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Porta-carros chinês de 7.800 vagas zarpa de Nanjing com 1.530 carros de nova energia, tem motor que também queima metanol e carga máxima 81% acima do recorde anterior do porto, rumo à Espanha e à Bélgica
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 13/10/2026 às 06:45
Atualizado em 13/10/2026 às 06:46
Indústria Naval
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O porta-carros CM Guang Zhou, primeiro de quatro irmãos a metanol, foi entregue em 10 de outubro e partiu no dia seguinte. A conta mostra o tamanho da carga e o elo com o carro chinês que o Brasil importa.
O porta-carros chinês CM Guang Zhou zarpou do porto de Nanjing na manhã de 11 de outubro. Levava 1.530 carros chineses de nova energia para Barcelona, na Espanha, e Zeebrugge, na Bélgica, informou a CCTV, emissora estatal da China. A viagem inaugura a rota Nanjing-Europa.
O navio foi entregue e batizado em 10 de outubro no estaleiro China Merchants Jinling, em Nanjing. A data vem do portal iMarine News, de 13 de outubro. Ele abre uma série de quatro porta-carros de 7.800 vagas a metanol. A encomenda é da China Merchants Energy Shipping (CMES), armadora do grupo estatal China Merchants, de acordo com a Deltamarin, escritório que projetou a série.
O que o CM Guang Zhou tem de diferente dos porta-carros comuns?
O casco tem 199,9 metros de comprimento e 37,7 metros de largura, segundo o iMarine News de 13 de outubro.
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A mesma fonte, na mesma data, lista 13 conveses de carros e 67.076 metros quadrados de área de carga.
O motor que alterna entre combustível convencional e metanol cumpre o Tier III, diz o iMarine News. É o nível mais rígido de emissões da Organização Marítima Internacional. A Shippax, revista do setor de navios de carros, descreveu em 19 de agosto o motor principal como um Everllence B&W 7S60ME-C. Ele tem sistemas para tratar os gases de escape.
O corte de mais de 70% nas emissões de gases de efeito estufa é uma projeção da armadora. Ela vale quando o navio abastece com metanol verde, segundo a Shippax de 19 de agosto. Atracado, o navio se liga à rede elétrica do cais e chega a zero carbono nessa fase, afirma a CMES, de acordo com o iMarine News.
Por que a rota direta de Nanjing até a Europa pesa para o carro chinês?
Pela CCTV, de 11 de outubro, os carros chineses saem de Nanjing direto para o mar. Não precisam ir antes a um grande porto da costa para transbordo. A emissora diz que isso reduz custos de transferência e de armazenagem.
A carga máxima do CM Guang Zhou supera em 81% a do maior porta-carros que o porto já havia recebido, informou o jornal Xinhua Daily em 11 de outubro.
Zhou Chibin, gerente-geral do terminal de automóveis Jiangsheng, do porto de Nanjing, falou ao jornal. Segundo ele, antes a montadora local precisava passar por um porto da costa ou esperar a data do navio. Agora o carro embarca perto de casa.
A nova linha é a terceira rota direta de porta-carros do porto para o comércio exterior, conta o China Transport News, de 11 de outubro.
Os números do porto vêm da CCTV, de 11 de outubro.
No ano passado, Nanjing exportou 13,9 mil carros. Nos nove primeiros meses deste ano, foram 29,1 mil, segundo a CCTV de 11 de outubro.
A conta feita aqui: 29.100 divididos por 13.900 dão 2,09. Em nove meses, o porto já despachou mais do dobro do ano anterior inteiro.
A viagem leva 5% do que o porto exportou em nove meses (1.530 divididos por 29.100). Os carros chineses ocupam cerca de um quinto das 7.800 vagas do navio (1.530 divididos por 7.800).
O CM Guang Zhou é o primeiro porta-carros a metanol do mundo?
Não é: o primeiro foi o CM Hong Kong, entregue à CMES em setembro de 2025, de acordo com a Marine Insight, site do setor naval. O navio da foto abaixo é maior que o de Nanjing.
Naquele mês, a Seatrade Maritime, revista do setor, informou em 19 de setembro que o CM Hong Kong tem 9.300 vagas e 219,9 metros.
A conta feita aqui: 219,9 menos 199,9 dão 20 metros a mais que o CM Guang Zhou.
A CMES encomendou seis porta-carros a metanol no total, dois de 9.300 vagas e quatro de 7.800, segundo a Marine Insight. O CM Guang Zhou abre a série menor. A Deltamarin lista as irmãs CM Wu Han, CM Shang Hai e CM Da Lian.
A Shippax informou em 19 de agosto que um segundo par de irmãs sai dos mesmos estaleiros ainda neste ano. Os quatro navios de 7.800 vagas devem estar entregues até o fim de 2026.
O que isso tem a ver com o carro chinês que chega ao Brasil?
O CM Guang Zhou vai para a Espanha e a Bélgica, não para o Brasil. A Shippax, de 19 de agosto, diz que os quatro navios reforçam a frota da CM RoRo num momento em que as exportações de carros novos da China estão em alta.
O Brasil está no mesmo movimento. O Vrum, em 10 de setembro, informou que 221 mil dos 406,7 mil veículos importados pelo país vieram da China. O período vai de janeiro a agosto. É mais da metade do total.
As compras de carros chineses cresceram 109,9% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Vrum, com dados da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos.
A conta feita aqui: 221 mil divididos por 406,7 mil dão 54%.
Outra conta: 221 mil divididos por 7.800 vagas dão cerca de 28 navios do tamanho do CM Guang Zhou. É só ordem de grandeza, para o que o Brasil trouxe da China em oito meses.
Os eletrificados responderam por 24,4% das vendas de agosto no Brasil. Os fabricados aqui são 39% desse total, segundo a Anfavea, citada pelo Vrum em 10 de setembro. O restante depende de importação. A China é a maior origem dos importados, e são carros chineses como os que lotam navios do tipo do de Nanjing.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

