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Projeto de R$ 383 milhões prevê a construção de cinco navios especiais para transportar celulose e madeira pela Lagoa dos Patos e ampliar a logística industrial brasileira
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 16/10/2026 às 16:38
Atualizado em 16/10/2026 às 16:40
Indústria Naval
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Projeto de R$ 383,1 milhões prevê cinco embarcações para transportar celulose e madeira pela Lagoa dos Patos e fortalecer a indústria naval brasileira.
Cinco novas embarcações poderão começar a transportar grandes carregamentos de celulose e madeira pela Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, em um projeto que recebeu aprovação para avançar na busca de financiamento. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a Unes Navegação Brasil teve aprovado um projeto de R$ 383,1 milhões para construir cinco embarcações especiais do tipo Ultratug Pulp-Logship, destinadas à movimentação de produtos da indústria florestal.
A decisão ocorreu em 8 de outubro de 2026, durante a 64ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante. O empreendimento integra uma carteira de R$ 8,3 bilhões em projetos navais e portuários, mas ainda depende de etapas financeiras antes do início da construção.
Cinco embarcações especiais serão construídas para transportar celulose e madeira
O projeto apresentado pela Unes Navegação Brasil contempla a fabricação de cinco embarcações do tipo Ultratug Pulp-Logship, desenvolvidas para atender ao transporte de produtos da cadeia de madeira e celulose. A operação está prevista para a Lagoa dos Patos, uma das principais rotas de navegação interior do Rio Grande do Sul.
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A proposta possui valor de R$ 383,1 milhões e recebeu prioridade para financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante. O comunicado oficial não informa o comprimento, a capacidade de carga ou a potência dos motores das futuras embarcações, nem identifica o estaleiro responsável pela fabricação.
Unes Navegação Brasil será responsável pelo empreendimento de R$ 383 milhões
A Unes Navegação Brasil aparece como empresa responsável pelo projeto aprovado pelo governo federal. A proposta foi apresentada para atender às necessidades de transporte de cargas ligadas à produção florestal e industrial no território gaúcho.
A construção de embarcações desse tipo exige projetos de engenharia, fabricação de estruturas metálicas e instalação de equipamentos de navegação e segurança. Entretanto, a empresa ainda não teve confirmado publicamente o início das obras, e o anúncio oficial não apresenta contratos com fornecedores ou uma data definitiva de entrega.
Lagoa dos Patos conecta a produção industrial gaúcha ao Porto do Rio Grande
A Lagoa dos Patos faz parte de uma hidrovia utilizada para transportar celulose até o Porto do Rio Grande, onde as cargas podem ser transferidas para navios destinados ao comércio internacional. A rota integra o Lago Guaíba, canais navegáveis e a própria lagoa.
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Uma das operações existentes começa no município de Guaíba, onde a CMPC mantém uma unidade industrial de celulose.
A produção segue em barcaças até Rio Grande, utilizando o transporte aquaviário como parte da ligação entre a fábrica e os terminais de exportação.
Embarcações também poderão transportar madeira no trajeto de retorno
A logística hidroviária já utilizada pela indústria de celulose no estado permite movimentar produtos nos dois sentidos.
Depois de transportar os fardos de celulose até Rio Grande, barcaças podem seguir para Pelotas, onde recebem toras de madeira destinadas ao abastecimento industrial.
A madeira retorna pela Lagoa dos Patos em direção à região de Guaíba, formando um sistema de transporte que movimenta matéria-prima e produtos industrializados. As cinco novas embarcações da Unes foram previstas para transportar celulose e madeira, embora seus trajetos operacionais específicos ainda não tenham sido divulgados.
Hidrovias do Rio Grande do Sul movimentaram 1,9 milhão de toneladas em 2025
O transporte de cargas pelas hidrovias gaúchas apresentou crescimento em 2025, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
A movimentação alcançou aproximadamente 1,9 milhão de toneladas em 2025, contra cerca de 1,7 milhão de toneladas em 2024. O avanço registrado foi de 11,76%, impulsionado pela utilização do transporte por barcaças e pela movimentação de produtos industriais, especialmente celulose.
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A produção de celulose possui participação importante na atividade portuária. Em 2023, o Porto do Rio Grande exportou aproximadamente 1,62 milhão de toneladas desse produto, tendo a China como principal destino.
Enchentes reforçaram a utilização das rotas hidroviárias no estado
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul provocaram interrupções em rodovias e ferrovias, dificultando o deslocamento de mercadorias e o abastecimento de empresas industriais. Parte dessas atividades passou a depender de alternativas de transporte para manter suas operações.
