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Primeiro grande graneleiro do mundo movido a amônia entra em serviço com 300 metros de comprimento, capacidade de 210 mil toneladas e missão de transportar minério de ferro da Austrália para a China, enquanto armadora prepara frota de 21 navios capazes de usar o combustível até 2029

Primeiro grande graneleiro do mundo movido a amônia entra em serviço com 300 metros de comprimento, capacidade de 210 mil toneladas e missão de transportar minério de ferro da Austrália para a China, enquanto armadora prepara frota de 21 navios capazes de usar o combustível até 2029

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Primeiro grande graneleiro do mundo movido a amônia entra em serviço com 300 metros de comprimento, capacidade de 210 mil toneladas e missão de transportar minério de ferro da Austrália para a China, enquanto armadora prepara frota de 21 navios capazes de usar o combustível até 2029

Escrito por Carla Teles

Publicado em 11/10/2026 às 15:42

Atualizado em 11/10/2026 às 17:10

Logística e Transporte

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Graneleiro Mineral Europa da CMB.TECH estreia com amônia para transportar minério de ferro entre Austrália, China e outros mercados.

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O graneleiro Mineral Europa inicia operação para a Fortescue com motor dual-fuel e capacidade de 210 mil dwt, enquanto a CMB.TECH prepara uma frota de 21 navios movidos a amônia até 2029.

O graneleiro Mineral Europa, de 300 metros de comprimento e capacidade de 210 mil toneladas de porte bruto, entrou em serviço com um sistema de propulsão capaz de utilizar amônia ou combustível marítimo convencional. Afretado pela mineradora australiana Fortescue, o navio inicia sua trajetória comercial transportando minério de ferro da região de Pilbara, na Austrália Ocidental, para clientes na China e em outros mercados.

Segundo o Interesting Engineering, em reportagem publicada em 10 de outubro de 2026, o navio representa a entrada em serviço do primeiro grande graneleiro desse porte equipado para operar com amônia. O projeto faz parte dos planos da CMB.TECH para chegar ao fim de 2029 com 21 embarcações movidas pelo combustível, embora a disponibilidade de amônia verde para abastecer essa expansão ainda seja um dos pontos em aberto.

Mineral Europa leva motor dual-fuel para um graneleiro de 210 mil toneladas

Construído pelo estaleiro CSSC Qingdao Beihai Shipbuilding, na China, o Mineral Europa pertence à classe Newcastlemax, formada por grandes graneleiros usados no transporte de commodities como minério de ferro e carvão. O navio combina capacidade de 210 mil dwt com um motor dual-fuel desenvolvido para queimar amônia ou combustível marítimo convencional.

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O sistema de propulsão foi desenvolvido em parceria com a WinGD. Segundo a fonte, a velocidade informada do navio é de 14 nós, enquanto a propriedade fica com a Bocimar, divisão de transporte de granéis da CMB.TECH, e a gestão técnica é realizada pela Anglo-Eastern.

A arquitetura de combustível também exigiu mudanças no projeto. A amônia líquida é armazenada em tanques independentes instalados sobre o convés e afastados das laterais do casco, uma configuração destinada a aumentar a proteção da instalação.

A operação inclui protocolos específicos de segurança e treinamento obrigatório da tripulação antes do embarque. A adoção da amônia não consiste apenas em trocar o combustível: ela exige equipamentos, procedimentos e preparação dos profissionais que trabalham a bordo.

Viagem inaugural liga o minério de Pilbara aos mercados asiáticos

O primeiro compromisso comercial do graneleiro está ligado à Fortescue. O Mineral Europa iniciou sua viagem inaugural rumo à Austrália para carregar minério de ferro produzido na região de Pilbara, uma das principais áreas mineradoras do país.

A carga deverá seguir para a China e outros mercados internacionais. A operação coloca a nova tecnologia diretamente em uma das grandes cadeias globais de transporte marítimo de minério, em vez de limitar seu uso a uma demonstração de curta duração.

A Fortescue anunciou em junho de 2026 um acordo para afretar até 12 graneleiros Newcastlemax de 210 mil dwt da Bocimar. Até três desses navios deveriam entrar em serviço ainda em 2026 equipados com motores dual-fuel preparados para amônia.

Os outros nove foram classificados como ammonia-ready, isto é, construídos para permitir conversão futura para o combustível. Com as primeiras unidades chegando à operação comercial, o programa entra em uma nova fase, passando da construção e dos testes para o uso em rotas reais de transporte de minério.

