Faça um comentário
4 min de leitura
R$ 33,28 bilhões em um só leilão: Tesouro faz maior venda de prefixados desde 2020, fixa juros até 2037 e deixa uma pergunta para o investidor: quanto a inflação pode corroer desse dinheiro no futuro?
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 14/10/2026 às 12:45
Atualizado em 14/10/2026 às 13:00
Economia
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Governo aproveitou a queda das taxas para captar bilhões, mas o rendimento dos compradores dependerá também do avanço dos preços ao longo dos anos
O Tesouro Nacional vendeu R$ 33,28 bilhões em títulos públicos prefixados no leilão de 8 de outubro de 2026. Foi o maior volume financeiro em uma primeira rodada desse tipo de operação desde dezembro de 2020.
A queda dos juros futuros ajudou a abrir espaço para a venda. Com investidores dispostos a aceitar taxas menores, o governo conseguiu captar recursos oferecendo uma remuneração inferior à exigida anteriormente.
Os valores e o contexto da operação foram detalhados em reportagem da Folhapress publicada pelo Jornal de Brasília.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Para quem compra, o atrativo está em conhecer a taxa desde o início. A dúvida aparece em outro ponto: quanto o dinheiro recebido permitirá comprar daqui a alguns anos?
Essa diferença entre rendimento e poder de compra ganha importância nos prazos mais longos. O leilão incluiu títulos com vencimento até 2037, embora a maior parte da captação tenha ficado nos papéis mais curtos.
Maior parte do dinheiro ficou nos vencimentos próximos
As Letras do Tesouro Nacional, conhecidas como LTN, responderam por aproximadamente R$ 27,86 bilhões da operação. Outros R$ 5,43 bilhões vieram das Notas do Tesouro Nacional série F, as NTN-F.
Os dois tipos têm remuneração prefixada, mas o dinheiro chega ao investidor de maneiras diferentes. Nas LTN, o pagamento ocorre no vencimento. As NTN-F distribuem juros a cada seis meses.
Só a LTN com vencimento em janeiro de 2028 movimentou R$ 17,32 bilhões, mais da metade do total vendido. O papel com vencimento em julho de 2029 acrescentou R$ 9,46 bilhões à captação.
Portanto, apesar da presença de títulos que chegam a 2037, os compradores concentraram os recursos em prazos bem menores. Esse detalhe ajuda a entender o tamanho da operação sem confundi-la com uma preferência generalizada por investimentos de uma década.
Juros menores favoreceram a venda do Tesouro
Ao emitir um título, o governo toma dinheiro emprestado e assume o compromisso de remunerar quem comprou. Quando o mercado aceita uma taxa menor, o custo dessa nova dívida diminui.
O movimento também apareceu nas ofertas do Tesouro Direto. A taxa do Prefixado 2029 passou de aproximadamente 13,9% ao ano no fim de setembro para 12,55% em 7 de outubro, véspera do leilão.
Quem comprou depois dessa redução encontrou uma remuneração menor para contratar. Já quem tinha o título na carteira pôde observar uma valorização no preço de venda do papel.
Isso não significa que a taxa do investimento antigo mudou. O que se alterou foi o valor que outros compradores estavam dispostos a pagar por ele.
Preço pode subir ou cair antes do vencimento
Um título que oferece juros mais altos tende a ficar mais atraente quando as novas ofertas passam a pagar menos. Por isso, a queda das taxas de mercado costuma elevar o preço dos prefixados já emitidos.
Essa variação recebe o nome de marcação a mercado e faz diferença para quem vende antes do prazo.
Se os juros subirem, porém, o movimento pode se inverter. O título perde valor de mercado, e uma venda antecipada pode resultar em rendimento menor que o esperado ou até em prejuízo.
Conforme explica o Tesouro Direto na página oficial sobre o Tesouro Prefixado, manter o papel até o vencimento preserva as condições de remuneração contratadas. A oscilação do preço durante esse período não altera, por si só, a taxa acertada.
Inflação define quanto o rendimento vale na prática
Conhecer a taxa não resolve toda a conta. Ao longo dos anos, o preço dos alimentos, dos serviços e de outras despesas também muda.
Se a inflação subir mais do que o comprador esperava, uma parcela maior do rendimento servirá apenas para compensar o encarecimento do custo de vida. O ganho real, que considera a inflação, ficará menor.
O prefixado permite saber a remuneração nominal contratada, mas não oferece correção automática pela inflação. Esse risco acompanha a aplicação mesmo quando o investidor espera até o vencimento.
Você fixaria a remuneração de um investimento por mais de dez anos ou preferiria um título com proteção contra a inflação?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

