Faça um comentário
5 min de leitura
Produção de caminhões cai 6,4% no Brasil em 2026, soma 92,3 mil unidades até setembro e leva Anfavea a piorar projeção de queda dos pesados para 8,2% no ano
Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/10/2026 às 15:18
Atualizado em 11/10/2026 às 17:50
Logística e Transporte
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Produção de caminhões recua 6,4% no Brasil até setembro, soma 92.305 unidades e acompanha revisão da Anfavea, que prevê queda de 8,2% nos pesados.
A produção de caminhões no Brasil recuou 6,4% entre janeiro e setembro de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. As montadoras produziram 92.305 unidades nos primeiros nove meses do ano, ante 98.632 no intervalo equivalente do ano passado, segundo dados divulgados pela Anfavea.
As informações foram publicadas pelo Blog do Caminhoneiro em 8 de outubro de 2026, com base nos números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Além da queda acumulada dos caminhões, a entidade revisou para baixo sua expectativa para a produção de veículos pesados em 2026, segmento que inclui caminhões e ônibus.
Produção de caminhões soma 92.305 unidades até setembro
O resultado acumulado mostra uma diferença de 6.327 veículos entre os dois períodos comparados. Em 2025, a indústria havia produzido 98.632 caminhões entre janeiro e setembro; neste ano, foram 92.305 unidades.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A retração de 6,4% indica que a produção de caminhões ainda não recuperou o volume observado no ano anterior, apesar de o desempenho mensal de setembro apresentar um sinal diferente quando comparado ao mesmo mês de 2025.
O dado acumulado é importante porque reduz o peso de oscilações pontuais entre meses e revela a trajetória geral da indústria ao longo de boa parte do ano.
Setembro recua 1,3% frente a agosto
Na comparação mensal, setembro apresentou pequena perda de ritmo. A produção chegou a 11.625 caminhões, contra 11.773 unidades registradas em agosto.
A diferença corresponde a uma queda de 1,3%. Embora relativamente pequena, ela mostra que a indústria não conseguiu manter o mesmo volume registrado no mês imediatamente anterior.
Esse movimento mensal, porém, não deve ser analisado isoladamente. Quando setembro de 2026 é comparado ao mesmo mês do ano passado, o cenário é de crescimento.
Comparação anual de setembro mostra alta de 15%
Em setembro de 2025, as fabricantes haviam produzido 10.107 caminhões. O volume deste ano, de 11.625 unidades, ficou aproximadamente 15% acima daquele resultado.
Isso significa que setembro teve desempenho superior em relação ao mesmo mês do ano anterior, mesmo com a produção de caminhões acumulada entre janeiro e setembro ainda apresentando retração de 6,4%.
A diferença entre os dois recortes mostra como o mercado pode apresentar sinais distintos dependendo da base de comparação. O avanço mensal sobre 2025 ainda não foi suficiente para compensar a perda acumulada observada nos primeiros nove meses.
Anfavea piora projeção para veículos pesados
A Anfavea também revisou suas expectativas para o fechamento de 2026. Em junho, a entidade projetava uma queda de 6% na produção de veículos pesados, estimando 143,2 mil unidades ao final do ano.
Na revisão mais recente, a projeção passou a indicar uma retração de 8,2%, com produção estimada em 139,8 mil veículos pesados.
A diferença entre as duas projeções mostra uma deterioração das expectativas para o segmento. A nova previsão representa 3,4 mil unidades a menos do que o volume esperado anteriormente.
Projeção de 8,2% não considera apenas caminhões
Um ponto importante é que a estimativa de queda de 8,2% não se refere exclusivamente à produção de caminhões. A categoria de veículos pesados utilizada pela Anfavea inclui também os ônibus.
Por isso, o desempenho mais fraco do transporte de passageiros influencia diretamente a projeção consolidada apresentada pela associação.
Separar os dois segmentos é essencial para evitar a interpretação de que a Anfavea prevê necessariamente queda de 8,2% somente para caminhões. O número corresponde ao conjunto formado por caminhões e ônibus.
Produção de ônibus cai 11,2% no acumulado
O desempenho do segmento de ônibus está ainda mais pressionado. Entre janeiro e setembro de 2026, foram produzidas 21.343 unidades, contra 24.030 no mesmo período de 2025.
A diferença representa uma retração de 11,2%, superior aos 6,4% registrados pelos caminhões.
Esse resultado ajuda a entender por que a projeção consolidada para veículos pesados foi revisada para uma queda maior. Com os dois segmentos em retração e os ônibus apresentando desempenho mais fraco, a expectativa para o total da categoria também piorou.
Indústria precisa produzir mais para reduzir diferença acumulada
Embora setembro tenha superado o mesmo mês de 2025, a diferença acumulada permanece significativa. A indústria ainda precisa recuperar mais de 6 mil unidades para igualar o volume produzido nos primeiros nove meses do ano passado.
O comportamento dos últimos meses de 2026 será decisivo para determinar até onde essa diferença poderá ser reduzida. A produção de caminhões precisaria manter um ritmo superior ao observado em 2025 para recuperar parte da perda acumulada.
A fonte, porém, não apresenta projeção específica para a produção anual apenas de caminhões, portanto não é possível estimar com precisão qual será o resultado final dessa categoria isoladamente.
Revisão indica cautela para o restante de 2026
A mudança feita pela Anfavea, de queda prevista de 6% para 8,2% nos veículos pesados, mostra que a entidade passou a trabalhar com um cenário mais conservador para o encerramento do ano.
A estimativa de 139,8 mil unidades substitui a previsão anterior de 143,2 mil. A revisão ocorre enquanto caminhões e ônibus continuam abaixo dos volumes acumulados de 2025.
Apesar disso, o crescimento de setembro na comparação anual mostra que o setor não apresenta retração uniforme em todos os meses. Há sinais pontuais de recuperação, mas eles ainda não conseguiram reverter o resultado negativo acumulado.
Produção de caminhões encerra nove meses abaixo de 2025
Os números até setembro deixam um quadro misto para a indústria de pesados. De um lado, a produção de caminhões acumula queda de 6,4%, com 92.305 unidades fabricadas. De outro, setembro conseguiu superar em 15% o resultado do mesmo mês de 2025.
Ao mesmo tempo, a produção de ônibus cai 11,2%, pressionando o resultado agregado e levando a Anfavea a reduzir sua projeção anual para 139,8 mil veículos pesados. O desempenho do último trimestre será decisivo para medir se a indústria conseguirá reduzir a distância em relação a 2025 ou encerrará o ano ainda mais pressionada.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

