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Rede brasileira de 400 Gbps ajuda telescópio no Chile a mapear 20 bilhões de galáxias e novo acordo abre acesso aos dados para até 60 pesquisadores de São Paulo
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/10/2026 às 20:33
Atualizado em 27/10/2026 às 20:35
Ciência e Tecnologia
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FAPESP amplia parceria com o Observatório Vera Rubin, que registra 10 terabytes por noite no Chile. Rede brasileira de até 400 Gbps transporta dados aos EUA, e até 60 cientistas paulistas poderão acessar o acervo.
Um telescópio nos Andes chilenos já fotografa o céu com uma câmera de 3,2 bilhões de pixels, enquanto uma rede científica brasileira de até 400 gigabits por segundo ajuda a levar suas imagens aos Estados Unidos. Um acordo firmado em outubro entre a FAPESP e o consórcio Aura ampliará para até 60 pesquisadores paulistas o acesso integral aos dados dessa operação, que deverá catalogar mais de 20 bilhões de galáxias.
Em cada noite de trabalho, o Observatório Vera Rubin produz cerca de 10 terabytes de dados e prepara alertas sobre milhões de mudanças no céu. As imagens precisam atravessar milhares de quilômetros em segundos para que outros telescópios consigam acompanhar fenômenos passageiros, como explosões de estrelas e a movimentação de asteroides.
Acordo amplia de cinco para dez os pesquisadores principais de São Paulo
A parceria com a Association of Universities for Research in Astronomy (Aura) permite à FAPESP indicar dez pesquisadores principais, cada um acompanhado por até cinco doutorandos ou pós-doutorandos. O grupo completo poderá chegar a 60 integrantes, com acesso ao gigantesco conjunto de dados do levantamento astronômico.
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Na fase anterior, a colaboração brasileira assegurava cinco pesquisadores principais e seus associados. A ampliação foi negociada ao longo de dois anos e prevê uma contribuição anual de US$ 2,3 milhões da FAPESP, além dos investimentos já realizados na infraestrutura de transmissão.
Imagens captadas no Chile precisam chegar aos Estados Unidos em sete segundos
O Vera Rubin fotografa repetidamente extensas áreas do céu para detectar objetos que se movem, aparecem ou mudam de brilho. As imagens precisam chegar aos centros de processamento norte-americanos em apenas sete segundos, conforme a meta técnica descrita pela FAPESP.
Os computadores comparam registros e avisam outros observatórios quando encontram alterações. O sistema foi projetado para emitir de 7 milhões a 10 milhões de alertas por noite, com intervalo de até 60 segundos entre a imagem, o processamento e o aviso enviado à comunidade científica.
Dados viajam por Porto Alegre, São Paulo e Fortaleza antes de alcançar Miami
A rota começa no Cerro Pachón, no Chile, e segue por fibra óptica até Santiago. Dali, a transmissão chega a Porto Alegre, entra nas redes acadêmicas brasileiras, passa por São Paulo e Fortaleza e cruza o Atlântico até Miami, nos Estados Unidos.
Já em território norte-americano, os dados alcançam centros de processamento, principalmente o Fermilab, próximo de Chicago. A FAPESP detalha a participação da Rednesp, conectada à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a redes internacionais nas duas pontas do trajeto.
Rede de até 400 Gbps precisa resistir a atrasos e falhas mínimas
Ricardo Dahab, coordenador da Rednesp, informa que a infraestrutura paulista possui capacidade de até 400 Gbps. Para comparação, conexões residenciais de alta velocidade podem chegar a 1 Gbps. Os 400 Gbps representam a capacidade da rede de pesquisa, não a velocidade permanente de uma transferência individual.
Os responsáveis trabalham com margens rigorosas: um atraso de 0,2 segundo ou a perda de apenas 0,001% dos pacotes de informação pode prejudicar a operação. A proteção inclui dupla criptografia na origem e dupla descriptografia no destino, combinando recursos físicos e programas de computador.
Maior câmera astronômica do mundo registra centenas de regiões do céu
O telescópio Simonyi possui espelho primário de 8,4 metros de diâmetro e uma câmera de 3,2 bilhões de pixels, a maior já construída para astronomia. Em vez de observar somente um alvo por horas, o equipamento volta repetidamente às mesmas áreas do céu e identifica alterações de brilho ou posição.
O levantamento de dez anos, batizado de Legacy Survey of Space and Time (LSST), começou oficialmente em 29 de junho de 2026, com anúncio público no dia seguinte. A Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos confirmou o início da campanha e o processamento de aproximadamente 10 terabytes por noite.
Observações preliminares já revelaram mais de 11 mil novos asteroides
Em cerca de um mês e meio de levantamentos preliminares, o observatório identificou mais de 11 mil asteroides que ainda não constavam dos catálogos. Desse total, 33 são objetos próximos da Terra e 380 estão além da órbita de Netuno, segundo os dados divulgados pelo projeto.
O programa também investigará a distribuição da matéria escura, a expansão do Universo relacionada à energia escura, a estrutura da Via Láctea e eventos rápidos, como supernovas, que precisam ser acompanhados por diferentes instrumentos ao redor do planeta.
Levantamento prevê 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas
Ao final da década de observações, os cientistas esperam reunir informações sobre mais de 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas. As projeções citadas pela FAPESP apontam cerca de 60 petabytes de imagens brutas, enquanto a massa total de dados processados poderá alcançar 500 petabytes.
O imenso acervo permitirá comparar imagens da mesma região registradas em noites diferentes. As estimativas técnicas do observatório preveem milhões de observações ao longo da campanha, criando um histórico detalhado dos movimentos e transformações do céu.
Nova chamada deverá completar o grupo de pesquisadores brasileiros
Cinco pesquisadores principais já integravam a colaboração anterior: Luis Raul Weber Abramo, Riccardo Sturani, Claudia Lucia Mendes de Oliveira, Eduardo Serra Cypriano e Alex Cavaliére Carciofi. A FAPESP anunciou que uma nova chamada de propostas deverá completar a equipe prevista no acordo.
Com a seleção, pesquisadores de São Paulo poderão explorar os dados integrais da operação, enquanto os alertas públicos continuarão permitindo que astrônomos de diferentes países acompanhem descobertas em tempo quase real. A participação brasileira combina o uso científico do acervo com a manutenção de uma ligação internacional decisiva para o observatório.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

