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R$ 60 bilhões, duas plataformas e 32 poços: megaprojeto da Petrobras avança em Sergipe, mas gasoduto bilionário fica em espera

R$ 60 bilhões, duas plataformas e 32 poços: megaprojeto da Petrobras avança em Sergipe, mas gasoduto bilionário fica em espera

R$ 60 bilhões, duas plataformas e 32 poços: megaprojeto da Petrobras avança em Sergipe, mas gasoduto bilionário fica em espera

Escrito por Ana Alice

Publicado em 03/10/2026 às 23:59

Petróleo e Gás

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Projeto de R$ 60 bilhões em Sergipe avança com duas plataformas da Petrobras, enquanto gasoduto bilionário aguarda definição regulatória. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Dois navios-plataforma, 32 poços e uma nova fronteira de petróleo e gás avançam no Nordeste, enquanto uma infraestrutura decisiva para levar o gás de Sergipe ao mercado aguarda definições regulatórias.

A Petrobras avança com um investimento superior a R$ 60 bilhões no projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), na Bacia de Sergipe-Alagoas, onde duas plataformas poderão produzir juntas até 240 mil barris de petróleo por dia. Enquanto os FPSOs P-81 e P-87 já foram contratados, porém, a companhia decidiu rever o ritmo da licitação do gasoduto que deverá transportar o gás produzido no mar até o continente.

A infraestrutura de escoamento terá aproximadamente 134 quilômetros, sendo 111 km no mar e 23 km em terra. O projeto do gasoduto é estimado em cerca de US$ 1 bilhão, mas entrou em compasso de espera enquanto a estatal avalia possíveis impactos das novas regras em discussão para o mercado brasileiro de gás natural.

A mudança não significa paralisação do Sergipe Águas Profundas como um todo. Os dois módulos do empreendimento já tiveram suas decisões finais de investimento aprovadas, e a Petrobras assinou em 29 de maio de 2026 os contratos com a SBM Offshore para as plataformas P-81 e P-87.

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Com produção prevista para começar a partir de 2030, o complexo deverá abrir uma nova frente de exploração de petróleo e gás em águas profundas no Nordeste e desenvolver reservas localizadas entre aproximadamente 80 e 100 quilômetros da costa.

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P-81 e P-87 poderão produzir 240 mil barris por dia

Cada um dos dois FPSOs terá capacidade para produzir até 120 mil barris de petróleo diariamente.

A P-87 será destinada ao módulo SEAP II e poderá processar 12 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O início da produção de petróleo está previsto para 2030, enquanto a exportação do gás deverá começar em 2031.

Já a P-81 atenderá o SEAP I e terá capacidade de produção também de 120 mil barris diários, além de processar 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A entrada em produção está programada para 2031.

Somadas, portanto, as duas unidades chegarão a uma capacidade instalada de 240 mil barris de petróleo e 22 milhões de metros cúbicos de processamento de gás natural por dia.

Isso não significa que todos os 22 milhões de metros cúbicos processados serão enviados diariamente para o mercado.

A Petrobras trabalha com potencial de disponibilizar aproximadamente 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia por meio do projeto. A diferença ocorre porque capacidade de processamento das plataformas e volume efetivamente disponível para escoamento e comercialização são conceitos distintos.

Projeto prevê 32 poços em águas profundas

O tamanho do Sergipe Águas Profundas vai além das duas plataformas.

Segundo a Petrobras, os módulos SEAP I e SEAP II preveem a construção e interligação de 32 poços, além da infraestrutura submarina necessária para transportar petróleo e gás das áreas produtoras até os FPSOs.

As reservas estão localizadas em águas profundas e ultraprofundas da Bacia de Sergipe-Alagoas.

As unidades de produção ficarão entre 80 e 100 quilômetros da costa, em regiões onde a profundidade da água varia aproximadamente entre 2.400 e 3.000 metros.

No SEAP II estão jazidas dos campos de Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste. O módulo reúne áreas operadas pela Petrobras em parceria com a ONGC Campos Limitada e outras em que a estatal possui participação integral.

O SEAP I envolve, por sua vez, jazidas dos campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta. A Petrobras também atua como operadora dessas áreas, inclusive em parceria com a IBV Brasil Petróleo em uma das concessões.

Ao longo da vida dos dois projetos, a companhia estima produção superior a 1 bilhão de barris de óleo equivalente, medida que reúne petróleo e gás em uma mesma unidade energética.

Gasoduto de 134 km levará gás do mar até Sergipe

Uma das estruturas mais importantes do projeto será justamente o gasoduto que agora aguarda uma definição mais clara para o avanço da contratação.

Dos aproximadamente 134 quilômetros de extensão, 111 km ficarão no trecho marítimo e outros 23 km seguirão por terra até o ponto de entrega do gás natural.

