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Quem vive em Barra do Ribeiro (RS) espera para esta quinta (22) a licença prévia da fábrica de celulose de R$ 27 bilhões da CMPC, liberada depois do aval da Funai a um projeto que ainda enfrenta ação do MPF
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 22/10/2026 às 05:15
Atualizado em 22/10/2026 às 05:40
Economia
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A licença prévia da fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro foi marcada para esta quinta-feira (22), um dia depois do parecer favorável da Funai, e destrava o Projeto Natureza, de R$ 27 bilhões, que a imprensa gaúcha chama de maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul.
A informação foi publicada na noite de quarta-feira (21) pela colunista Giane Guerra, da GZH. O documento sai da Fundação Estadual de Proteção Ambiental, a Fepam, e era esperado havia meses.
Para quem vive em Barra do Ribeiro, na região metropolitana de Porto Alegre, a data marca o fim de uma espera longa. A cidade foi escolhida pela chilena CMPC para receber uma fábrica nova de celulose, separada da unidade que a empresa já opera em Guaíba.
O papel que faltava veio da Funai na quarta-feira
Segundo a coluna, a Fepam só aguardava um parecer da Fundação Nacional dos Povos Indígenas. A Funai precisava dizer se o estudo feito pela empresa sobre os impactos nas comunidades era suficiente, sem exigir uma consulta mais ampla.
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O aval saiu na quarta-feira (21). De acordo com a Rádio Pampa, a Funai concluiu a consulta a representantes do povo Kaingang e o parecer favorável seria entregue à Fepam para liberar a licença prévia.
Com isso, a última peça que segurava o documento estadual saiu do caminho. A emissão ficou marcada para a quinta-feira (22), conforme a reportagem da GZH publicada às vésperas da data.
Licença prévia ainda não autoriza obra em Barra do Ribeiro
A licença prévia atesta a viabilidade ambiental de um projeto, mas não libera máquinas no terreno. Depois dela, a empresa precisa buscar a licença de instalação, que é o documento que autoriza o início das obras.
Ou seja, o morador de Barra do Ribeiro não vai ver canteiro aberto na sexta-feira. O que muda agora é o status do projeto, que passa de pedido em análise para empreendimento com viabilidade ambiental reconhecida pelo órgão estadual.
Ainda assim, a etapa pesa. Segundo a GZH, com a licença prévia está tudo bem encaminhado para que a direção global da CMPC aprove o projeto brasileiro, que chegou a correr o risco de não ser realizado.
Fábrica de 2,5 milhões de toneladas fica a 26 km de Guaíba
Quando o Projeto Natureza foi apresentado, a CMPC falava em uma fábrica com capacidade para 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, com entrada em operação prevista para 2029, segundo entrevista do diretor Antonio Lacerda ao AgFeed, em fevereiro de 2025.
Na mesma reportagem, o investimento aparecia como R$ 24 bilhões. O valor citado hoje pela imprensa gaúcha é de R$ 27 bilhões, somando a fábrica, o terminal portuário e outras estruturas previstas no estado.
Barra do Ribeiro fica a cerca de 26 quilômetros de Guaíba, onde a CMPC já produz celulose. A fábrica atual será mantida, conforme a GZH, e as duas unidades vão funcionar lado a lado na mesma região.
Diretor fala em maior polo de celulose do mundo
A proximidade entre as duas plantas é o argumento central da empresa. “Vamos ter o maior pólo de celulose no mundo. Em nenhum lugar do mundo, existem duas fábricas tão perto e produzindo em quantidades tão relevantes”, disse Lacerda ao AgFeed.
A frase mirava as concorrentes Suzano, Arauco e Bracell, que concentram seus megaprojetos na região de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. A CMPC escolheu outro caminho e reforçou a aposta no Rio Grande do Sul.
Segundo o AgFeed, a companhia reúne no estado mais de mil propriedades e 500 mil hectares sob sua influência, número que dá a medida da presença da CMPC no campo gaúcho.
Terminal em Rio Grande já tinha licença desde junho
A outra ponta do projeto está no litoral. A CMPC prevê um terminal próprio de exportação de celulose no porto de Rio Grande, orçado em R$ 1,3 bilhão pelo Jornal do Comércio e em R$ 1,5 bilhão pela GZH.
Segundo o Jornal do Comércio, a licença prévia do terminal foi entregue pela Fepam em junho, com contrapartidas. Uma delas é aumentar o calado perto do terminal de 9,5 para 12,5 metros, com R$ 140 milhões em dragagem do canal de acesso.
O contrato da área no porto, de 412 mil metros quadrados, foi marcado para 9 de setembro pela Superintendência do Patrimônio da União, com outorga de R$ 2,14 milhões, conforme a mesma reportagem.
Navios maiores em Rio Grande entram na conta
Para a CMPC, a dragagem vai além da celulose. “Navios maiores poderão entrar no Porto de Rio Grande, que se tornará mais competitivo”, afirmou Lacerda ao Jornal do Comércio, citando também fertilizantes e grãos.
O diretor completou que é disso que o estado precisa. Na avaliação dele, o porto mais fundo favorece outras indústrias que quiserem se instalar na região. Segundo o jornal, os armazéns do complexo serão reformados e poderão ser usados por outras empresas.
Ação do MPF tentou travar o licenciamento
O caminho até a licença não foi tranquilo. O procurador do Ministério Público Federal Ricardo Massia Gralha ajuizou ação para suspender o licenciamento, segundo a GZH, com o argumento de que faltava consultar uma área muito maior.
O MPF pedia consulta a indígenas, quilombolas e pescadores de uma região bem mais ampla que a exigida inicialmente pela Funai. Em duas decisões preliminares, porém, a Justiça negou a interrupção do processo.
Os argumentos foram de que a Fepam é o órgão adequado para a avaliação ambiental e de que não cabia ao Judiciário atuar enquanto ainda não havia nem licença emitida, conforme relatou a colunista.
Processo judicial continua aberto
A ação não foi extinta. Segundo a GZH, o parecer da Funai e a licença da Fepam enfraquecem o pedido do MPF, mas a discussão segue na Justiça Federal e ainda pode render novos capítulos.
A Rádio Pampa descreveu o episódio como uma novela. Depois de cumprir as exigências do caderno inicial, a CMPC foi surpreendida por solicitações adicionais do MPF, que deram origem à ação que tramita na Justiça Federal.
Venda no Chile reforçou o caixa para o projeto
O investimento é alto mesmo para uma gigante mundial de celulose, observou a GZH. No mês passado, a CMPC vendeu uma operação de embalagens no Chile por US$ 420 milhões, o que melhorou o caixa da companhia.
Com a licença prévia, a decisão passa à direção global da CMPC. É ela que ainda precisa aprovar o projeto brasileiro, que, segundo a GZH, agora está bem encaminhado.
O que Barra do Ribeiro acompanha a partir de agora
Para a cidade, os próximos marcos são a aprovação da direção global da CMPC e a licença de instalação. Só depois disso o canteiro de uma fábrica de R$ 27 bilhões pode, de fato, começar.
Olhando assim, é difícil não ver o tamanho da aposta: uma cidade da região metropolitana de Porto Alegre no centro de um projeto que mexe com porto, indústria e campo em boa parte do estado.
Você acha que a licença prévia é suficiente para tirar do papel a fábrica de celulose de R$ 27 bilhões em Barra do Ribeiro?
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Fontes
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

