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R$ 87 milhões movimentam projeto que transformará lixo em combustível no Brasil, com nova usina de biometano e 10 caminhões Scania para substituir o diesel
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 27/10/2026 às 11:49
Atualizado em 27/10/2026 às 11:51
Biocombustíveis Renováveis
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Marca Ambiental investe R$ 17 milhões em caminhões Scania e prepara usina de biometano de R$ 70 milhões em Cariacica, com estreia prevista para dezembro.
Uma empresa brasileira está preparando uma operação industrial capaz de transformar os gases produzidos pela decomposição do lixo em combustível renovável para caminhões, indústrias e outros consumidores. A Marca Ambiental, responsável pelo gerenciamento de mais da metade dos resíduos recolhidos no Espírito Santo, investiu R$ 17 milhões na aquisição de dez caminhões Scania e prevê inaugurar, em dezembro de 2026, uma usina de biometano em Cariacica. Segundo o jornalista Abdo Filho, em reportagem publicada pelo jornal A Gazeta nesta terça-feira, 27 de outubro, o projeto industrial envolve investimento superior a R$ 60 milhões.
A própria companhia informou anteriormente um orçamento de R$ 70 milhões para a fábrica, o que, somado à aquisição dos veículos, representa aproximadamente R$ 87 milhões em investimentos anunciados nas duas frentes.
Empresa brasileira investe R$ 17 milhões em dez caminhões movidos a gás renovável
A Marca Ambiental anunciou a aquisição de dez caminhões Scania preparados para operar com gás natural veicular e biometano. Os veículos serão utilizados principalmente no transporte de resíduos sólidos na Grande Vitória, substituindo gradualmente parte da frota que utiliza óleo diesel.
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Segundo reportagem de André Cypreste, publicada por A Gazeta em 26 de outubro, a entrega dos caminhões está prevista para quinta-feira, dia 29. Depois disso, os veículos deverão começar a circular nas semanas seguintes, acompanhando a programação operacional da empresa.
O investimento de R$ 17 milhões integra um projeto anunciado anteriormente, que também contempla infraestrutura de abastecimento. A iniciativa busca conectar a coleta de resíduos, o transporte de cargas e a produção de combustível renovável dentro da mesma operação empresarial.
Nova usina de R$ 70 milhões começará a transformar gases de aterro em combustível
O empreendimento industrial está sendo desenvolvido na Central de Valorização de Resíduos da Marca Ambiental, localizada em Cariacica, na Região Metropolitana de Vitória. A fábrica utilizará gases captados no aterro sanitário para produzir biometano, combustível que apresenta características semelhantes às do gás natural.
Em publicação institucional de setembro de 2026, a Marca Ambiental informou que o investimento na unidade alcança R$ 70 milhões. A implantação ocorre em parceria com a francesa Air Liquide, especializada em tecnologias e gases industriais.
A inauguração, inicialmente prevista para períodos anteriores, passou a ser esperada para dezembro de 2026, conforme a atualização publicada por A Gazeta. A empresa ainda precisa concluir as etapas necessárias para colocar a estrutura em funcionamento comercial.
Fábrica poderá processar 60 mil metros cúbicos de biogás por dia
Os dados técnicos divulgados pela Marca Ambiental indicam que a nova unidade terá capacidade para processar aproximadamente 60 mil metros cúbicos normais de biogás por dia. Esse gás será captado durante a decomposição dos materiais depositados no aterro sanitário.
Depois de passar pelos equipamentos de purificação, o combustível resultante poderá alcançar uma capacidade de produção de aproximadamente 25 mil metros cúbicos normais de biometano diariamente. O volume corresponde à capacidade projetada, não à produção efetiva já registrada.
A diferença entre as quantidades ocorre porque o biogás contém metano, dióxido de carbono e outros componentes que precisam ser separados. O processo industrial aumenta a concentração de metano e permite sua utilização como combustível dentro das especificações exigidas.
Tecnologia transforma resíduos urbanos em energia sem depender do petróleo
O processo começa quando materiais orgânicos presentes nos resíduos urbanos se decompõem em ambientes com pouco oxigênio. A ação de microrganismos libera um gás composto principalmente por metano e dióxido de carbono, conhecido como biogás.
Na unidade de Cariacica, esse material será captado por tubulações e encaminhado para sistemas de tratamento. A tecnologia remove componentes indesejados e produz um combustível que pode substituir o gás natural fóssil em diferentes aplicações.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis explica que o biometano purificado pode ser utilizado no transporte, em instalações industriais e em redes de distribuição. A qualidade do combustível comercializado deve obedecer à Resolução ANP nº 1.006/2026.
Doze caminhões formarão frota preparada para utilizar biometano no Espírito Santo
Com a chegada das dez novas unidades, a Marca Ambiental passará a contar com doze caminhões preparados para utilizar gás natural ou biometano. Dois veículos desse tipo já integravam as operações da companhia antes da nova aquisição.
A empresa utiliza esses equipamentos em atividades relacionadas ao transporte de resíduos entre unidades da Grande Vitória. Parte das viagens conecta a estrutura operacional localizada no bairro Resistência, em Vitória, à central de tratamento existente em Cariacica.
