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PPSA avalia substituir Henry Hub por indicador sul-americano para definir preço do gás natural da União
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 15/10/2026 às 08:36
Atualizado em 15/10/2026 às 08:40
Petróleo e Gás
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PPSA avalia trocar Henry Hub por índice regional para o gás da União. Primeiro leilão terá 110 lotes e oferta de até 1,1 milhão de m³ por dia.
A PPSA (Pré-Sal Petróleo) avalia substituir, em operações futuras, o Henry Hub por um indicador brasileiro ou sul-americano para definir os preços do gás natural da União, desde que o mercado desenvolva uma referência confiável para a oferta e a demanda regional. Por enquanto, o índice norte-americano será utilizado no primeiro leilão destinado à indústria, marcado para 22 de outubro, com oferta máxima de 1,1 milhão de metros cúbicos por dia.
A possibilidade de mudança foi apresentada pelo diretor-presidente da estatal, Luis Fernando Paroli. Segundo ele, uma eventual troca dependerá da formação de um indexador capaz de representar adequadamente as condições do mercado de gás no Brasil ou na América do Sul.
Primeiro leilão da PPSA continuará ligado ao Henry Hub
A possibilidade de adoção de um indicador regional não representa, até o momento, uma mudança anunciada nas regras do primeiro leilão.
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Na disputa de outubro, o Henry Hub será a referência utilizada na formação do preço. O cálculo mensal considerará 115% da média das cotações diárias dos contratos futuros desse índice no mês anterior ao fornecimento do gás, acrescidos de um adicional definido durante o leilão.
Paroli explicou à CNN que a escolha atual permanece válida enquanto não houver outra referência suficientemente consolidada para substituí-la. O dirigente também relacionou uma possível mudança futura ao desenvolvimento do mercado nacional de gás.
Bolívia e Argentina aparecem na discussão sobre referência regional
Ao tratar da criação de um indicador mais próximo das condições sul-americanas, o presidente da PPSA mencionou fluxos de gás dentro da própria região. Ele citou o fornecimento realizado pela Bolívia ao Brasil e a perspectiva de entrada de gás argentino.
A ideia seria utilizar, no futuro, uma referência que refletisse melhor o comportamento regional de oferta e procura, caso um indicador com essas características seja efetivamente formado.
Enquanto não houver um indicador regional considerado confiável, o Henry Hub permanece como referência definida para o primeiro leilão de gás natural da União.
Presidente da PPSA considera Henry Hub mais estável que Brent
A escolha atual também foi defendida pela diferença percebida em relação ao Brent. Paroli afirmou que o Henry Hub oferece, em sua avaliação, maior estabilidade ao longo do tempo do que o indicador internacional de petróleo, que pode reagir de maneira mais intensa a conflitos e tensões geopolíticas.
O executivo reconheceu, contudo, que o índice de gás dos Estados Unidos também está sujeito a variações. Um inverno mais rigoroso naquele mercado, por exemplo, pode provocar oscilações nas cotações.
Mesmo considerando esse comportamento, ele avaliou que o Henry Hub apresenta maior estabilidade em uma análise de prazo mais longo.
Leilão terá 110 lotes destinados à indústria
A quantidade total disponibilizada pela PPSA será fracionada para a disputa. Os até 1,1 milhão de metros cúbicos diários serão distribuídos em 110 lotes, cada um correspondente a 10 mil metros cúbicos por dia.
A oferta será direcionada a cinco segmentos da indústria de base:
- Cerâmica;
- Fertilizantes;
- Indústria química e petroquímica;
- Setor vidreiro;
- Siderurgia, metalurgia e mineração.
O fornecimento está previsto para começar em 1º de março de 2027 e terminar em 31 de dezembro do mesmo ano.
Gás sairá de Itaboraí, mas transporte ficará com compradores
O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, pertencente à Petrobras. A partir desse ponto, caberá aos compradores ou às comercializadoras por eles indicadas contratar a infraestrutura necessária para levar o produto até as instalações industriais.
Esses custos também terão impacto sobre o valor final. Despesas de transporte, distribuição e tributos precisarão ser consideradas pelos participantes ao calcular o preço efetivamente pago pelo gás recebido em suas unidades.
Preço inicial pode ficar perto de US$ 5 por milhão de BTU
Segundo Paroli, a proposta da PPSA é colocar o produto no leilão com preços iniciais considerados competitivos, próximos de US$ 5 por milhão de BTU.
O valor efetivo durante o período de fornecimento não ficará congelado nesse patamar, porque dependerá das cotações do Henry Hub e do adicional definido na disputa.
Já na chegada à indústria, considerando impostos, transporte e distribuição, o presidente da estatal estima um custo em torno de US$ 9 por milhão de BTU.
Para Paroli, o equilíbrio entre a remuneração do gás da União e a competitividade para o consumidor industrial deverá ser determinado pela concorrência entre os participantes.
O resultado do leilão definirá o adicional que será incorporado à fórmula de preços. Dessa forma, o custo efetivo do gás para cada comprador dependerá tanto das variações mensais do Henry Hub quanto das despesas necessárias para transportar o produto de Itaboraí até as unidades industriais.
Fonte
CNN
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

