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Quatro grupos internacionais disputam a próxima plataforma gigante do pré-sal brasileiro, enquanto Búzios se prepara para receber mais um FPSO

Quatro grupos internacionais disputam a próxima plataforma gigante do pré-sal brasileiro, enquanto Búzios se prepara para receber mais um FPSO

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Quatro grupos internacionais disputam a próxima plataforma gigante do pré-sal brasileiro, enquanto Búzios se prepara para receber mais um FPSO

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 30/10/2026 às 12:47

Atualizado em 30/10/2026 às 12:48

Petróleo e Gás

Grupo

Imagem ilustrativa produzida digitalmente para representar a licitação do FPSO Búzios 12. Não retrata a futura P-91 nem um estaleiro específico.

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Quatro grupos internacionais estão na disputa pelo FPSO Búzios 12, futura P-91 da Petrobras. Projeto prevê 180 mil barris por dia e escoamento de gás para o Rio; propostas podem ser enviadas até março de 2027.

Uma disputa que reúne empresas da Ásia, Europa e Brasil está tomando forma em torno de uma das maiores encomendas previstas para o pré-sal. Quatro grupos internacionais estão no páreo pela futura plataforma Búzios 12, a P-91, projetada para retirar até 180 mil barris de petróleo por dia e funcionar como uma importante saída para o gás natural produzido no mar. O equipamento será destinado ao campo de Búzios, na Bacia de Santos, onde a Petrobras prepara mais uma etapa de expansão.

Os grupos citados em reportagem da Brasil Energia, publicada em 27 de outubro de 2026, são Modec, Cooec, Seatrium em associação com a Ocyan e Hanwha em associação com a Bumi Armada. A lista revela o interesse internacional pela construção e operação inicial de um navio-plataforma de grande porte, mas não representa a escolha de uma vencedora. O prazo oficial para apresentação das propostas está marcado para 8 de março de 2027.

Japão, China, Singapura e Coreia do Sul entram na corrida por um único navio-plataforma

Os quatro concorrentes reúnem diferentes trajetórias na indústria de equipamentos offshore. A Modec é um grupo japonês especializado em unidades flutuantes; a Cooec, identificada pelo nome China Offshore Oil Engineering, representa a presença chinesa na disputa. Na terceira frente aparece a Seatrium, de Singapura, junto da brasileira Ocyan. A quarta é formada pela sul-coreana Hanwha e pela malaia Bumi Armada Berhad.

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O projeto objeto da concorrência é uma plataforma, não quatro navios. Os grupos disputam a possibilidade de assumir o contrato. A informação sobre os interessados é diferente de uma decisão de adjudicação, da assinatura do acordo ou da entrega física da unidade. Nenhuma dessas etapas foi anunciada como concluída na notícia de 27 de outubro.

Em abril de 2026, a mesma licitação já atraía a atenção de Cooec, Hanwha e Seatrium, conforme registro do Sindicato Nacional dos Condutores da Marinha Mercante. A notícia de outubro passa a mencionar também a Modec entre os quatro grupos no páreo. O aumento de interessados pode ampliar a competição comercial, embora o desfecho dependa da análise das propostas e das condições do edital.

Projeto da P-91 prevê 180 mil barris de petróleo por dia e 12 milhões de metros cúbicos de gás

O FPSO Búzios 12, conhecido no programa de investimentos da Petrobras como P-91, foi concebido para produzir até 180 mil barris de óleo por dia e processar até 12 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A Petrobras divulgou essas especificações quando abriu a contratação, em 3 de outubro de 2025.

A plataforma será conectada a 16 poços: oito produtores e oito injetores que poderão alternar injeções de água e gás conforme o planejamento do reservatório. Nas águas profundas do campo, equipamentos e tubulações submarinas levam os fluidos do fundo do mar até a unidade, onde o petróleo, a água e os gases passam por separação e tratamento antes de seguirem seus caminhos.

O nome FPSO vem de uma expressão em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência. O navio reúne instalações industriais sobre um casco de grandes dimensões e pode armazenar petróleo antes da retirada por outras embarcações. As capacidades anunciadas para a P-91 são valores de projeto: a unidade ainda precisa ser contratada, construída e colocada em funcionamento, e sua produção real dependerá da operação dos poços.

O diferencial da futura plataforma estará no gás de outras unidades do campo de Búzios

A P-91 terá uma tarefa que ultrapassa a extração do óleo de seus próprios poços. A Petrobras quer usá-la como um centro de recebimento e exportação de gás natural produzido também por outras plataformas de Búzios. Isso poderá aproveitar volumes de unidades que não foram originalmente concebidas para mandar todo o gás produzido ao continente.

O plano prevê enviar esse gás pelo gasoduto Rota 3 até o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, no Rio de Janeiro. Depois do tratamento, o combustível poderá seguir para consumidores da indústria e de outros segmentos, de acordo com a infraestrutura e as condições comerciais. A iniciativa se conecta à discussão sobre ampliar a oferta doméstica de gás do pré-sal.

O benefício depende da entrada futura da plataforma e da capacidade efetiva dos sistemas de escoamento. Processar 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia é uma especificação técnica do projeto, não um anúncio de que esse volume adicional já chegou ao mercado, nem uma promessa automática de redução da conta de gás para o consumidor.

