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Quem trabalha na MRN em Porto Trombetas (PA) acompanha a chegada dos quatro reatores chineses da subestação que vai ligar a mineradora de bauxita ao Sistema Interligado Nacional por 98 km de linha de 230 kV

Quem trabalha na MRN em Porto Trombetas (PA) acompanha a chegada dos quatro reatores chineses da subestação que vai ligar a mineradora de bauxita ao Sistema Interligado Nacional por 98 km de linha de 230 kV

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Quem trabalha na MRN em Porto Trombetas (PA) acompanha a chegada dos quatro reatores chineses da subestação que vai ligar a mineradora de bauxita ao Sistema Interligado Nacional por 98 km de linha de 230 kV

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 25/10/2026 às 21:25

Atualizado em 25/10/2026 às 21:26

Geração de Energia

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A Mineração Rio do Norte recebeu os quatro reatores fabricados na China que vão controlar a tensão na Subestação Saracá, ponta da linha de 98 km e 230 kV que deve ligar Porto Trombetas, no oeste do Pará, ao Sistema Interligado Nacional no primeiro trimestre de 2027.

Para quem trabalha na extração de bauxita em Oriximiná, a chegada dos equipamentos marca mais uma etapa de uma obra que vai mudar de onde vem a energia da operação da MRN.

Segundo a revista Brasil Mineral, que publicou a notícia na sexta (23), são quatro reatores de derivação do tipo Shunt. Eles serão instalados na Subestação Saracá para controlar a tensão e dar estabilidade ao sistema elétrico.

Os reatores fecham a ponta da linha em Porto Trombetas

O Projeto Linha de Transmissão, chamado de PLT pela mineradora, tem 98 km de extensão, 232 torres e tensão de 230 kV. A linha liga a subestação de Oriximiná à nova Subestação Saracá, já em Porto Trombetas.

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Com a conexão ao Sistema Interligado Nacional, a MRN muda a matriz energética da operação. A empresa projeta reduzir em cerca de 90% as emissões de gases de efeito estufa associadas à geração de energia.

Em junho, a própria MRN tinha estimado, também à Brasil Mineral, que a ligação ao SIN reduziria em 25% a pegada de carbono total da companhia a partir de 2027.

“Esta linha representa uma mudança de patamar para a MRN”, afirmou Leonardo Paiva, diretor de Implantação. Segundo ele, a obra fortalece a segurança energética, reduz a pegada de carbono e cria condições para o futuro da companhia.

Porto da vila de Porto Trombetas, onde fica a operação da MRN. Foto: Carolina de Melo Franco/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Duas torres têm 178 metros, a altura de um prédio de 60 andares

O trecho mais difícil da obra é a travessia do rio Trombetas. São 5,2 km sobre a água, com cinco torres de grande porte, e esse trecho concentra cerca de metade de todo o concreto, aço e estrutura metálica do projeto.

As duas maiores, identificadas como TO-28/1 e TO-30/1, têm 178 metros de altura cada. A MRN compara cada uma a cinco Cristos Redentores ou a um edifício de 60 andares.

Segundo a empresa, são as maiores estruturas do Brasil construídas em perfil cantoneira sobre leito de água. A primeira torre da travessia, com 150 metros, foi concluída em junho.

Em setembro, a mineradora informou que as cinco torres da travessia já estavam prontas e que a linha tinha alcançado 63% de avanço físico em agosto.

Engenheiros da MRN acompanharam a fabricação na China

O recebimento dos reatores foi precedido de um acompanhamento técnico iniciado em outubro de 2025, segundo a Brasil Mineral. Engenheiros e especialistas da mineradora visitaram fábricas da TEEE, em Tianjin, e da CHINT, em Xangai.

A equipe acompanhou testes e controles de qualidade e conferiu se os componentes seguiam os padrões técnicos internacionais exigidos pelo projeto.

“Buscamos referências internacionais e acompanhamos de perto a fabricação dos componentes para garantir o atendimento aos requisitos do projeto”, disse Guilherme Bomfim, líder de Projeto da MRN.

A subestação usa equipamento isolado a gás por causa do clima

A Subestação Saracá terá equipamentos de manobra e proteção isolados a gás, tecnologia conhecida pela sigla GIS. A solução ocupa menos espaço e fica mais protegida das condições climáticas da Amazônia.

Ao todo, serão 11 módulos GIS, cinco de 230 kV e seis de 69 kV. Os reatores Shunt entram nessa mesma estrutura para manter a tensão dentro dos parâmetros definidos para o funcionamento do sistema.

Levar peça grande até a floresta é parte do desafio

A execução do PLT combina engenharia e logística. Componentes de grande porte precisam chegar a áreas remotas, os acessos são abertos de forma controlada e várias frentes de trabalho avançam ao mesmo tempo.

Durante a obra, a MRN diz manter monitoramento e resgate de fauna e flora e técnicas para reduzir impactos sobre rios, lagos, igarapés, solo e floresta. A empresa mantém diálogo com 19 comunidades da área de influência.

O rio Trombetas, que a linha atravessa em 5,2 km. Foto: Carolina de Melo Franco/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A obra já empregou 1,1 mil pessoas, a maioria do Pará

Segundo o balanço semestral da mineradora, divulgado em setembro, as obras da linha geraram 1,1 mil empregos, dos quais 67% foram ocupados por trabalhadores do próprio Pará.

No primeiro semestre de 2026, a MRN produziu 5,5 milhões de toneladas de bauxita e manteve 7.711 trabalhadores. Entre os empregados próprios, 85,61% são paraenses, de acordo com o mesmo balanço.

A linha prepara o terreno para as minas que vêm aí

A nova infraestrutura também sustenta o Projeto Novas Minas, que prevê R$ 5 bilhões em cinco anos e deve manter a operação no oeste do Pará até 2041, com 2,3 mil novos postos de trabalho nas obras.

O projeto obteve a Licença de Instalação em abril e abre novas áreas de mineração em Oriximiná, Terra Santa e Faro. Quando o Ibama liberou as novas minas de bauxita da MRN, a operação até 2041 já era o horizonte.

Olhando assim, os reatores são uma peça pequena num projeto grande. Mas são eles que vão segurar a tensão quando a energia da rede nacional chegar à subestação de Porto Trombetas.

Os detalhes técnicos estão na reportagem da Brasil Mineral sobre a chegada dos equipamentos.

Você acha que ligar minas da Amazônia à rede nacional vale o desafio de erguer torres de 178 metros sobre um rio?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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