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Planta piloto na Bahia vai testar resíduos e novas matérias-primas para o biodiesel: Binatural cria a Binatech, mas ainda sem valor investido nem prazo para o primeiro produto

Planta piloto na Bahia vai testar resíduos e novas matérias-primas para o biodiesel: Binatural cria a Binatech, mas ainda sem valor investido nem prazo para o primeiro produto

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Planta piloto na Bahia vai testar resíduos e novas matérias-primas para o biodiesel: Binatural cria a Binatech, mas ainda sem valor investido nem prazo para o primeiro produto

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 09/10/2026 às 11:05

Biocombustíveis Renováveis

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Foto: Divulgação/Binatural

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A fabricante de biodiesel abriu uma empresa só de pesquisa e montou uma planta de testes na usina de Simões Filho. Veja o que vai ser estudado, por que isso pesa na mistura do diesel e o que falta a empresa contar.

A Binatural criou a Binatech, uma empresa separada que vai cuidar só de pesquisa, desenvolvimento e inovação em biodiesel. O anúncio está no release oficial da Binatural, publicado em 7 de outubro de 2026.

Junto com a nova empresa vem uma planta piloto de testes instalada na unidade industrial de Simões Filho, na Bahia. A ideia é testar ali, em escala pequena, o que depois pode ir para a linha de produção.

A notícia repercutiu nesta quinta-feira (9) na Agência Cenário Energia, que descreve a Binatech como uma spin-off voltada integralmente a P&D.

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O que a Binatech vai pesquisar no biodiesel?

São quatro frentes, todas listadas no release. A primeira é entender melhor as características e o desempenho do biodiesel. A segunda é criar diferenciais que deixem o produto mais competitivo.

A terceira frente procura novas aplicações para o combustível. A quarta, que a empresa trata como prioridade, é diversificar as matérias-primas usadas na fabricação.

A Cenário Energia acrescenta um detalhe técnico: o estudo vai olhar as características físico-químicas do biodiesel, simular rotas de produção e mapear insumos alternativos, com o objetivo declarado de reduzir gargalos de suprimento.

Por que a planta piloto fica dentro da usina?

A lógica é encurtar a distância entre o laboratório e a fábrica. Uma planta piloto roda processos em volume pequeno, o bastante para provar se uma receita funciona antes de arriscar um tanque inteiro de produção.

No release, o CEO André Lavor resume a aposta: “Uma coisa é desenvolver conhecimento; outra é conseguir aproximá-lo da realidade da indústria”. A planta, diz ele no mesmo comunicado, permite pesquisar e testar dentro de um ambiente ligado à operação.

Na prática, um problema que aparece na linha de produção vira tema de estudo sem sair do terreno. É o caminho inverso do mais comum, em que o estudo nasce longe da usina e demora a chegar nela.

Quais matérias-primas a Binatech quer testar?

O release não lista nomes de plantas ou de resíduos. Fala em aproveitar a diversidade da produção agropecuária brasileira, resíduos e outras fontes de óleos e gorduras, respeitando a vocação de cada região.

A Binatural já trabalha fora do padrão do setor nas matérias-primas. Em 2023, Lavor disse ao AgFeed que o mercado costuma usar 70% de óleo de soja e que a empresa fazia o oposto, com 30% de soja.

O resto vinha de gordura animal e óleo de cozinha reciclado, entre outras matérias-primas.

Esse número tem quase três anos. A empresa não informou no release se a proporção mudou.

O que muda com a nova empresa é o método. Em vez de comprar o insumo que aparece mais barato no mês, a Binatech promete medir tecnicamente o potencial de cada matéria-prima antes de levá-la para a produção de biodiesel em escala.

O que a pesquisa tem a ver com o diesel do posto?

Todo diesel vendido ao consumidor no Brasil leva biodiesel misturado por lei. A página de biodiesel da ANP registra que a mistura passou a 15% em 1º de agosto de 2025, pela Resolução CNPE nº 9/2025.

A Lei 14.993/2024, a do Combustível do Futuro, previa um ponto a mais por ano: 16% em março de 2026, 17% em março de 2027 e assim por diante até 20% em 2030.

Só que a mesma lei amarra qualquer percentual acima de 15% à comprovação de viabilidade técnica. E quem fixa o número é o Conselho Nacional de Política Energética, entre 13% e 25%.

A conta da distância é simples. Se a escada da lei tivesse andado, o diesel já teria 16% de biodiesel desde março. A meta de 2030, de 20%, fica 5 pontos percentuais acima do que a ANP registra hoje.

Em maio, o Poder360 informou que os testes para liberar o B16 começariam naquele mês, durariam pelo menos seis meses e que o aumento deveria ficar para 2027.

É aí que o estudo sobre desempenho do biodiesel ganha peso fora da empresa. Teste de motor, estabilidade e qualidade do produto é exatamente o tipo de prova que o governo cobra antes de subir a mistura.

O que a Binatural pensa sobre a mistura

Lavor tem lado nessa discussão. Em entrevista à eixos, em maio, ele afirmou que o Brasil tem condição técnica, industrial e de matéria-prima para chegar ao B20 e que o país já deveria estar no B17.

Na mesma reportagem, a eixos registra que a Binatural já fez testes com B30 na mineração e que os estudos oficiais de validação devem terminar no primeiro semestre de 2027.

Ou seja: a empresa que cria um braço técnico é a mesma que pressiona para o governo andar mais rápido. A Binatech pode virar fonte de dado técnico nesse debate, mas os resultados ainda não existem.

O que a Binatural ainda não contou

O release e a reportagem da Cenário Energia não trazem três informações que interessam a quem acompanha o setor de biodiesel:

O que faltaSituação em 9/10/2026Valor investido na Binatech e na planta pilotonão divulgadoData para a planta piloto rodar e para o primeiro produtonão divulgadaTamanho da equipe e parceiros de pesquisanão divulgados

O texto oficial fala em “investimento em uma planta piloto”, no passado. A Cenário Energia usa “implantação”, o que sugere obra ainda em andamento. Sem cronograma público, não dá para dizer qual das duas leituras vale.

Como a Binatural chegou até aqui

A empresa diz que cresceu em média 31,4% ao ano em receita líquida nos últimos cinco anos. O número está no release sobre o ranking Valor 1000, que coloca a Binatural entre as 400 maiores empresas do país.

Pelo mesmo ranking, ela ficou em 4º lugar no setor de bioenergia nesse indicador de crescimento. A capacidade citada ao AgFeed em 2023 era de 600 milhões de litros por ano, somando as usinas.

A Binatech nasce, portanto, de uma fabricante que quer continuar só no biodiesel. “Não queremos perder o foco que nos trouxe até aqui”, disse Lavor no comunicado da Binatech. O primeiro teste público dessa promessa será mostrar o que sai da planta piloto.

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Biodiesel


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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