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Poupança perde mais de R$ 85 bilhões em 2025 e revela por que brasileiros estão retirando dinheiro da caderneta mesmo com isenção de Imposto de Renda e proteção do FGC

Poupança perde mais de R$ 85 bilhões em 2025 e revela por que brasileiros estão retirando dinheiro da caderneta mesmo com isenção de Imposto de Renda e proteção do FGC

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Poupança perde mais de R$ 85 bilhões em 2025 e revela por que brasileiros estão retirando dinheiro da caderneta mesmo com isenção de Imposto de Renda e proteção do FGC

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 29/10/2026 às 17:55

Atualizado em 29/10/2026 às 18:04

Economia

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Poupança registra saída superior a R$ 85 bilhões em 2025. Entenda por que os brasileiros estão retirando dinheiro e quais fatores afetam o rendimento. (Imagem ilustrativa)

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Poupança registra saída superior a R$ 85 bilhões em 2025. Entenda por que os brasileiros estão retirando dinheiro e quais fatores afetam o rendimento.

A poupança terminou 2025 com mais de R$ 85 bilhões em saques líquidos no Brasil, segundo dados do Banco Central. Isso significa que, ao longo do ano, os brasileiros retiraram da caderneta mais dinheiro do que depositaram. O movimento ocorreu em um período de juros elevados, no qual outras aplicações de renda fixa passaram a oferecer possibilidades de ganhos maiores. Com essa diferença, manter o dinheiro guardado na poupança deixou de ser uma escolha tão vantajosa para parte dos investidores.

A caderneta ainda reúne características que ajudam a explicar sua popularidade, como a facilidade para sacar o dinheiro e a ausência de cobrança de Imposto de Renda para pessoas físicas. No entanto, essas vantagens não significam que ela ofereça sempre o melhor retorno. Dependendo do prazo e da finalidade do dinheiro, outras aplicações podem proporcionar resultados superiores, mesmo depois dos descontos previstos.

Poupança é isenta de Imposto de Renda, mas isso não garante o melhor rendimento

Não pagar imposto sobre o dinheiro investido parece, à primeira vista, uma vantagem difícil de superar. Mas, quando o assunto é rentabilidade, o que realmente importa é quanto sobra no bolso depois de todos os descontos. E é justamente nessa comparação que a poupança pode perder espaço para outras modalidades de investimento.

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Claudia Sa de Moura, professora formadora e mediadora do cluster de negócios dos cursos técnicos da UniCesumar, chama atenção para a importância de avaliar o rendimento líquido antes de decidir onde aplicar os recursos. Segundo a especialista, também é necessário considerar por quanto tempo o dinheiro ficará guardado e qual é o objetivo de cada investidor.

Em algumas aplicações de renda fixa, o Imposto de Renda segue uma tabela regressiva, com alíquotas que começam em 22,5% e podem cair para 15%, conforme o prazo do investimento. Ainda assim, existem alternativas que conseguem entregar ganhos superiores aos da poupança, com níveis de segurança equivalentes.

Na prática, isso significa que escolher uma aplicação apenas porque ela não cobra imposto pode não ser a melhor decisão. A comparação precisa levar em conta o valor que o investidor efetivamente receberá, e não somente as condições que parecem mais atraentes no primeiro momento.

Sacar o dinheiro antes da data certa pode fazer o investidor perder o rendimento do mês

Outro detalhe importante da poupança está na maneira como os rendimentos são pagos. Apesar de permitir movimentações com facilidade, a caderneta não funciona como aplicações que remuneram o dinheiro diariamente.

Cada depósito possui uma data de aniversário, que determina quando os ganhos daquele valor serão creditados. Se o investidor retirar o dinheiro antes de completar esse período mensal, deixará de receber o rendimento correspondente ao ciclo que ainda estava em andamento.

Essa regra pode fazer diferença principalmente para quem guarda recursos que talvez precise utilizar a qualquer momento. Embora o saldo esteja disponível para retirada, sacar antes da data de aniversário pode significar abrir mão de uma parte da rentabilidade esperada.

Por isso, acompanhar essas datas é tão importante quanto conhecer a taxa de remuneração. Uma retirada feita poucos dias antes do aniversário da aplicação, por exemplo, pode impedir que o dinheiro sacado receba o rendimento daquele mês.

