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Quase 7 °C a menos perto do cubo em teste: universidade da Áustria imprime cerâmica em 3D e monta parede que resfria o ar com água

Quase 7 °C a menos perto do cubo em teste: universidade da Áustria imprime cerâmica em 3D e monta parede que resfria o ar com água

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Quase 7 °C a menos perto do cubo em teste: universidade da Áustria imprime cerâmica em 3D e monta parede que resfria o ar com água

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 20/10/2026 às 12:50

Construção

Grupo

A pesquisadora Milena Stavric segura um cubo de cerâmica impresso em 3D diante da parede de resfriamento da TU Graz, em imagem de divulgação da universidade Foto: TU Graz/Lunghammer (divulgação)

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A redução foi registrada em um ensaio controlado, junto a uma peça abastecida com água. Fungos e serragem também são testados na fabricação para ampliar a porosidade da cerâmica.

A Universidade Técnica de Graz (TU Graz), na Áustria, apresentou uma parede de resfriamento formada por cubos de cerâmica produzidos em impressora 3D. O projeto aproveita a evaporação da água para retirar calor do ar e combina um princípio conhecido há séculos com peças de geometria complexa, desenhadas no computador.

Em um teste controlado realizado em um sótão quente da instituição, foi medida uma queda de quase 7 °C na vizinhança imediata de um cubo preenchido com água. O resultado, divulgado pela universidade em 4 de agosto de 2026, corresponde à região próxima da peça, sem demonstrar uma redução uniforme dessa magnitude em todo o cômodo.

A proposta reúne pesquisa de materiais, impressão 3D e circulação de água. Entre as aplicações consideradas estão casas, escritórios, escolas e espaços públicos, mas o resultado experimental não comprova que a tecnologia possa substituir o ar-condicionado.

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Como cubos de 23 centímetros usam água para resfriar

Parede de cubos de cerâmica impressos em 3D no Campus Neue Technik, em Graz, em imagem de divulgação da TU Graz Foto: TU Graz/Lunghammer (divulgação)

Cada módulo tem cerca de 23 centímetros de lado e é impresso a partir de uma mistura de argila. Depois da impressão, a peça passa por uma queima em baixa temperatura, escolhida para manter uma estrutura bastante porosa.

Esses poros têm uma função central: permitem que a cerâmica absorva água por capilaridade. É o movimento que faz o líquido penetrar e avançar pelos pequenos espaços do material, distribuindo-se pela estrutura.

O desenho dos cubos também participa do funcionamento. A equipe utiliza uma geometria de superfície mínima, identificada pela sigla TPMS, que oferece uma grande área de superfície com pouco material.

Na prática, isso permite concentrar uma extensa superfície de evaporação em uma peça relativamente pequena. A água se espalha pela cerâmica e evapora continuamente, retirando calor do entorno durante a passagem para o estado de vapor.

Milena Stavric, do Instituto de Arquitetura e Mídia, relaciona esse princípio ao funcionamento de potes de barro e torres de vento tradicionais. A novidade está no uso da impressão 3D para produzir formas porosas complexas, capazes de armazenar água e ampliar a área disponível para a evaporação.

Fungos e serragem ajudam a formar os poros

Equipe da TU Graz diante de uma parede de módulos de cerâmica impressos em 3D, em imagem de divulgação da universidade Foto: TU Graz/Lunghammer (divulgação)

No Shape Lab, laboratório do instituto, a equipe investiga maneiras de melhorar a distribuição de água dentro da cerâmica. Uma das linhas experimentais acrescenta culturas de fungos e serragem à argila.

A madeira serve de alimento para o fungo. Durante o crescimento, o micélio, nome dado à rede de filamentos do organismo, se desenvolve dentro do material e forma uma estrutura fina.

A mistura é então impressa em 3D e levada à queima. Nessa etapa, tanto o micélio quanto a madeira são consumidos pelo calor, deixando uma rede de poros pequenos e maiores nos espaços que ocupavam.

Esses caminhos favorecem a distribuição da água pelo interior do cubo. O fungo participa, portanto, da fabricação da estrutura porosa; na peça pronta, o resfriamento ocorre pela evaporação da água. Os dois componentes fazem parte dos experimentos para aperfeiçoar os módulos.

Do cubo abastecido à parede com circuito de água

Kristijan Ristoski integrou os cubos a um circuito de água controlável durante sua dissertação de mestrado. Essa combinação deu origem à parede de resfriamento apresentada pela universidade.

Ao comentar o ensaio no sótão, Ristoski afirmou: “No ambiente inteiro o efeito de resfriamento foi claramente perceptível”. A declaração descreve a percepção no cômodo, enquanto a queda de quase 7 °C corresponde à medição realizada junto ao cubo.

Essa distinção delimita o alcance do resultado: houve um efeito percebido no ambiente, mas o valor numérico foi registrado em uma região específica da montagem controlada. Ele não pode ser tratado como uma redução garantida para uma sala ou uma casa inteira.

Uma parede de demonstração de 2 por 2 metros, instalada de forma independente, foi montada no Campus Neue Technik, na rua Stremayrgasse, em Graz. A tecnologia também pode ser vista no Museum der Wahrnehmung, na mesma cidade.

Os espaços de demonstração permitem conhecer a montagem e experimentar seu efeito de resfriamento. A proposta apresentada continua sendo a de uma tecnologia em desenvolvimento, com protótipos destinados a explorar possíveis aplicações arquitetônicas.

Pesquisa também testa sedimentos de um lago

Outro material em avaliação é o lodo do lago Neusiedl. O local precisa ser dragado regularmente para reduzir o assoreamento, e grande parte dos sedimentos retirados vinha sendo descartada sem aproveitamento.

A equipe estuda novas misturas que permitam usar esses sedimentos na impressão 3D. A possibilidade é transformar material retirado durante a manutenção do lago em matéria-prima para a construção.

As aplicações pretendidas para as paredes incluem ambientes internos, praças e áreas de espera. Para Stavric, o objetivo é levar resfriamento a lugares onde as pessoas sofrem especialmente com o calor, inclusive em cidades nas quais nem sempre é possível recorrer ao plantio de árvores.

O projeto foi realizado em parceria com o Instituto de Física da Construção, Técnica Predial e Construção Civil da TU Graz. O financiamento veio da agência austríaca aws, por meio do programa Proof of Concept.

Projetistas e empresas que identifiquem possibilidades de aplicação podem procurar a equipe responsável. O trabalho reúne a demonstração da parede e a investigação de novas composições para ampliar o uso da cerâmica porosa no resfriamento de espaços.

Você colocaria em casa uma parede de cerâmica que resfria o ar só com água? Deixe sua opinião nos comentários.

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parede de cerâmica que resfria com água


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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