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Quem fabrica roupa no Brasil vendeu US$ 219,9 milhões ao mundo e só US$ 0,3 milhão aos países da EFTA em 2025, e a Noruega zera a tarifa de 249 produtos neste domingo (1º)
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 01/11/2026 às 01:25
Economia
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O acordo Mercosul-EFTA de livre comércio passa a valer entre Brasil e Noruega neste domingo (1º), e a primeira mudança cai sobre roupa: 249 produtos de vestuário e têxteis que pagavam de 5,6% a 10,7% para entrar no mercado norueguês ficam com tarifa zero.
É um mercado em que o Brasil quase não vende roupa. Em 2025, o país exportou US$ 219,9 milhões em vestuário e têxteis confeccionados para o mundo, mas apenas US$ 0,3 milhão para os quatro países da EFTA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Para o governo, a diferença mostra espaço para vender roupas de cama, mesa e banho, camisetas, calças, roupas de banho e lingerie.
O que muda a partir de domingo
A nota do MDIC publicada neste sábado (31) diz que a maior parte das concessões vale desde o primeiro dia. Além do vestuário, entram com tarifa zero leveduras, óleos vegetais refinados e uma série de alimentos industrializados.
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Considerando produtos agrícolas e industriais, 99,8% do valor que o Brasil exporta para a Noruega terá acesso em livre comércio, respeitadas as condições de cada produto. Para o bloco inteiro, a fatia é de quase 99%.
A Noruega já absorve cerca de 40% das exportações brasileiras para a EFTA, segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.
Fermento com 21% de tarifa vai a zero
Na indústria de alimentos, o destaque é o fermento. A Noruega zera a tarifa de 21% sobre o fermento de panificação e as leveduras inativas, além dos direitos sobre leveduras para ração de peixes.
Esse é um item em que o Brasil já vende bem ao país nórdico: foram US$ 23,2 milhões em 2025, 97% de tudo o que o Brasil vendeu desse grupo à EFTA.
Chocolate, biscoito, cerveja e óleo refinado
A lista de tarifa zero inclui os óleos vegetais refinados, que pagavam de 12,7% a 14,4%, parte dos sorvetes (28%) e xaropes aromatizados para bebidas (19%).
Também ficam livres chocolates, biscoitos doces, pães, a maior parte dos cereais matinais, massas cozidas ou recheadas, manteiga de amendoim, cerveja e rações para peixes. Caem, sem zerar, os direitos sobre massas secas, torradas, waffles e os demais sorvetes.
Remédio e sapato são as próximas apostas
O MDIC cruzou os dados de comércio de 2025 para apontar onde há espaço. A EFTA importou cerca de US$ 53 bilhões em medicamentos do mundo, mas o Brasil vendeu só US$ 5,57 milhões ao bloco, contra US$ 556,4 milhões ao mercado mundial.
Em calçados de couro, a conta é parecida. As compras da EFTA somaram US$ 805,81 milhões, e o Brasil vendeu US$ 10,59 milhões ao bloco, ante US$ 255,02 milhões ao mundo. Joalheria e máquinas e aparelhos mecânicos também aparecem na lista de potencial imediato.
Menos papelada para exportar
O acordo mexe também com as exigências técnicas. Quando a Noruega aceitar a declaração de conformidade do próprio fornecedor, laudos de laboratórios do Mercosul passam a valer como prova de que o produto cumpre as regras.
Para elétricos e eletrônicos, um anexo específico tenta evitar que a mesma certificação seja feita duas vezes. A Noruega ainda se compromete a usar normas internacionais e a abrir consultas públicas de pelo menos 60 dias às empresas brasileiras.
Há ainda regras práticas para quem embarca: aceitação de rótulos em diferentes idiomas e de pictogramas internacionais e a possibilidade de ajustar a rotulagem em entrepostos aduaneiros, quando viável.
Para o Brasil, a abertura é gradual
A conta não é igual dos dois lados. Os países da EFTA eliminam de imediato as tarifas sobre produtos industriais e pesqueiros. Já o Brasil reduz as suas em cronogramas que chegam a 15 anos.
O texto também traz regras sobre serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.
Islândia já vale, Suíça ainda não
A EFTA reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, com cerca de 15 milhões de habitantes e PIB de US$ 1,4 trilhão. O acordo foi assinado em 16 de setembro de 2025.
Com a Islândia, as preferências começaram em 1º de outubro, como o CPG mostrou ao tratar do café brasileiro na nova rota europeia. Com a Noruega, a vigência começa neste domingo, mesma data em que o acordo passa a valer entre a Noruega e o Uruguai.
Suíça e Liechtenstein ainda dependem de procedimentos internos. Do lado do Mercosul, Argentina e Paraguai seguem com os trâmites para internalizar o tratado, segundo o Valor Econômico e o MDIC.
O que diz o governo
“O início da vigência das novas tarifas entre Brasil e Noruega, no âmbito do acordo Mercosul-EFTA, abre novas oportunidades para empresas brasileiras e norueguesas”, afirmou o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa.
Tatiana Prazeres resumiu o desafio: “O desafio agora é ampliar o comércio a partir desse diferencial competitivo que o acordo oferece”. Quando o tratado foi assinado, o CPG detalhou as 10 mudanças do acordo Mercosul-EFTA.
A partir de domingo, a tarifa deixa de ser a barreira para esses produtos no mercado norueguês. Você acha que as confecções brasileiras conseguem disputar o mercado norueguês com a tarifa zero? Conte nos comentários.
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Acordo Mercosul-EFTA abre novas oportunidades para exportações brasileiras à Noruega em 1º de novembro
Acordo Mercosul-EFTA começa a valer entre Brasil e Noruega neste domingo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