Poupança registra saída superior a R$ 85 bilhões em 2025. Entenda por que os brasileiros estão retirando dinheiro e quais fatores afetam o rendimento. (Imagem ilustrativa)

Juros elevados tornam a diferença de rentabilidade da poupança mais evidente

Uma das principais explicações para a perda de espaço da caderneta está na forma como seu rendimento é calculado. Quando a taxa básica de juros, a Selic, supera 8,5% ao ano, a poupança passa a remunerar os depósitos em 0,5% ao mês, acrescidos da Taxa Referencial (TR).

Considerando apenas a parcela fixa, o ganho acumulado corresponde a aproximadamente 6,17% ao ano. Isso significa que, mesmo quando a Selic está elevada, o rendimento da poupança não acompanha integralmente o aumento dos juros.

Enquanto isso, outras modalidades conservadoras de renda fixa podem oferecer remunerações mais diretamente relacionadas às taxas praticadas no mercado. Essa diferença ajuda a entender por que investidores passaram a observar com mais atenção o retorno de cada aplicação.

Claudia Sa de Moura destaca, porém, que a caderneta não precisa ser abandonada em todas as situações. O ponto central é evitar que ela continue sendo a única escolha apenas por hábito, sem uma comparação com alternativas que possam atender melhor às necessidades financeiras de cada pessoa.

Facilidade para guardar pequenas quantias ainda mantém a poupança como opção

Apesar de perder recursos para outras aplicações, a poupança continua oferecendo vantagens que podem fazer sentido para determinados perfis. Uma delas é a simplicidade: não há cobrança de taxa de administração, o dinheiro pode ser movimentado com facilidade e os rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

A proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) também pesa nessa escolha. Os depósitos contam com cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, respeitadas as condições estabelecidas para a garantia.

Para quem está começando a guardar dinheiro, a familiaridade com a caderneta pode ajudar a criar o hábito de poupar. Mesmo valores pequenos podem ser separados para despesas inesperadas ou necessidades que surjam ao longo do mês.

A possibilidade de movimentar os recursos durante feriados e finais de semana também pode ser útil em determinadas situações. Por isso, a poupança ainda pode servir como uma alternativa para a formação inicial de uma reserva de emergência, especialmente quando o acesso ao dinheiro é a principal preocupação.

Isso não elimina a importância de avaliar a rentabilidade. Significa apenas que a escolha de uma aplicação deve levar em conta tanto os ganhos oferecidos quanto a finalidade daquele dinheiro.

Inflação também pode reduzir o ganho real de quem mantém dinheiro guardado

Além de observar impostos e taxas, existe outro fator que merece atenção: a inflação. Afinal, ver o saldo aumentar não significa necessariamente que o dinheiro passou a ter maior poder de compra.

Se os preços de produtos e serviços subirem em proporção próxima ou superior ao rendimento recebido, o ganho real poderá ser pequeno ou até negativo. Por isso, comparar a rentabilidade líquida com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ajuda a entender melhor o resultado da aplicação.

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O prazo de permanência também precisa entrar nessa conta. Alguns investimentos possuem vencimento definido e podem apresentar oscilações de mercado caso o resgate seja realizado antecipadamente. Assim, uma rentabilidade aparentemente maior deve ser analisada junto às condições exigidas para retirar os recursos.

Essa avaliação é especialmente importante para quem não sabe exatamente quando precisará usar o dinheiro. Uma aplicação adequada para objetivos de longo prazo nem sempre será a melhor alternativa para valores que precisam permanecer disponíveis.

Retirada de recursos já acontecia em 2024 e ganhou força no ano seguinte

A saída de dinheiro da poupança não começou em 2025. No ano anterior, o Banco Central já havia identificado um saldo negativo de R$ 15,4 bilhões, resultado da diferença entre os valores retirados e os novos depósitos realizados pelos brasileiros.

Em 2025, esse movimento se intensificou, com os resgates líquidos ultrapassando R$ 85 bilhões. Os números mostram que a caderneta continuou perdendo recursos em um cenário no qual a comparação com outras aplicações de renda fixa ganhou importância.

Para quem mantém dinheiro na poupança, isso não significa que seja necessário retirar todo o saldo imediatamente. A decisão depende do objetivo da reserva, do prazo disponível e das condições oferecidas pelas demais alternativas.

Como orienta Claudia Sa de Moura, o mais importante é avaliar o rendimento líquido e entender se a aplicação realmente atende ao perfil financeiro de quem está investindo.

A poupança continua sendo uma maneira simples de guardar recursos, mas sua facilidade de uso não deve ser o único critério de escolha. Antes de decidir onde deixar o dinheiro, vale comparar quanto cada investimento pode render, quais são as regras para fazer retiradas e se o resultado esperado será suficiente para preservar o poder de compra ao longo do tempo.

Fonte

BAND


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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