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PF investiga suspeita de compra de votos após apreender R$ 30 mil e material de campanha de Tadeu Hassem

PF investiga suspeita de compra de votos após apreender R$ 30 mil e material de campanha de Tadeu Hassem

Foto Montagem Ecos da Notícia

A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar uma suspeita de corrupção eleitoral em Sena Madureira, no interior do Acre, após apreender R$ 30.652 em dinheiro e materiais de campanha do deputado estadual Tadeu Hassem (Republicanos), reeleito nas Eleições 2026 com 8.598 votos, correspondentes a 1,82% dos votos válidos no estado. O procedimento foi distribuído ao 2º Juízo das Garantias do Núcleo I do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) nesta sexta-feira (16).

De acordo com a documentação, a ocorrência foi registrada em 3 de outubro, após a Polícia Federal receber uma denúncia anônima sobre uma possível compra de votos no estabelecimento conhecido como Nego Barbearia, em Sena Madureira.

Foto: Cleverton Oliveira da Silva, proprietário da barbearia onde o dinheiro foi apreendido I Ecos da Notícia/reprodução

Durante a diligência, os policiais encontraram R$ 7.600 no bolso de Cleverton Oliveira da Silva, responsável pelo estabelecimento, e outros R$ 23.052 em uma gaveta. No local, também foram apreendidos 56 santinhos e 180 adesivos de propaganda eleitoral vinculados a Tadeu Hassem, além de um celular. A quantia total de R$ 30.652 foi posteriormente depositada em uma conta judicial vinculada ao procedimento.

Dinheiro seria destinado a negócios particulares, afirma investigado

Em depoimento à Polícia Federal, Cleverton apresentou explicações distintas para as duas parcelas do dinheiro apreendido. Sobre os R$ 7.600 encontrados em seu bolso, ele afirmou que o valor era proveniente da movimentação financeira de duas barbearias e seria utilizado para pagar profissionais que trabalham nos estabelecimentos.

Em relação aos R$ 23.052 encontrados na gaveta, declarou que R$ 20 mil pertenciam a um primo, Moacyr Eduardo Silva, que teria solicitado ajuda para movimentar e sacar o dinheiro destinado à compra de gado. Os outros R$ 3 mil, segundo ele, pertenciam a um funcionário que teria deixado a quantia sob sua guarda antes de viajar. Cleverton também declarou que obteve os materiais de campanha de pessoas ligadas à família de Tadeu Hassem, com quem afirmou manter uma relação de amizade.

A Polícia Federal, porém, apontou a necessidade de verificar documentalmente essas explicações. Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão as movimentações bancárias, os saques realizados por terceiros, a alegada negociação de gado, a origem dos valores atribuídos ao funcionário e a procedência do material eleitoral.

Prisão em flagrante não foi ratificada

Após a ocorrência, o delegado responsável pela análise inicial decidiu não ratificar a prisão em flagrante de Cleverton e determinou sua liberação, caso não houvesse outro motivo legal para mantê-lo preso.

No despacho, a autoridade policial destacou que não havia sido constatada oferta, promessa ou entrega de vantagem a eleitores. Também não tinham sido identificadas pessoas supostamente beneficiadas nem apresentados, naquele momento, relatos, mensagens, listas ou outros elementos que relacionassem concretamente o dinheiro à finalidade de compra de votos.

Em despacho posterior, no entanto, a Polícia Federal apontou elementos que justificavam o aprofundamento das investigações, incluindo a localização de parte do dinheiro junto ao material de campanha e as dúvidas ainda existentes sobre a origem e a destinação dos valores.

O inquérito foi instaurado para apurar possível corrupção eleitoral, prevista no artigo 299 do Código Eleitoral, que trata, entre outras condutas, de dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber vantagem com a finalidade de obter voto ou conseguir abstenção.

Deputado é citado por causa de material de campanha

Tadeu Hassem aparece nos documentos porque os santinhos e adesivos apreendidos no estabelecimento estavam vinculados à sua campanha de reeleição. Entretanto, a documentação analisada identifica Cleverton Oliveira da Silva como investigado e não apresenta comprovação de que o deputado tenha participado de eventual negociação de votos ou determinado a destinação do dinheiro apreendido.

O caso segue em fase de investigação, sem conclusão definitiva sobre a origem do dinheiro ou a eventual prática de crime eleitoral.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Redação Ecos da Notícia.

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