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R$ 3,3 bilhões levam mineração para baixo da terra na Bahia e vão criar mina subterrânea única de níquel sulfetado na América Latina
Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/10/2026 às 07:58
Mineração
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Projeto da Atlantic Nickel avança em Itagibá com mais de 600 metros de túneis escavados e prevê transformar a atual operação a céu aberto em uma mina subterrânea capaz de funcionar por mais de três décadas.
A transformação da Mina Santa Rita, em Itagibá, no sul da Bahia, avançou para dentro da rocha. Depois da detonação que abriu o Portal Sul em 26 de março de 2026, o projeto subterrâneo da Atlantic Nickel já ultrapassou 600 metros de túneis escavados.
O plano prevê cerca de R$ 3,3 bilhões em investimentos até 2030 e pode prolongar a atividade mineral no local por mais de três décadas.
Atualmente, Santa Rita ainda funciona como uma mina a céu aberto. A estratégia da Atlantic Nickel é acessar uma mineralização de níquel sulfetado de maior teor localizada abaixo da cava existente e realizar uma transição gradual para a lavra subterrânea.
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A Brasil Mineral classifica o empreendimento futuro como a única mina subterrânea de níquel sulfetado da América Latina. Em comunicações recentes, Atlantic Nickel, Appian Capital e Ibram também destacam a dimensão do projeto e seu potencial para se tornar uma das principais operações subterrâneas de níquel da região.
A mudança pode alterar de forma significativa a vida útil do ativo. Antes do desenvolvimento subterrâneo, a projeção para a continuidade da lavra a céu aberto era de aproximadamente oito anos.
Com os recursos minerais identificados em profundidade, porém, a companhia trabalha com a possibilidade de manter Santa Rita em atividade por mais de 30 anos.
Mais de 600 metros de túneis já foram escavados na Bahia
O ponto de partida físico do Santa Rita Underground ocorreu em março de 2026, quando a Atlantic Nickel realizou o primeiro desmonte de rocha para abrir o acesso pelo Portal Sul.
Naquele momento, a previsão apresentada era de aproximadamente R$ 3,3 bilhões em aportes até 2030.
Os trabalhos iniciais começaram antes da decisão final de investimento. A estratégia, segundo a Appian Capital, busca antecipar etapas de desenvolvimento e reduzir riscos relacionados ao cronograma enquanto estudos técnicos e estruturas de financiamento avançam.
Em atualização divulgada em 5 de outubro de 2026, a Appian informou que mais de 600 metros de túneis haviam sido escavados desde a abertura do portal.
Ao mesmo tempo, o Estudo Definitivo de Viabilidade, conhecido pela sigla DFS, permanece em desenvolvimento.
Esse ponto modifica parcialmente o cronograma apresentado no início do ano. Em março e abril, a expectativa era concluir o estudo definitivo até meados de 2026 e avançar posteriormente para uma decisão de investimento.
Na atualização mais recente disponível, entretanto, a conclusão formal do DFS ainda não havia sido anunciada.
A expectativa divulgada anteriormente é de que a produção subterrânea possa começar até 2028, embora o cronograma dependa das etapas técnicas, financeiras, regulatórias e construtivas ainda em andamento.
Minério de maior teor pode elevar produção sem ampliar a planta
Um dos principais motivos para levar a mineração para o subsolo está na qualidade do minério encontrado abaixo da cava atual.
Segundo a Atlantic Nickel, a mineralização subterrânea apresenta teor de níquel superior ao material extraído atualmente pela lavra a céu aberto.
Com isso, a empresa espera processar volumes semelhantes na estrutura de beneficiamento já existente e obter maior quantidade de metal contido.
A estratégia permite aproveitar equipamentos e instalações já construídos em Santa Rita, reduzindo a necessidade de uma expansão proporcional da planta de processamento.
A unidade possui capacidade próxima de 6,5 milhões a 6,6 milhões de toneladas de minério por ano.
