exportações do Rio de Janeiro alcançam US$ 38,3 bilhões com avanço da indústria petrolífera

Nos primeiros oito meses de 2026, as empresas fluminenses exportaram US$ 38,3 bilhões em mercadorias, valor 20% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

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Desse montante, US$ 30,5 bilhões vieram das atividades ligadas ao petróleo e ao gás natural. Os números mostram que, de cada US$ 100 exportados pelo estado, aproximadamente US$ 80 estavam relacionados ao setor energético.

A expansão das vendas também ajudou o Rio de Janeiro a manter sua posição entre os principais estados brasileiros no comércio internacional.

Ao considerar exportações e importações, a movimentação comercial fluminense alcançou US$ 54,8 bilhões, equivalente a aproximadamente 12% da corrente de comércio brasileira no período.

China compra US$ 16,9 bilhões em petróleo e amplia embarques em 51%

A China continua sendo o principal destino do petróleo bruto exportado pelo Rio de Janeiro. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas fluminenses ao mercado chinês chegaram a US$ 16,9 bilhões, crescimento de 51% em relação ao mesmo período de 2025.

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O país asiático possui uma grande estrutura de refino, responsável por transformar petróleo bruto em gasolina, diesel e outros derivados.

Para abastecer essas instalações, empresas chinesas compram petróleo de diversos fornecedores internacionais, incluindo o Brasil.

O crescimento das vendas fluminenses reforça essa relação comercial, mas também aumenta a exposição das receitas estaduais às decisões de compra de um único mercado.

Mudanças na demanda chinesa, nos preços internacionais ou nas condições de transporte podem alterar o valor das exportações brasileiras.

Índia aumenta compras em 207% e se torna destaque no avanço das vendas

O crescimento mais acelerado ocorreu nas operações com a Índia. As exportações fluminenses de petróleo bruto para o país alcançaram US$ 2,7 bilhões nos oito primeiros meses do ano.

O valor representa um aumento de 207% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Na prática, as compras indianas mais que triplicaram em termos financeiros.

A Índia possui um grande parque de refinarias e participa ativamente do comércio internacional de petróleo.

O avanço das compras brasileiras ocorre em meio a mudanças nos fluxos mundiais de fornecimento do combustível.

Estados Unidos reduzem pela metade as compras de petróleo fluminense

Enquanto os compradores asiáticos ampliaram os negócios, as exportações de petróleo bruto do Rio de Janeiro para os Estados Unidos seguiram na direção contrária.

Os embarques destinados ao mercado americano recuaram 50% entre janeiro e agosto de 2026. Com isso, o valor exportado ficou em aproximadamente US$ 1,3 bilhão.

A diferença contrasta com o crescimento observado nas vendas à China e à Índia.

O recuo não significa que os Estados Unidos tenham deixado de comprar petróleo brasileiro. O levantamento mostra uma redução expressiva no valor das operações realizadas a partir do Rio de Janeiro.

Também não permite atribuir toda a queda a uma única causa, como tarifas comerciais, mudanças políticas ou decisões de refinarias americanas.

Pré-sal brasileiro sustenta uma produção que já supera 4,6 milhões de barris diários

O crescimento do comércio internacional acontece enquanto a produção de petróleo no Brasil continua avançando.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país produziu 4,615 milhões de barris de petróleo por dia em agosto de 2026. O resultado representa crescimento de 18,4% diante do mesmo mês de 2025.

Quando o gás natural entra na conta, a produção nacional alcança 6,002 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

O pré-sal respondeu por 82,6% desse total, com participação de 203 poços produtores. No campo de Búzios, localizado na Bacia de Santos, a extração chegou a 1,172 milhão de barris diários de petróleo.

Esses números são nacionais e ajudam a explicar a escala da indústria que abastece o mercado interno e as exportações.

Rio também aumenta importação de petróleo e compra US$ 1,4 bilhão da Arábia Saudita

Mesmo com exportações elevadas, o Rio de Janeiro continua comprando petróleo de fornecedores estrangeiros.

Entre janeiro e agosto, essas importações somaram US$ 1,9 bilhão, aumento de 24% diante do mesmo período de 2025.

A Arábia Saudita foi a principal origem das compras. O país respondeu por aproximadamente US$ 1,4 bilhão, equivalente a 72% do petróleo importado pelo estado. O crescimento das compras de petróleo saudita chegou a 17%.

Exportar grandes quantidades de óleo bruto e importar petróleo de outros países não é necessariamente uma contradição.

As refinarias utilizam diferentes tipos de petróleo para produzir combustíveis, dependendo das características das instalações e das matérias-primas disponíveis.

Estados Unidos continuam liderando compras de produtos fluminenses fora do petróleo

A queda nas compras americanas de petróleo não se repetiu da mesma maneira nos demais produtos exportados pelo estado.

Excluindo o setor petrolífero, as exportações do Rio alcançaram US$ 7,8 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 22%.

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Os Estados Unidos permaneceram como principal destino desse grupo de mercadorias.

As vendas fluminenses ao mercado americano, sem considerar petróleo, chegaram a US$ 2,7 bilhões, equivalentes a 34% dessas exportações. O resultado evidencia uma diferença importante nas relações comerciais.

Enquanto o petróleo fluminense ganha força entre compradores asiáticos, o mercado americano continua relevante para outros segmentos da indústria estadual.

Dependência do petróleo mantém indústria do Rio exposta ao mercado internacional

O crescimento do comércio petrolífero ocorre em um cenário no qual diferentes segmentos industriais apresentam dificuldades.

Em outubro, a Firjan informou que a produção industrial brasileira havia avançado apenas 0,8% no acumulado de janeiro a agosto. A indústria extrativa cresceu 6,1%, enquanto a indústria de transformação registrou retração de 0,1%.

No Rio de Janeiro, a elevada participação do petróleo nas exportações amplia o peso das decisões tomadas por compradores internacionais sobre as receitas comerciais do estado.

Os próximos resultados dependerão das condições de produção, dos preços do barril e das encomendas realizadas por mercados como China, Índia e Estados Unidos.

O levantamento divulgado em outubro já registra uma mudança: a Índia ampliou as compras em 207%, a China avançou 51% e os Estados Unidos reduziram seus embarques em 50%.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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