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R$ 8 bilhões, alta de 18% e quase 70% do valor concentrado em apenas três minerais: os números revelam o que está por trás do avanço da mineração em 2026

R$ 8 bilhões, alta de 18% e quase 70% do valor concentrado em apenas três minerais: os números revelam o que está por trás do avanço da mineração em 2026

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R$ 8 bilhões, alta de 18% e quase 70% do valor concentrado em apenas três minerais: os números revelam o que está por trás do avanço da mineração em 2026

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 21/10/2026 às 20:00

Atualizado em 21/10/2026 às 20:01

Mineração

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Secretaria de Desenvolvimento Econômico registra 489 empresas de mineração em 210 municípios e cerca de 16 mil empregos diretos; o balanço também mostra avanço de processos ligados a terras raras, etapa que ainda não equivale à existência de minas em operação.

O indicador que sustenta o balanço da mineração baiana mede o valor da produção mineral comercializada, e não o volume físico total extraído. Essa diferença ajuda a interpretar tanto a alta de 18% quanto a concentração financeira registrada entre ouro, cobre e níquel no primeiro semestre.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) informou no dia 15 deste mês que a produção mineral comercializada alcançou R$ 8 bilhões entre janeiro e junho de 2026, avanço de 18% em relação aos mesmos seis meses de 2025.

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O ouro respondeu por 42,63% do valor informado, seguido pelo cobre, com 17,23%, e pelo níquel, com 10%. Somadas, as três participações chegam a 69,86%, enquanto os demais minerais dividiram pouco mais de 30% do total comercializado no período.

Valor comercializado não é volume extraído

A participação de cada substância na receita não corresponde automaticamente à sua participação na produção física. Preços, quantidades vendidas e condições de mercado interferem no valor obtido, por isso uma fatia maior em reais não significa o mesmo peso em toneladas produzidas.

A mesma cautela vale para o crescimento de 18%. O percentual compara o valor agregado de toda a produção mineral comercializada no primeiro semestre de 2026 com o mesmo intervalo do ano anterior, sem indicar que ouro, cobre ou níquel tenham crescido individualmente nessa proporção.

Mineração na Bahia soma R$ 8 bilhões no primeiro semestre de 2026, cresce 18% e concentra quase 70% do valor em ouro, cobre e níquel.

O resultado semestral sucede um ano em que a receita mineral da Bahia chegou a R$ 13,4 bilhões. A SDE informou ainda que o setor havia avançado 32% em 2025, dado anual que corresponde a um período diferente do balanço agora divulgado.

Além do valor comercializado, o balanço registra 489 empresas de mineração em 210 municípios baianos e cerca de 16 mil empregos diretos na atividade extrativa mineral. Os números dimensionam a presença territorial do setor sem indicar quanto cada município respondeu pelos R$ 8 bilhões registrados no semestre.

O mesmo documento informa que a Bahia produz 47 bens minerais. Como o indicador semestral agrega substâncias com preços, volumes e mercados distintos, a alta de 18% descreve o comportamento do valor comercializado pelo conjunto do setor, e não um desempenho uniforme de todas essas cadeias.

A presença em 210 municípios expressa alcance territorial, mas não significa distribuição igual do valor comercializado entre as localidades. A composição financeira apresentada para o semestre é organizada principalmente por substância, com ouro, cobre e níquel ocupando as maiores parcelas do total informado.

O governo estadual estima ainda que as atividades extrativas e a transformação mineral, consideradas em conjunto, respondam por 12% do Produto Interno Bruto da Bahia. O percentual, portanto, não deve ser apresentado como participação exclusiva da extração mineral, porque inclui etapas distintas da cadeia.

Terras raras concentram interesse em pesquisa

Outro conjunto de números do balanço está ligado às terras raras. Até 30 de junho, havia 1.178 requerimentos de pesquisa relacionados a essas substâncias na Bahia, dos quais 1.097 estavam autorizados, além de 21 direitos minerários e uma concessão.

Essas categorias representam etapas diferentes do processo minerário. Requerer ou obter autorização para pesquisar uma área não significa que uma jazida economicamente viável tenha sido comprovada, nem que exista uma mina produzindo e comercializando o mineral.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) define a pesquisa mineral como a fase destinada a executar trabalhos necessários à definição da jazida, à sua avaliação e ao estudo da viabilidade do eventual aproveitamento econômico. O deferimento permite a realização da pesquisa, mas não corresponde à lavra.

A concessão de lavra pertence a uma etapa posterior e é o título que autoriza a extração, o beneficiamento e a comercialização do bem mineral nas condições previstas para o empreendimento. Por isso, o volume de pedidos ligados a terras raras indica atividade exploratória e interesse sobre determinadas áreas, não a mesma quantidade de minas em operação.

A distinção também impede que requerimentos de pesquisa sejam tratados como reservas comprovadas. Para que um depósito avance no processo, os trabalhos de pesquisa precisam produzir informações técnicas suficientes e o projeto ainda deve cumprir as etapas regulatórias aplicáveis antes de chegar à exploração comercial.

No caso da composição financeira do semestre, a concentração em ouro, cobre e níquel é uma fotografia do valor comercializado entre janeiro e junho. Ela não mede, por si só, reservas disponíveis, potencial geológico ou participação física de cada substância na produção baiana.

O balanço divulgado pela SDE não apresenta previsão de receita para os seis meses finais de 2026. Sem essa estimativa oficial, não há base no documento para projetar o faturamento anual a partir dos R$ 8 bilhões registrados no primeiro semestre.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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