A ampliação permitirá substituir progressivamente veículos movidos a diesel, mas a troca não ocorrerá de maneira instantânea. A empresa ainda precisará incorporar os novos caminhões às rotas e organizar o abastecimento conforme a disponibilidade de combustível.
Caminhões começarão usando GNV antes da inauguração da fábrica de biometano
Embora sejam preparados para utilizar combustível renovável, os novos caminhões deverão começar suas operações abastecidos com gás natural veicular. Isso acontece porque a usina de biometano de Cariacica ainda não iniciou a produção comercial.
O GNV convencional é um combustível de origem fóssil, enquanto o biometano é produzido a partir do aproveitamento de resíduos. Apesar dessa diferença, os dois podem ser utilizados em motores desenvolvidos especificamente para operação com gás.
Segundo a Marca Ambiental, a intenção é migrar gradualmente a frota para o biometano produzido na própria central. A mudança dependerá da entrada em funcionamento da fábrica e da disponibilidade de combustível para abastecimento dos veículos.
Scania aponta possibilidade de reduzir emissões de carbono em até 90%
A utilização de biometano poderá reduzir significativamente as emissões associadas ao transporte dos resíduos. De acordo com a Scania, caminhões abastecidos com esse combustível podem apresentar redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com veículos equivalentes a diesel.
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O percentual divulgado depende das condições de produção do biometano, das características da operação e da metodologia utilizada para calcular as emissões. Portanto, não significa que todos os veículos terão automaticamente essa redução.
A Marca Ambiental ainda não divulgou um inventário específico demonstrando quanto as emissões dos dez novos caminhões diminuirão depois da mudança de combustível. O resultado efetivo deverá ser medido com base no consumo e nas condições reais de operação.
Parceria com a ES Gás permitirá distribuir biometano para indústrias e consumidores
O projeto industrial não foi desenvolvido exclusivamente para atender aos caminhões da companhia. A Marca Ambiental também pretende disponibilizar biometano por meio da rede de distribuição da ES Gás, concessionária responsável pelo fornecimento de gás canalizado no estado.
Em dezembro de 2023, as duas empresas já haviam assinado um memorando de entendimento para estudar essa integração. Posteriormente, a Marca informou que a nova usina teria capacidade de injetar até 25 mil metros cúbicos normais de biometano por dia na rede estadual.
A conexão permitirá que o combustível renovável alcance diferentes consumidores, conforme os contratos e as condições de distribuição. Indústrias, estabelecimentos comerciais e frotas de transporte estão entre os segmentos que poderão utilizar o produto.
Grupo Marca já utiliza biogás para gerar eletricidade no próprio aterro
A produção de biometano representa uma ampliação de atividades energéticas que já fazem parte da operação da Marca Ambiental. A companhia possui experiência na utilização dos gases provenientes da decomposição dos resíduos para gerar eletricidade.
Segundo informações institucionais, a central conta com uma instalação de geração elétrica a biogás com potência de aproximadamente 5 MW. Essa operação utiliza parte do potencial energético dos gases captados no aterro sanitário.
A nova unidade permitirá produzir também combustível gasoso para veículos e consumidores externos. Assim, a empresa passará a explorar diferentes aplicações energéticas associadas ao tratamento dos resíduos recebidos diariamente.
Brasil amplia capacidade de produzir biometano, mas utilização industrial ainda enfrenta desafios
O projeto de Cariacica faz parte de um mercado que ganhou novas unidades produtivas nos últimos anos. Segundo levantamento baseado em dados da ANP, o Brasil chegou a 21 plantas autorizadas de biometano em 2026.
A capacidade autorizada alcançou aproximadamente 1,37 milhão de metros cúbicos por dia. Entretanto, entre maio e julho, a produção efetiva média ficou próxima de 514 mil metros cúbicos diários, demonstrando que parte da infraestrutura disponível ainda não opera em sua capacidade máxima.
A expansão depende de investimentos em purificação, conexão às redes de gás, transporte e contratos de fornecimento. Para projetos que utilizam aterros sanitários, também é necessário considerar a quantidade e a qualidade dos gases disponíveis ao longo do tempo.
Dezembro será decisivo para integrar nova fábrica, abastecimento e frota de caminhões
A Marca Ambiental chega ao fim de outubro com dez novos caminhões em fase de entrega e uma fábrica de biometano cuja inauguração é prevista para dezembro.
Os investimentos anunciados somam aproximadamente R$ 87 milhões, considerando os R$ 17 milhões relacionados à expansão da frota e os R$ 70 milhões informados pela empresa para a usina.
A operação planejada permitirá aproveitar resíduos urbanos para produzir combustível, abastecer veículos pesados e fornecer biometano à rede de gás. Entretanto, a capacidade diária anunciada ainda precisa ser demonstrada durante o funcionamento efetivo da unidade industrial.
O próximo passo será concluir a implantação da fábrica e iniciar a produção comercial do biocombustível. Se o cronograma for cumprido, os resíduos recebidos na central de Cariacica passarão a abastecer uma cadeia energética que envolve coleta de lixo, transporte rodoviário e distribuição de gás renovável.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

