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Projeto de R$ 312 milhões avança no Pará e Amazonas com energia solar e baterias gigantes para regiões isoladas

Projeto de R$ 312 milhões avança no Pará e Amazonas com energia solar e baterias gigantes para regiões isoladas

Projeto de R$ 312 milhões avança no Pará e Amazonas com energia solar e baterias gigantes para regiões isoladas

Escrito por Ana Alice

Publicado em 04/10/2026 às 23:46

Energia Renovável

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Projeto de R$ 312 milhões leva energia solar e baterias ao Pará e Amazonas, com 50 MW contratados para atender mais de 30 mil pessoas. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Seis localidades amazônicas terão novos sistemas de geração combinando energia solar, baterias e geração térmica, em uma operação que busca reduzir a dependência do diesel e modernizar o abastecimento elétrico longe da rede nacional.

Um pacote de aproximadamente R$ 312 milhões vai levar novos sistemas de geração elétrica a seis localidades isoladas do Pará e do Amazonas. Os projetos combinam energia solar, armazenamento em baterias e geração térmica e foram contratados pelo Leilão dos Sistemas Isolados de 2025, dentro do Programa Energias da Amazônia.

A iniciativa deverá atender mais de 30 mil pessoas que vivem em áreas não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Cinco localidades ficam no Amazonas e uma, Jacareacanga, no Pará.

O projeto paraense concentra uma das principais novidades tecnológicas do pacote. Jacareacanga receberá 18 MW de geração solar associados a um sistema de baterias de 30 MW, combinação apresentada pelo Ministério de Minas e Energia como o primeiro projeto híbrido do setor contratado em leilão com armazenamento dessa escala.

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No Amazonas, as soluções contratadas atenderão Camaruã, Novo Remanso, Cabori, Parauá e Limoeiro. Nesses locais, a geração também combinará diesel, energia solar e baterias, reduzindo a dependência exclusiva dos combustíveis fósseis.

Jacareacanga terá 18 MW de energia solar e baterias de 30 MW

O maior destaque tecnológico está em Jacareacanga, no sudoeste do Pará.

O projeto vencedor para a localidade prevê uma solução híbrida com aproximadamente 30,1 MW de potência total, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética. A configuração inclui uma planta solar de 18 MW e um sistema de armazenamento em baterias com potência de 30 MW, integrado à geração térmica existente.

É importante diferenciar os números.

Os 30 MW informados para as baterias representam potência de armazenamento, e não necessariamente a quantidade total de energia acumulada ao longo do tempo, que normalmente seria expressa em megawatt-hora (MWh).

Já os 18 MW correspondem à capacidade instalada da geração fotovoltaica.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a solução de Jacareacanga terá porte equivalente ao maior sistema de baterias existente no país quando o leilão foi realizado.

A expectativa é que as baterias permitam aproveitar melhor a eletricidade produzida pelos painéis solares, armazenando parte da energia para uso em momentos em que a geração fotovoltaica diminui ou desaparece, como à noite.

Ainda assim, o sistema não eliminará imediatamente a geração térmica. O modelo contratado é híbrido, combinando diferentes tecnologias para garantir segurança no fornecimento.

Cinco localidades do Amazonas também receberão sistemas híbridos

O outro lote contratado reúne cinco sistemas isolados no Amazonas.

As localidades são Camaruã, Novo Remanso, Cabori, Parauá e Limoeiro, distribuídas em áreas onde as dificuldades logísticas tornam mais complexa a expansão da infraestrutura elétrica convencional.

De acordo com dados técnicos da EPE, esse conjunto foi contratado com 20,165 MW de potência total.

A solução vencedora prevê usinas híbridas que combinam diesel, geração solar e armazenamento em baterias. A participação média de energia renovável ficou em aproximadamente 23%, ligeiramente acima do mínimo estabelecido para o leilão.

O contrato foi conquistado pela Energias do Acre SPE Ltda., conforme apresentação da EPE sobre os resultados do certame.

Já o projeto de Jacareacanga ficou com o Consórcio IFX-You.On – SISOL, que apresentou uma solução com renovabilidade média de aproximadamente 80%.

Somados, os dois lotes negociados contrataram pouco mais de 50 MW de potência.

Sistema híbrido já instalado em Caiambé, no Amazonas, combina geração solar, armazenamento em baterias e geração térmica para atendimento isolado. – Crédito: Aggreko / Divulgação.

Leilão movimentou R$ 312,8 milhões

O valor previsto dos investimentos chega a aproximadamente R$ 312,875 milhões, segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Energética divulgado após o leilão.

O resultado ficou abaixo das estimativas iniciais elaboradas antes da realização do certame.

Quando as regras foram apresentadas, o governo trabalhava com uma previsão de investimentos próxima de R$ 452 milhões e dez localidades contempladas.

O desenho final mudou porque o Lote 2, que reunia outras cinco localidades do Amazonas, foi retirado do leilão. Dessa forma, foram efetivamente contratados o Lote 1, com cinco localidades amazonenses, e o Lote 3, referente a Jacareacanga.