Depois da extração, o material passa por etapas de britagem, moagem e flotação para produzir concentrado de níquel sulfetado. O produto também contém metais como cobre, cobalto, ouro, platina e paládio.
O Estudo de Pré-Viabilidade concluído em 2024 apontou potencial para uma operação subterrânea com produção próxima de 30 mil toneladas de níquel equivalente por ano.
O indicador considera o valor do níquel e dos outros metais presentes no minério. Por isso, não significa a produção de 30 mil toneladas de níquel puro.
Lavra subterrânea utilizará método adotado em grandes operações
Para alcançar o depósito em profundidade, o projeto prevê o uso do método conhecido como sublevel caving.
Nesse sistema, o corpo mineralizado é dividido em diferentes níveis subterrâneos. Após a fragmentação controlada da rocha, o minério desce por gravidade até pontos de carregamento, de onde é retirado e transportado para as etapas seguintes.
O método é utilizado em grandes operações minerais em diferentes países e foi escolhido levando em consideração as características geológicas de Santa Rita, a recuperação dos recursos e a capacidade de manter elevados volumes de produção.
A Atlantic Nickel também associa o projeto subterrâneo à possibilidade de reduzir novas interferências na superfície em comparação com uma expansão contínua da cava aberta.
A operação subterrânea deverá ser desenvolvida enquanto a atual mina a céu aberto continua em funcionamento.
Dessa forma, Santa Rita pode continuar produzindo concentrado durante a preparação dos acessos, túneis e demais estruturas necessárias para a nova fase da mineração.
Mina bateu recorde enquanto projeto subterrâneo avançava
O desenvolvimento no subsolo ocorre em um período de crescimento da produção na operação existente.
Em agosto de 2026, Santa Rita produziu 12.464 toneladas de concentrado de níquel, maior resultado mensal desde a retomada da mina sob controle da Appian, em 2019.
A recuperação metalúrgica chegou a 86,72%, também recorde desde o reinício das atividades.
No primeiro semestre de 2026, foram processadas 3,39 milhões de toneladas de minério. No período, a Atlantic Nickel registrou receita bruta de US$ 163,3 milhões e Ebitda ajustado de US$ 66,5 milhões.
Durante os seis primeiros meses do ano, a companhia embarcou 49.717 toneladas de concentrado para clientes no Canadá, Finlândia e China.
A operação atual é resultado de uma recuperação iniciada anos antes. Santa Rita enfrentou dificuldades após a queda do preço do níquel e teve as atividades interrompidas em 2015.
A Appian adquiriu o ativo em 2018, reformulou o projeto e retomou a produção por meio da Atlantic Nickel em 2019.
Em 2025, a mina registrou aproximadamente 122 mil toneladas de concentrado produzido, além de cerca de 121 mil toneladas exportadas.
Níquel sulfetado amplia importância estratégica de Santa Rita
Santa Rita produz níquel na forma de concentrado sulfetado, além de recuperar outros metais presentes no depósito.
O níquel possui ampla utilização na produção de aços inoxidáveis e ligas metálicas e também pode integrar, após processamento e refino, cadeias industriais ligadas à fabricação de baterias.
A mina está localizada em Itagibá, próxima a Ipiaú, e sua planta fica a aproximadamente 140 quilômetros do Porto de Ilhéus, utilizado para o escoamento das exportações.
Durante a Exposibram 2026, o Ibram informou que a Atlantic Nickel é atualmente a única produtora de níquel sulfetado do Brasil e destacou o Santa Rita Underground entre os projetos de expansão da mineração brasileira.
Com mais de 600 metros de túneis já executados, o projeto deixou de existir apenas no planejamento e entrou em uma etapa física de desenvolvimento.
A produção de Santa Rita, porém, continua predominantemente vinculada à mina a céu aberto, enquanto a companhia avança no estudo definitivo e nas obras preparatórias para a futura operação subterrânea.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

