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Porto de Cabedelo (PB) vai poder receber navios de 330 metros, 120 metros a mais que o limite de hoje, e entrar na rota dos cruzeiros com obra de R$ 71 milhões
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/10/2026 às 22:03
Atualizado em 25/10/2026 às 22:04
Logística e Transporte
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O Ministério de Portos e Aeroportos assinou na sexta (23) um aditivo que leva o investimento na dragagem do Porto de Cabedelo, na Paraíba, a R$ 71,15 milhões. O círculo onde os navios fazem a volta passa de 330 para 450 metros de diâmetro.
Hoje, o maior navio que consegue operar no Porto de Cabedelo, na Paraíba, tem 210 metros de comprimento. Depois da obra que ganhou mais dinheiro nesta semana, o limite sobe para 330 metros, e a lista passa a incluir navios de cruzeiro.
Na sexta-feira (23), o Ministério de Portos e Aeroportos assinou um aditivo de R$ 6,7 milhões ao Termo de Compromisso nº 003/2026, firmado com a Companhia Docas da Paraíba. Com isso, o investimento na dragagem e na derrocagem do canal interno e da bacia de evolução passa de R$ 64,45 milhões para R$ 71,15 milhões.
Por que um porto não recebe qualquer navio?
Porque o navio precisa de espaço para girar, e esse espaço tem nome: bacia de evolução. A bacia de evolução é a área usada nas manobras: é ali que a embarcação faz a volta para atracar e depois retornar ao mar aberto. No Porto de Cabedelo, esse círculo tem hoje 330 metros de diâmetro e vai passar a 450 metros.
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Os 120 metros a mais na bacia de evolução são, por coincidência, a mesma diferença entre o navio que entra hoje e o que vai poder entrar depois: de 210 para 330 metros. Em conta simples, o porto passa a aceitar embarcações 57% mais compridas que as atuais.
O serviço no canal e na bacia de evolução tem duas partes. A dragagem tira sedimentos do fundo. A derrocagem remove rochas que atrapalham a navegação.
Quem paga a conta?
Dos R$ 71,15 milhões, R$ 44,45 milhões saem do governo federal e R$ 26,70 milhões são a contrapartida do governo da Paraíba. Fazendo a conta, a União banca 62,5% da obra e o estado, 37,5%.
O aditivo representa um aumento de 10,4% sobre o valor anterior. Segundo o ministério, o dinheiro extra vem das cláusulas de reajuste do edital, que atualizam os valores do anteprojeto feito em abril de 2025 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH).
A licitação terminou em setembro de 2026, com a DTA Engenharia Ltda. como vencedora.
Quando os navios maiores chegam?
Os navios maiores não chegam em 2026. Pelo cronograma da Secretaria Nacional de Portos, os projetos básico e executivo começam a ser feitos em novembro de 2026. As intervenções no canal devem começar em março de 2027, com conclusão estimada para julho de 2027.
Há uma etapa que já ficou para trás. Uma dragagem anterior, paga com recursos do estado, aprofundou o calado do Porto de Cabedelo de 9 para 11 metros. Só que, sem uma bacia de evolução maior, os navios de cruzeiro continuavam fora do alcance. A obra nova fecha essa lacuna.
O que mais está previsto para Cabedelo?
O ministério também prevê estender o molhe de proteção do Porto de Cabedelo, com investimento estimado em R$ 40,43 milhões: R$ 30,43 milhões federais e R$ 10 milhões do estado. O molhe serve para dar estabilidade ao canal de acesso e reduzir o assoreamento, que é o acúmulo de areia que diminui a profundidade.
Somados, a dragagem e o molhe chegam a cerca de R$ 111,6 milhões, segundo o ministério. Para o molhe, o ministério não divulgou prazo.
“Preparamos o Porto de Cabedelo para receber navios maiores, ampliar sua capacidade operacional, conquistar novas cargas e alargar os caminhos marítimos para novas rotas comerciais e turísticas”, afirmou o diretor-presidente da Companhia Docas da Paraíba, Raniere Barbosa.
Quanto o porto movimenta hoje?
Em 2025, o Porto de Cabedelo movimentou cerca de 1,19 milhão de toneladas. As cargas principais são derivados de petróleo, coque de petróleo, trigo e malte. Nos dois primeiros meses de 2026, foram cerca de 240 mil toneladas, alta de 86,07% sobre o mesmo período de 2025.
O Porto de Cabedelo tem seis contratos de arrendamento em vigor, todos ligados à movimentação e à armazenagem de granéis líquidos e sólidos. Com navios maiores, cada viagem pode trazer mais carga, e a cidade ganha a chance de entrar nas rotas de cruzeiro do litoral nordestino.
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Porto de Cabedelo, Paraíba, navios de cruzeiro, dragagem, bacia de evolução, Companhia Docas da Paraíba, portos, infraestrutura
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

