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Picapes ganham espaço na Argentina mesmo com queda de 12,6% nas vendas de veículos; Hilux lidera e Ranger mantém segunda posição

Picapes ganham espaço na Argentina mesmo com queda de 12,6% nas vendas de veículos; Hilux lidera e Ranger mantém segunda posição

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Picapes ganham espaço na Argentina mesmo com queda de 12,6% nas vendas de veículos; Hilux lidera e Ranger mantém segunda posição

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 14/10/2026 às 21:10

Atualizado em 14/10/2026 às 21:30

Imagem: Reprodução Seu Carro Ousado.

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Dados de setembro de 2026 mostram retração do mercado argentino, mas revelam um desempenho diferente entre as caminhonetes médias e os automóveis de passeio.

As vendas de veículos novos na Argentina recuaram 12,6% em setembro de 2026, mas três picapes continuaram entre os quatro modelos mais procurados do país. Segundo reportagem do Motor1 Brasil, publicada em 1º de outubro, com dados da Associação de Concessionárias de Automotores da República Argentina (Acara), o mercado registrou 46.717 emplacamentos no mês. Enquanto isso, a Toyota Hilux aumentou suas vendas em 21,1% e manteve a liderança, seguida pela Ford Ranger.

O contraste merece atenção porque as picapes também ocupam um papel importante na indústria automotiva brasileira. Toyota Hilux, Ford Ranger e Volkswagen Amarok saem de fábricas argentinas e chegam às concessionárias do Brasil. Portanto, acompanhar o desempenho desses modelos ajuda a entender parte da dinâmica industrial entre os dois países.

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Os números também revelam que a retração não atingiu todos os veículos da mesma maneira. Enquanto alguns automóveis e SUVs perderam compradores, determinadas caminhonetes conseguiram preservar ou ampliar sua participação no mercado.

Hilux, Ranger e Amarok concentram mais de 15% das vendas argentinas

O resultado mais expressivo de setembro veio da Toyota Hilux. A picape registrou 3.036 emplacamentos, contra 2.507 no mesmo mês de 2025. Assim, alcançou crescimento de 21,1% e completou seis meses consecutivos na liderança entre os modelos.

A Ford Ranger terminou o período na segunda posição, com 2.221 unidades. Embora tenha registrado uma pequena queda de 0,4% na comparação anual, a caminhonete manteve um volume próximo ao do ano anterior.

Já a Volkswagen Amarok ocupou o quarto lugar, com 1.970 veículos vendidos. Nesse caso, a retração chegou a 2,8%, percentual inferior à queda de 12,6% do mercado argentino.

Juntas, Hilux, Ranger e Amarok somaram 7.227 emplacamentos. Isso representa aproximadamente 15,5% de todos os veículos novos comercializados na Argentina durante setembro.

Além disso, as três picapes ampliaram sua participação conjunta em relação ao mesmo mês de 2025. Naquele período, os modelos somaram 6.763 unidades, equivalentes a cerca de 12,7% do mercado. Portanto, o grupo ganhou aproximadamente 2,8 pontos percentuais de participação em um ano.

Esse avanço relativo não significa que todas as caminhonetes cresceram em vendas. Na realidade, a Hilux apresentou o principal aumento, enquanto Ranger e Amarok registraram pequenas quedas. Ainda assim, as duas perderam menos espaço que o mercado como um todo.

No Brasil, esses modelos também disputam consumidores que procuram veículos para trabalho e uso pessoal. Em uma análise publicada no CPG, Roberta Souza comparou Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Fiat Titano, considerando características como desempenho, conforto e custo-benefício.

Queda nas vendas já provoca ajustes nas fábricas da Argentina

Apesar da resistência de algumas picapes, o mercado automotivo argentino enfrenta dificuldades. Setembro marcou o sexto mês consecutivo de queda nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.

As concessionárias comercializaram 46.717 veículos novos, enquanto setembro de 2025 registrou 53.446 unidades. A diferença corresponde a 6.729 veículos a menos em um ano.

Entretanto, a comparação com agosto apresenta um resultado diferente. Naquele mês, o mercado havia registrado 42.327 emplacamentos. Dessa forma, setembro apresentou recuperação mensal de 10,4%.

O crescimento de um mês para outro, porém, não foi suficiente para reverter a retração acumulada. Entre janeiro e setembro de 2026, a Argentina comercializou 409.791 veículos, diante de 474.273 unidades no mesmo intervalo de 2025.