No percurso terrestre previsto no licenciamento ambiental, a infraestrutura deverá passar por municípios sergipanos como Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas, General Maynard, Carmópolis, Pirambu e Japaratuba.

A função do gasoduto será permitir que o gás tratado nas plataformas seja enviado diretamente ao continente e possa entrar na cadeia brasileira de comercialização.

Essa característica torna o SEAP diferente de projetos offshore concentrados principalmente na produção de petróleo.

A própria SBM Offshore, responsável pelos FPSOs, destaca que as plataformas foram projetadas para tratar grandes volumes de gás e exportá-lo diretamente para terra, reduzindo a necessidade de reinjeção e permitindo seu aproveitamento comercial.

Petrobras decidiu rever avanço da licitação

O ponto de incerteza surgiu justamente quando a Petrobras se preparava para avançar na contratação dessa infraestrutura.

Em 28 de setembro de 2026, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou durante a ROG.e que a companhia resolveu “dar um passo atrás” na licitação para analisar os possíveis efeitos do chamado programa de gas release sobre seu portfólio de gás.

A discussão não altera os contratos já assinados para construção das P-81 e P-87.

O que entrou em análise é a decisão relacionada ao gasoduto e à forma como o gás produzido pelo projeto se encaixará no mercado diante de uma eventual mudança regulatória.

Em agosto, informações publicadas pela Reuters já apontavam que estudos relacionados ao gasoduto, estimado em aproximadamente US$ 1 bilhão, haviam sido suspensos enquanto a Petrobras avaliava as consequências das novas regras.

O que é o gas release que afetou o planejamento

O programa de gas release está sendo discutido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como uma forma de reduzir a concentração no mercado brasileiro de gás natural.

A proposta estabelece mecanismos para ampliar a concorrência e reduzir a concentração da oferta, ainda fortemente associada à Petrobras.

A ANP abriu a Consulta Pública nº 16/2026 sobre o programa em 14 de agosto, com prazo para contribuições encerrado em 28 de setembro. A audiência pública está marcada para 21 de outubro de 2026. Portanto, até o momento, o novo modelo ainda está em processo regulatório.

Para a Petrobras, uma mudança nas regras pode alterar premissas comerciais utilizadas na avaliação dos investimentos necessários para produzir e transportar gás.

Por isso, a companhia optou por revisar o avanço da licitação antes de assumir um compromisso bilionário com a nova infraestrutura.

O movimento não equivale ao cancelamento do gasoduto. A estrutura continua prevista no projeto e também integra o processo de licenciamento ambiental do Sergipe Águas Profundas.

Plataformas já foram contratadas pela Petrobras

Enquanto o gasoduto passa por nova avaliação, a parte offshore mais visível do projeto continua avançando.

Os contratos das plataformas foram assinados pela Petrobras e pela holandesa SBM Offshore em 29 de maio de 2026.

O modelo adotado é o Build, Operate and Transfer, conhecido pela sigla BOT. Nesse formato, a SBM Offshore ficará responsável pelo projeto, construção e montagem dos FPSOs, além de operar e realizar a manutenção das unidades por um período inicial de 6,5 anos.

A Petrobras será proprietária das duas plataformas.

Os FPSOs terão como base o conceito Fast4Ward da SBM Offshore, que utiliza cascos padronizados para grandes unidades flutuantes de produção.

A P-87 ficará aproximadamente 80 quilômetros distante da costa, enquanto a P-81 deverá operar a cerca de 100 quilômetros do litoral.

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, apresenta contrato assinado para as plataformas do projeto Sergipe Águas Profundas durante evento realizado em maio de 2026. Crédito: Reprodução / Canal Gov

Sergipe Águas Profundas mira produção a partir de 2030

O cronograma atual coloca o SEAP II à frente na entrada em operação.

A P-87 tem início de produção previsto para 2030, enquanto a exportação de gás desse módulo deverá começar em 2031. Já a P-81 está programada para iniciar produção em 2031.

Com as duas unidades em operação, o projeto poderá acrescentar ao sistema brasileiro capacidade equivalente a 240 mil barris de petróleo por dia e disponibilizar volumes relevantes de gás natural produzido no próprio país.

O Sergipe Águas Profundas também representa a abertura de uma nova fronteira produtora fora das áreas que concentram atualmente grande parte da produção offshore brasileira, como as bacias de Santos e Campos.

O avanço das plataformas mostra que o empreendimento de mais de R$ 60 bilhões já entrou em uma fase concreta de execução. O gasoduto de 134 quilômetros, entretanto, tornou-se a principal etapa ainda sujeita a uma definição relevante.

Até que o debate regulatório sobre o gas release avance, Petrobras mantém em análise o próximo movimento de uma infraestrutura que será essencial para transformar o gás produzido a dezenas de quilômetros da costa em oferta efetiva para o mercado brasileiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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