Nesse cenário, as hidrovias ganharam espaço na movimentação de cargas entre regiões produtoras e terminais portuários. O funcionamento dessas rotas, porém, também depende das condições de navegação, da profundidade dos canais e da manutenção da infraestrutura utilizada pelas embarcações.
Fundo da Marinha Mercante aprovou prioridade para o financiamento das embarcações
O investimento previsto para as cinco embarcações recebeu aprovação durante a reunião realizada em 8 de outubro de 2026. A decisão permite que o projeto avance para avaliação das instituições financeiras responsáveis por operar os recursos do Fundo da Marinha Mercante.
O FMM financia atividades relacionadas à construção, modernização e reparação de embarcações, além de determinados projetos de infraestrutura portuária. A aprovação de prioridade não significa que os R$ 383,1 milhões já foram liberados, pois a contratação depende das garantias e das condições financeiras de cada operação.
Carteira nacional soma R$ 8,3 bilhões em 26 projetos navais e portuários
O projeto da Unes Navegação Brasil integra um conjunto de 26 empreendimentos distribuídos por nove estados brasileiros, com propostas que totalizam R$ 8,3 bilhões em financiamentos. A carteira inclui construção de embarcações, modernização naval e obras em terminais portuários.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, os projetos apresentam potencial de gerar 6.530 empregos diretos, conforme estimativas dos responsáveis pelas propostas.
Desse total, R$ 4,28 bilhões estão concentrados em três empreendimentos de infraestrutura portuária, destinados à ampliação da movimentação de cargas.
Novo terminal de R$ 1,5 bilhão ampliará a estrutura para exportação de celulose
Outro investimento relacionado à logística da celulose no Rio Grande do Sul está sendo desenvolvido pela CMPC. A companhia anunciou R$ 1,5 bilhão para construir um terminal privado no Porto do Rio Grande, com capacidade planejada para movimentar até 9 milhões de toneladas de celulose por ano.
O projeto avançou em setembro de 2026 com a assinatura do contrato de cessão da área destinada à instalação. O empreendimento ocupará aproximadamente 400 mil metros quadrados e contará com quatro berços de atracação, sendo dois para barcaças e dois para navios oceânicos.
A estrutura receberá celulose transportada pelo Lago Guaíba e pela Lagoa dos Patos, permitindo armazenar e transferir a carga para embarcações maiores. O terminal da CMPC é um empreendimento distinto do projeto de cinco embarcações da Unes, sem integração contratual confirmada entre eles.
Terminal portuário prevê 1.200 empregos durante sua construção
A implantação do novo terminal da CMPC possui previsão de gerar aproximadamente 1.200 oportunidades de trabalho durante as obras. Depois da entrada em operação, a companhia estima 450 empregos diretos, além de postos indiretos associados aos serviços portuários e logísticos.
O empreendimento exigirá instalações para recebimento, armazenamento e embarque de celulose. Essas estruturas deverão permitir a movimentação de cargas entre barcaças utilizadas na hidrovia e navios oceânicos responsáveis pelo transporte internacional.
Construção naval poderá movimentar fornecedores e serviços industriais
A fabricação das cinco embarcações previstas pela Unes Navegação Brasil poderá envolver empresas especializadas em estruturas metálicas, sistemas elétricos, equipamentos mecânicos e componentes de navegação.
Esses serviços fazem parte das etapas normalmente necessárias à construção de unidades destinadas ao transporte aquaviário.
O comunicado oficial do financiamento não apresenta uma estimativa específica de empregos para esse empreendimento. Também não informa quais fornecedores participarão da produção, nem estabelece o cronograma de contratação de trabalhadores para as futuras atividades industriais.
Projeto aguarda contratação do financiamento para avançar à fabricação
A aprovação concedida pelo Fundo da Marinha Mercante coloca o empreendimento de R$ 383,1 milhões na etapa de análise financeira, necessária para a contratação e o posterior desembolso dos recursos previstos.
Ainda permanecem sem divulgação o nome do estaleiro construtor, o cronograma de entrega e a capacidade individual das embarcações.
O início dos trabalhos dependerá da conclusão dos procedimentos financeiros e das decisões de execução do projeto.
As cinco embarcações Ultratug Pulp-Logship foram planejadas para atender à movimentação de celulose e madeira pela Lagoa dos Patos, em uma região onde o transporte hidroviário já conecta fábricas e terminais de exportação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