Portanto, o país acumulou uma redução de 13,6% nas vendas de veículos novos durante os nove primeiros meses do ano.

O enfraquecimento da demanda também aparece na atividade industrial. Conforme o Motor1, a produção argentina de veículos caiu 18,3% no primeiro semestre de 2026.

Além disso, fabricantes começaram a ajustar o ritmo das linhas de montagem. A Stellantis reduziu a produção de Peugeot 208 e 2008 na unidade de El Palomar. A empresa também eliminou um dos dois turnos de fabricação das picapes Fiat Titano e Ram Dakota em Ferreyra.

A Ford, por sua vez, diminuiu o ritmo de produção da Ranger em General Pacheco. O ajuste ocorreu mesmo com a caminhonete mantendo a segunda colocação entre os veículos mais vendidos do país.

Essas decisões mostram que um modelo pode apresentar bom desempenho comercial e, ainda assim, sofrer ajustes de produção. Afinal, as fábricas também dependem das exportações e das perspectivas de demanda nos mercados atendidos.

Toyota mantém liderança entre as marcas, mas Fiat supera Volkswagen

O ranking das fabricantes apresenta outra mudança importante. A Toyota permaneceu na primeira posição, com 7.820 veículos vendidos em setembro e participação de 16,7% no mercado argentino.

Imagem gerada por Inteligência Artificial para ilustrar o ranking das 10 marcas de veículos mais vendidas em setembro de 2026, com comparação ao mesmo período de 2025. A tabela apresenta o volume de vendas, a participação de mercado e a variação percentual de cada fabricante, destacando a liderança da Toyota e o crescimento expressivo da BYD.

Apesar da liderança pelo sétimo mês consecutivo, a montadora japonesa registrou queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.

A Fiat assumiu a segunda colocação, com 5.447 emplacamentos. A Volkswagen apareceu logo depois, com 5.321 unidades.

Entretanto, as duas fabricantes apresentaram resultados diferentes na comparação anual. Enquanto a Fiat recuou 12,4%, a Volkswagen perdeu 33,7% de suas vendas.

Com isso, a participação da marca alemã caiu de 15% para 11,4% do mercado. A Fiat, por outro lado, manteve uma fatia próxima à registrada no ano anterior.

A Ford terminou setembro na quarta posição, com 4.997 veículos. Sua queda de 6,3% ficou abaixo da retração geral do mercado, o que permitiu à fabricante ampliar sua participação de 10% para 10,7%.

Já a Peugeot registrou uma das maiores perdas entre as dez primeiras marcas. A fabricante comercializou 2.433 veículos, redução de 39,2% na comparação anual.

Os números indicam que a posição de uma montadora no ranking não depende apenas do volume absoluto de vendas. Também importa observar quanto cada fabricante consegue preservar de sua participação durante períodos de retração.

No caso da Toyota, a Hilux continua sendo um produto relevante para suas operações regionais. O CPG também abordou os planos industriais da empresa na Argentina. Em reportagem de Roberta Souza, a montadora avaliava um investimento de aproximadamente R$ 6,7 bilhões em Zárate, associado a novos veículos eletrificados.

Entretanto, a possível ampliação dos investimentos depende das decisões da fabricante e não pode ser considerada uma consequência direta dos resultados de setembro.

Ranking de setembro mostra Ford Territory à frente de outros SUVs

Entre os veículos de passeio, o Ford Territory apresentou um resultado relevante. O SUV registrou 1.975 emplacamentos e terminou setembro na terceira posição geral.

Embora tenha vendido 2,4% menos que no mesmo mês de 2025, o Territory manteve desempenho superior ao de diversos concorrentes que enfrentaram quedas mais intensas.

O Fiat Cronos apareceu na quinta colocação, com 1.702 unidades. Em seguida vieram Toyota Yaris Cross, Peugeot 208, Toyota Corolla Cross, Volkswagen Tera e Chevrolet Onix.

Confira os dez modelos mais vendidos na Argentina em setembro de 2026, segundo os dados da Acara apresentados pelo Motor1 Brasil:

  1. Toyota Hilux: 3.036 unidades;
  2. Ford Ranger: 2.221 unidades;
  3. Ford Territory: 1.975 unidades;
  4. Volkswagen Amarok: 1.970 unidades;
  5. Fiat Cronos: 1.702 unidades;
  6. Toyota Yaris Cross: 1.549 unidades;
  7. Peugeot 208: 1.181 unidades;
  8. Toyota Corolla Cross: 1.133 unidades;
  9. Volkswagen Tera: 1.120 unidades;
  10. Chevrolet Onix: 1.106 unidades.