Essa diferença é importante para evitar a mistura entre as projeções divulgadas antes do leilão e o resultado efetivamente contratado.

O balanço consolidado do Ministério de Minas e Energia em 2026 passou a tratar o pacote como um investimento de aproximadamente R$ 312 milhões para atender mais de 30 mil pessoas no Amazonas e no Pará.

Por que essas comunidades ainda dependem de sistemas isolados

Os chamados Sistemas Isolados são redes elétricas que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional, responsável por integrar a maior parte da geração e do consumo de eletricidade no Brasil.

Esses sistemas estão concentrados principalmente na Amazônia Legal, onde grandes distâncias, rios, áreas de floresta e baixa densidade populacional tornam a construção de linhas de transmissão mais difícil ou economicamente inviável em determinadas regiões.

Em julho de 2026, o Ministério de Minas e Energia explicou que essas localidades são tradicionalmente atendidas por usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis, embora fontes renováveis e sistemas de armazenamento estejam ganhando espaço.

Dados do planejamento para 2026 a 2030 indicam que aproximadamente 1,965 milhão de pessoas ainda são atendidas por 160 Sistemas Isolados no país.

Por isso, substituir parte do diesel por energia solar não envolve apenas instalar painéis.

É necessário manter uma fonte capaz de garantir eletricidade quando não há sol e durante eventuais períodos de baixa geração. É justamente nesse ponto que as baterias passam a desempenhar um papel importante.

Baterias ajudam a aproveitar energia solar longe da rede nacional

Em uma cidade conectada ao Sistema Interligado Nacional, a queda momentânea da geração de uma usina solar pode ser compensada por eletricidade produzida em outras regiões.

Em um sistema isolado, essa possibilidade é muito mais limitada.

As baterias permitem armazenar parte da energia produzida durante períodos de maior incidência solar e devolvê-la à rede local posteriormente.

Isso também pode reduzir a necessidade de manter geradores térmicos operando continuamente em determinadas condições.

O Leilão SISOL 2025 estabeleceu participação mínima de 22% de fontes renováveis nas soluções concorrentes e também introduziu mecanismos relacionados às emissões de carbono na avaliação econômica das propostas.

Na prática, os vencedores superaram esse piso.

O lote do Amazonas alcançou renovabilidade média de aproximadamente 23%, enquanto a solução de Jacareacanga chegou a 80%, segundo a EPE.

Sistema de armazenamento em baterias de grande porte instalado em Registro (SP). Jacareacanga terá 30 MW de armazenamento em projeto que conta com participação da YOU.ON. – Crédito: YOU.ON / Divulgação.

Projetos devem começar a fornecer energia em 2027

Os contratos têm horizonte de longo prazo.

A documentação oficial do leilão estabelece 20 de dezembro de 2027 como data de início do suprimento para as localidades contratadas, com período previsto de 180 meses, equivalente a 15 anos.

Isso significa que os empreendimentos precisam passar antes pelas etapas de engenharia, aquisição de equipamentos, logística, construção, instalação dos painéis, montagem dos sistemas de armazenamento, integração com a geração térmica e testes.

A logística é um dos desafios particulares do projeto.

Documentos da EPE destacam que as localidades amazonenses apresentam grande variação de distância e acesso, característica que interfere diretamente no transporte de combustíveis, máquinas, painéis solares, baterias e demais equipamentos.

A própria estrutura do leilão exigiu dos participantes planos capazes de considerar situações de seca extrema, quando a navegação e o transporte fluvial podem ser prejudicados.

Amazônia passa por uma mudança gradual na geração de eletricidade

Os R$ 312 milhões fazem parte de uma transformação mais ampla nos Sistemas Isolados brasileiros.

O Programa Energias da Amazônia também selecionou projetos separados para hibridizar 29 usinas, introduzindo geração solar e baterias em 36 localidades.

Nesse outro conjunto de iniciativas, o governo estima beneficiar cerca de 652 mil pessoas, reduzir o consumo de 270 milhões de litros de diesel ao longo da vida útil dos empreendimentos e evitar aproximadamente 800 mil toneladas de dióxido de carbono.

São iniciativas diferentes e seus números não devem ser somados ou confundidos com o Leilão SISOL de R$ 312 milhões.

No caso específico do leilão para Pará e Amazonas, o ponto central está na contratação de pouco mais de 50 MW de soluções híbridas para seis localidades, com destaque para a combinação de 18 MW solares e baterias de 30 MW em Jacareacanga.

O modelo mantém geração térmica para garantir confiabilidade, mas amplia significativamente a presença de energia renovável e armazenamento em regiões que historicamente dependem do transporte de combustível para produzir eletricidade.

Com início do suprimento contratado para o fim de 2027, o projeto de R$ 312 milhões transforma Pará e Amazonas em uma das principais áreas de teste, em escala comercial, da combinação entre energia solar, grandes baterias e geração térmica nos Sistemas Isolados brasileiros.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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