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R$ 488 milhões, duas usinas e contratos de 15 anos: o que está mudando no setor de energia de São Mateus com a chegada de termelétricas

R$ 488 milhões, duas usinas e contratos de 15 anos: o que está mudando no setor de energia de São Mateus com a chegada de termelétricas

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R$ 488 milhões, duas usinas e contratos de 15 anos: o que está mudando no setor de energia de São Mateus com a chegada de termelétricas

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 02/10/2026 às 16:48

Atualizado em 02/10/2026 às 16:49

Refinaria e Termoelétrica

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Termelétricas São Mateus I e São Mateus II terão 41,2 MW de potência instalada cada e integram o novo ciclo de investimentos em energia no norte do Espírito Santo. Fonte: Ilustração

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Projetos São Mateus I e II somam 82,4 MW instalados e revelam uma diferença importante entre os novos valores oficiais e o pacote industrial divulgado no mês passado

São Mateus colocou mais um número grande no radar da energia: R$ 488,4 milhões para duas termelétricas a gás natural previstas para operar em 2028.

Os valores constam no resultado do Leilão de Reserva de Capacidade de 18 de março de 2026, divulgado pela CCEE e disponível no portal federal do PPI.

As usinas São Mateus I e São Mateus II terão 41,2 MW de potência instalada cada, somando 82,4 MW de capacidade no norte do Espírito Santo em 2028.

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O anúncio parece acrescentar quase meio bilhão ao ciclo industrial local. Só que há um detalhe nos números anteriores que muda essa leitura.

Os R$ 488,4 milhões não podem ser simplesmente somados aos R$ 1,1 bilhão

A publicação de Ricardo Frizera afirma que o novo aporte estaria fora do pacote anterior. O cruzamento com anúncios de setembro, porém, mostra sobreposição.

Em setembro, a carteira de mais de R$ 1,1 bilhão apresentada no município já incluía R$ 350 milhões atribuídos à chamada Termelétrica Urca local.

A Urca Gás confirmou participação justamente nos projetos São Mateus I e II, vencedores do mesmo leilão federal de reserva de capacidade de 2026.

Isso indica que os R$ 488,4 milhões funcionam como um valor oficial mais atualizado desses projetos, e não como um novo bloco totalmente separado.

Por isso, somar R$ 488,4 milhões integralmente ao pacote de R$ 1,1 bilhão pode inflar a conta ao repetir parte do mesmo investimento energético.

A lista apresentada em setembro integra o novo ciclo industrial de São Mateus e reunia cerca de R$ 1,152 bilhão, considerando ainda R$ 82 milhões para capacitação profissional.

Substituindo os R$ 350 milhões da térmica pelo valor oficial de R$ 488,4 milhões, a carteira passa para aproximadamente R$ 1,290 bilhão em projetos.

São Mateus I e II terão investimentos diferentes

A São Mateus I aparece no resultado do leilão com investimento de R$ 200,08 milhões, enquanto a São Mateus II soma R$ 288,35 milhões no mesmo certame.

Cada usina terá 41,2 MW instalados, mas ofertou 31,239 MW de potência ao sistema, diferença técnica importante para interpretar corretamente o projeto.

Juntas, as duas unidades terão 82,4 MW de capacidade instalada e aproximadamente 62,5 MW de potência efetivamente contratada no certame federal.

Essa diferença ocorre porque capacidade instalada e potência disponível negociada não são a mesma medida dentro da contratação do setor elétrico.

Os contratos foram enquadrados no produto de potência termelétrica de 2028, com início de suprimento previsto para 1º de outubro daquele ano.

O projeto faz parte do mesmo movimento acompanhado pelo CPG após o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, que contratou quase 19 GW.

Contratos das duas térmicas podem movimentar R$ 2,09 bilhões em 15 anos

O resultado oficial traz outro número forte: as duas usinas somam cerca de R$ 139,6 milhões por ano em receitas fixas contratadas pelo sistema elétrico.

A São Mateus I terá receita fixa anual de R$ 72,53 milhões, enquanto a São Mateus II aparece com R$ 67,08 milhões por ano durante o contrato.

Como os contratos possuem duração de 15 anos, a receita total prevista chega a aproximadamente R$ 2,09 bilhões durante todo o período contratado.

Esse valor não representa lucro líquido. Trata-se de receita contratual, sujeita a custos de implantação, operação, combustível e obrigações regulatórias.

O modelo de reserva de capacidade remunera potência disponível ao sistema para momentos em que a rede exige reforço e resposta rápida da geração.

Essa função ganhou relevância com a expansão de fontes variáveis, como solar e eólica, cuja produção depende das condições de sol e vento ao longo do dia.

O avanço também acompanha a expansão térmica provocada pelo leilão de capacidade, que ampliou a demanda por turbinas, motores e geradores no Brasil.

Gás natural entra no centro do novo ciclo industrial de São Mateus

Em São Mateus, o gás natural será o combustível das duas unidades, aproximando o novo investimento da cadeia energética já presente na região.

O município também vive outro movimento industrial, com fábricas, centros de distribuição, infraestrutura e ampliações anunciadas em setembro.

Entre os aportes estavam Marcopolo, Technobrass, centros de distribuição e investimentos em qualificação, além do projeto termelétrico da Urca.

Esse cruzamento de projetos ajuda a explicar por que energia, logística e mão de obra aparecem juntas na estratégia de expansão do município.

Além das térmicas, o setor de gás vive uma nova onda de infraestrutura, como mostra o plano da TBG para atender termelétricas contratadas até 2031.

Obras podem movimentar fornecedores e centenas de trabalhadores

Para fornecedores locais, a implantação das térmicas pode abrir demanda em engenharia, montagem, elétrica, instrumentação, obras civis e transporte.

O impacto real em empregos dependerá do ritmo das obras, da contratação regional e do volume de serviços executados por empresas do entorno.

Uma reportagem local publicada em 30 de setembro citou expectativa inicial de cerca de 500 trabalhadores durante a fase de implantação das usinas.

A mesma publicação informou que as obras físicas devem avançar entre o fim de outubro e novembro, após o lançamento da pedra fundamental dos projetos.

Os dados oficiais, porém, devem servir como referência para potência e investimento, porque diferem de números preliminares divulgados localmente.

Enquanto uma publicação local citou R$ 400 milhões e 31,2 MW por unidade, o leilão registra R$ 488,4 milhões e 41,2 MW instalados em cada usina.

É justamente esse contraste que exige cuidado editorial: 31,239 MW é a potência ofertada por usina, e não a capacidade instalada total de cada planta.

São Mateus agora olha para 2028

Com os números reconciliados, São Mateus reforça sua posição no mapa energético capixaba sem precisar inflar a carteira com uma soma duplicada.

Agora, a atenção passa para licenciamento, obras, contratação de fornecedores e cumprimento do cronograma que leva as duas térmicas até 2028.

E você, acredita que a chegada de novas térmicas, indústrias e centros logísticos pode transformar São Mateus em um dos principais polos econômicos do norte capixaba?

Fonte

cce


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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