O ranking mostra que o mercado argentino apresenta diferenças importantes entre os segmentos. Enquanto as caminhonetes médias concentraram três das quatro primeiras posições, o Territory liderou entre os SUVs e crossovers.

Além disso, o Volkswagen Tera registrou crescimento de 7,5% na comparação anual. Já o Peugeot 208 perdeu 32,4% de suas vendas, enquanto o Corolla Cross recuou 33,3%.

Essas diferenças reforçam a necessidade de analisar os resultados por modelo, em vez de considerar que todas as categorias acompanharam a queda geral do mercado.

BYD chega à nona posição e amplia presença no mercado argentino

Enquanto várias fabricantes tradicionais perderam volume, a BYD apresentou uma trajetória diferente.

A montadora chinesa registrou 1.584 veículos vendidos em setembro de 2026, alcançando aproximadamente 3,4% do mercado argentino.

O resultado garantiu à empresa a nona posição entre as marcas, apenas 13 unidades atrás da Citroën.

Em setembro de 2025, a BYD havia registrado somente 18 veículos. Por isso, a variação de 8.700% precisa ser interpretada com cautela, pois utiliza uma base de comparação muito pequena.

Mais importante que a variação percentual é o volume alcançado pela fabricante em setembro de 2026. Afinal, a empresa passou a disputar posições com marcas que possuem presença consolidada na região.

Entre seus modelos, o BYD Dolphin Mini somou 495 emplacamentos e ocupou a 28ª posição do ranking argentino.

A expansão das fabricantes chinesas também desperta interesse no Brasil. Em outra reportagem do CPG, Roberta Souza apresentou os planos para o Omoda 4 híbrido de 224 cv no mercado brasileiro, mostrando a movimentação de novas marcas no segmento de SUVs.

Entretanto, os resultados da BYD na Argentina não permitem prever o desempenho de outras fabricantes chinesas no Brasil. Cada mercado possui características próprias de preços, distribuição e preferência dos consumidores.

O que a retração argentina pode significar para as montadoras que atuam no Brasil?

Os números de setembro também interessam à indústria brasileira porque Argentina e Brasil mantêm uma relação importante na fabricação e comercialização de veículos.

Parte dessa integração aparece justamente nas picapes médias. Toyota Hilux, Ford Ranger e Volkswagen Amarok possuem produção argentina e abastecem diferentes mercados da região, incluindo o brasileiro.

Além disso, as montadoras organizam suas operações considerando tanto a demanda doméstica quanto as exportações. Por esse motivo, mudanças nas vendas de um país podem influenciar o planejamento industrial do outro.

Segundo o Motor1, a demanda regional mais fraca e as exportações abaixo do esperado para o Brasil contribuíram para ajustes nas fábricas argentinas durante 2026.

Entretanto, a queda de 12,6% nas vendas argentinas não significa que os preços das picapes aumentarão ou diminuirão automaticamente no Brasil.

Os valores praticados pelas concessionárias brasileiras dependem de fatores como câmbio, impostos, custos de produção, disponibilidade de veículos e estratégias comerciais das fabricantes.

Também não é possível afirmar, apenas com os dados de setembro, que o crescimento da Hilux continuará nos meses seguintes.

O resultado revela, porém, uma diferença importante no comportamento do mercado. Enquanto as vendas totais recuaram, as três principais picapes médias conseguiram ampliar sua participação conjunta.

Para as montadoras, esse desempenho reforça a relevância comercial das caminhonetes produzidas na Argentina. Ao mesmo tempo, os ajustes nas fábricas mostram que bons resultados individuais não eliminam os desafios enfrentados pela indústria.

Nos próximos meses, a evolução das vendas internas e das exportações ajudará a indicar se o mercado argentino conseguirá interromper a sequência de quedas registrada em 2026.

Fonte: Motor1 Brasil, reportagem de Thiago Parísio publicada em 1º de outubro de 2026, com dados da Associação de Concessionárias de Automotores da República Argentina (Acara).

Fonte

Motor1 UOL


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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