O assunto ganhou peso em 2026. Segundo o balanço operacional publicado pela Petrobras em 28 de outubro, pela primeira vez as plataformas de Búzios superaram 11 milhões de metros cúbicos por dia de exportação média de gás natural no terceiro trimestre. A futura P-91 foi desenhada para dar continuidade à expansão dessa estrutura de transporte.

Empresas terão até março de 2027 para apresentar propostas, com exigência de 25% de conteúdo local

O processo de contratação tem identificação pública: oportunidade nº 7004433974. No aviso oficial do portal Petronect, o prazo para receber propostas aparece prorrogado para 8 de março de 2027. Isso explica por que a notícia de outubro se refere a concorrentes interessados e não a um contrato já assinado ou a uma plataforma com fabricação iniciada sob essa contratação.

A P-82, navio-plataforma destinado a Búzios, ainda em Singapura antes de chegar ao Brasil. Foto oficial de arquivo: Seatrium/Divulgação via Agência Petrobras (outubro de 2026). A unidade fotografada é P-82, não a futura P-91.

Outra regra importante é o mínimo de 25% de conteúdo local. Em linhas gerais, essa exigência procura garantir uma participação brasileira na cadeia de bens e serviços do empreendimento, que pode incluir engenharia, equipamentos e etapas industriais. O percentual não significa que 25% do casco será necessariamente produzido no Brasil, nem fornece um número de empregos já contratados.

O formato de contratação também difere daquele usado em alguns FPSOs já encomendados para Búzios. A Petrobras escolheu o modelo BOT, sigla para Build-Operate-Transfer. Nesse arranjo, a contratada assume projeto, construção, montagem e operação inicial por um período previsto em contrato; posteriormente a operação é transferida à Petrobras. Os termos econômicos e o calendário definitivo dependerão da concorrência.

Em projetos da série P-80 e P-82, a Petrobras utilizou um modelo EPC, no qual o contratado cuida de engenharia, aquisição de materiais, construção e comissionamento antes da entrega. A mudança de modelo da P-91 altera a responsabilidade operacional inicial e a organização do contrato, sem antecipar quem será a empresa vencedora.

Enquanto a P-91 está em licitação, outros gigantes já cruzam o oceano para trabalhar em Búzios

A dimensão da concorrência aparece no que já está acontecendo no campo. A P-80, unidade de Búzios 9, deixou Singapura em 30 de setembro de 2026. Pouco depois, em 18 de outubro, foi a vez de a P-82, destinada a Búzios 10, iniciar sua viagem. São navios-plataforma de 345,3 metros de comprimento, 60 metros de largura e peso superior a 100 mil toneladas, segundo a Petrobras.

Essas unidades têm capacidade nominal de até 225 mil barris de óleo por dia cada e podem comprimir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. A produção é prevista para 2027, depois das etapas de instalação e comissionamento. A P-91 terá outro desenho e capacidade planejada de 180 mil barris por dia, de acordo com o edital, portanto as dimensões das plataformas da série 80 não devem ser atribuídas automaticamente à futura Búzios 12.

P-80 deixa Singapura em setembro de 2026 rumo ao campo de Búzios. Foto oficial de arquivo: Petrobras/Divulgação. A imagem mostra a P-80, não a P-91 em licitação.

As obras das P-80 e P-82 mostram por que a licitação da próxima unidade desperta interesse da cadeia brasileira. A Petrobras informou, em 19 de outubro, que módulos da P-82 foram fabricados no estaleiro Seatrium Aracruz, no Espírito Santo; a P-80 teve módulos fabricados em Angra dos Reis, no Rio. São exemplos reais de atividades executadas no país, mas não contratos já atribuídos para a P-91.

Búzios é o maior campo brasileiro em produção e precisa ligar novos poços a estruturas cada vez mais complexas

O campo de Búzios fica a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, em águas com mais de 2 mil metros de profundidade, no pré-sal da Bacia de Santos. Descoberto em 2010, cresceu até superar 1,2 milhão de barris por dia em junho de 2026, com oito FPSOs produtores. A sequência de navios-plataforma é parte do esforço para manter a expansão de um dos maiores projetos de petróleo do mundo em águas profundas.

A Petrobras opera Búzios com 88,99% de participação, enquanto CNOOC e CNPC possuem 7,34% e 3,67%, respectivamente, segundo o aviso da licitação. Essas participações pertencem ao consórcio de exploração e produção: são uma realidade diferente dos quatro grupos de engenharia e operação interessados no contrato da P-91.

O cronograma divulgado para as plataformas já contratadas prevê 11 unidades em operação até o fim de 2027. A 12ª, Búzios 12, ainda depende da escolha da fornecedora, da construção, dos testes e do início efetivo da produção. A reportagem da Brasil Energia registrou quatro grupos no páreo em outubro, mas não divulgou uma oferta vencedora, valor de contrato ou data definitiva para o primeiro óleo da P-91.

O próximo fato decisivo será o avanço da concorrência no portal de contratação. Para o Brasil, ela envolve uma encomenda com exigência de participação local, uma nova estrutura de produção no pré-sal e um projeto que pode ampliar o escoamento de gás até Itaboraí. Você acredita que a indústria naval brasileira deve ampliar sua participação na construção dessas plataformas gigantes? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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