CMB.TECH quer chegar a 21 navios movidos a amônia até 2029

O Mineral Europa faz parte de uma expansão maior planejada pela CMB.TECH. A companhia projeta uma frota de 21 embarcações capazes de operar com amônia até o fim de 2029, distribuídas por diferentes segmentos do transporte marítimo.

O plano citado pelo Interesting Engineering prevê 18 navios de granéis sólidos, um porta-contêineres e dois navios químicos. A estratégia amplia a aplicação da tecnologia para além dos Newcastlemax destinados ao transporte de minério.

Parte dessa frota envolve também a japonesa Mitsui O.S.K. Lines (MOL). CMB.TECH e MOL têm três Newcastlemax de 210 mil dwt em construção no Qingdao Beihai Shipyard, com entregas previstas para 2026 e 2027 e contratos de afretamento de 12 anos.

Há ainda dois navios químicos equipados para amônia e quatro unidades ammonia-ready sendo construídos no China Merchants Jinling Shipyard, em Yangzhou. As entregas estão previstas para 2028 e 2029, dentro de contratos de sete a dez anos com a MOL Chemical Tankers.

Amônia verde depende de oferta de combustível em escala

A CMB.TECH afirma que pretende operar o graneleiro com amônia verde, produzida a partir de energia renovável, água e ar. O uso dessa rota de produção busca reduzir as emissões associadas ao combustível em comparação com versões produzidas a partir de fontes fósseis.

Existe, porém, uma diferença entre um navio ser tecnicamente capaz de consumir amônia e ter esse combustível disponível continuamente nos portos onde opera. A reportagem não apresenta volumes contratados de amônia verde nem detalha como será realizado o abastecimento do Mineral Europa em toda a sua rota comercial.

A própria CMB.TECH afirma que está desenvolvendo o ecossistema de combustível necessário para sustentar a transição. Essa infraestrutura envolve produção, distribuição, armazenamento e abastecimento marítimo, etapas que precisam avançar junto com a construção dos navios.

Por isso, a entrada do Mineral Europa em serviço demonstra que um grande graneleiro pode ser equipado para usar amônia, mas não significa que toda a sua operação utilizará necessariamente o combustível desde a primeira viagem. A disponibilidade comercial permanece um fator determinante para o ritmo de adoção.

Frota mundial de navios a amônia ainda é pequena

Apesar dos novos projetos, a propulsão por amônia permanece em estágio inicial no transporte marítimo. Dados da DNV citados pela reportagem apontavam apenas cinco embarcações movidas a amônia em serviço: dois transportadores de gás, dois rebocadores e um navio offshore de demonstração da Fortescue.

Outros quatro graneleiros, incluindo unidades associadas à CMB.TECH, estavam em testes. Além disso, 41 navios movidos a amônia apareciam na carteira global de encomendas para entrega até 2030, sinal de que o número pode aumentar nos próximos anos.

Nesse cenário, grandes graneleiros ganham atenção porque transportam enormes volumes de carga por rotas internacionais longas. Um Newcastlemax de 210 mil dwt exige muito mais energia do que embarcações menores que já experimentaram combustíveis alternativos.

O avanço dessas encomendas mostra que a tecnologia começou a ganhar espaço, mas a escala ainda está distante da frota marítima convencional. A evolução dependerá não apenas de novos motores, mas também da expansão da produção e do fornecimento seguro de amônia.

Mineral Europa leva tecnologia para uma rota comercial de minério

Alexander Saverys, CEO da CMB.TECH, afirmou que o Mineral Europa demonstra a possibilidade de grandes navios oceânicos serem propulsionados por amônia. A declaração expressa a avaliação da companhia sobre a tecnologia, enquanto os resultados operacionais de longo prazo ainda dependerão da experiência acumulada durante o serviço comercial.

Para a Fortescue, o graneleiro integra um programa maior de afretamento de embarcações capazes de utilizar o combustível. Se abastecida com amônia verde, a empresa calcula que a frota de 12 Newcastlemax prevista no acordo poderia reduzir aproximadamente 250 mil toneladas anuais de dióxido de carbono em comparação com combustíveis marítimos convencionais.

Essa estimativa é condicional ao tipo de combustível efetivamente utilizado. Navios ammonia-ready também não devem ser tratados como unidades já movidas a amônia, porque precisam passar pela conversão prevista antes de operar com esse combustível.

Com o Mineral Europa em serviço, a próxima etapa será observar como a tecnologia se comporta em viagens comerciais entre grandes regiões produtoras e consumidoras de minério. Paralelamente, CMB.TECH pretende ampliar sua frota até 2029, enquanto a cadeia de fornecimento de amônia precisará avançar para acompanhar o número crescente de embarcações preparadas para utilizá-la.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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