Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Renault prepara virada no Brasil após admitir atraso na eletrificação, une forças com a Geely para desenvolver carros híbridos, elétricos e flex e tenta repetir por aqui uma transformação que já fez dois em cada três veículos vendidos pela marca na Europa serem eletrificados

Renault prepara virada no Brasil após admitir atraso na eletrificação, une forças com a Geely para desenvolver carros híbridos, elétricos e flex e tenta repetir por aqui uma transformação que já fez dois em cada três veículos vendidos pela marca na Europa serem eletrificados

Faça um comentário

6 min de leitura

Renault prepara virada no Brasil após admitir atraso na eletrificação, une forças com a Geely para desenvolver carros híbridos, elétricos e flex e tenta repetir por aqui uma transformação que já fez dois em cada três veículos vendidos pela marca na Europa serem eletrificados

Escrito por Carla Teles

Publicado em 12/10/2026 às 12:59

Automotivo

Grupo

Renault acelera eletrificação no Brasil com Geely e prepara híbridos e elétricos para ampliar sua nova gama nacional.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

A Renault quer acelerar sua eletrificação no Brasil usando a parceria com a Geely para desenvolver uma gama adaptada ao país, enquanto híbridos plenos e elétricos já dominam parte relevante das vendas europeias da marca.

A Renault prepara uma nova etapa de sua estratégia no Brasil depois de admitir que avançou mais lentamente na eletrificação fora da Europa. A fabricante francesa pretende usar a parceria com a chinesa Geely para ampliar sua futura gama nacional com veículos híbridos, elétricos e também opções flex, combinando tecnologias globais com características específicas do mercado brasileiro.

Em entrevista ao Motor1.com Brasil publicada em 12 de outubro de 2026, Ivan Segal, vice-presidente global de Vendas da Renault, afirmou que aproximadamente dois em cada três veículos vendidos pela marca na Europa já são eletrificados. O executivo reconheceu que a expansão internacional ficou atrasada após a empresa concentrar esforços no continente europeu durante a pandemia e afirmou que agora começa uma nova fase fora daquela região.

Renault admite que eletrificação avançou primeiro na Europa

Renault acelera eletrificação no Brasil com Geely e prepara híbridos e elétricos para ampliar sua nova gama nacional. Imagem; Divulgação

A estratégia europeia foi construída nos últimos quatro anos sobre duas frentes principais: uma linha dedicada aos híbridos plenos e outra formada por veículos 100% elétricos. Segundo Segal, essa divisão permitiu acompanhar simultaneamente o crescimento das duas tecnologias.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O resultado é que cerca de dois terços dos veículos vendidos atualmente pela Renault na Europa já possuem algum nível de eletrificação. A fabricante passou a reunir modelos elétricos como Renault 5, Renault 4 e Twingo ao lado de uma oferta crescente de híbridos.

Fora da Europa, a situação evoluiu em ritmo diferente. Segal reconheceu que a empresa direcionou recursos e esforços comerciais para o mercado europeu durante a pandemia de Covid-19, deixando outras regiões para uma etapa posterior.

Agora, a Renault pretende reduzir essa diferença. O movimento internacional começa com a ampliação das soluções híbridas plenas, mas não será uma reprodução idêntica da estratégia europeia em todos os países.

Geely passa a ter papel central na futura gama brasileira

Renault acelera eletrificação no Brasil com Geely e prepara híbridos e elétricos para ampliar sua nova gama nacional. Imagem; Divulgação

No Brasil, a parceria com a Geely será uma das principais ferramentas para acelerar essa mudança. A cooperação permite utilizar plataformas capazes de receber diferentes sistemas de propulsão e desenvolver produtos adaptados à realidade local.

A própria Renault Group formalizou em novembro de 2025 a ampliação da parceria, com a Geely adquirindo 26,4% da Renault do Brasil e ganhando acesso aos recursos industriais e comerciais da operação brasileira. A Renault permanece como acionista majoritária.

A arquitetura compartilhada abre espaço para carros híbridos, elétricos e flex dentro de uma mesma estratégia industrial. Para Segal, essa flexibilidade é necessária porque o mercado brasileiro tem condições diferentes das encontradas na Europa.

A cooperação já avança para uma nova etapa à medida que as linhas industriais brasileiras são preparadas para receber novas plataformas. O objetivo não é simplesmente vender no país modelos concebidos para outros mercados, mas ampliar a capacidade de desenvolvimento de produtos adequados às condições locais.

Plataforma comum não significa carros iguais entre Renault e Geely

Renault acelera eletrificação no Brasil com Geely e prepara híbridos e elétricos para ampliar sua nova gama nacional. Imagem; Divulgação

Segal também afastou a interpretação de que a parceria resultará apenas na troca de emblemas entre veículos das duas fabricantes. O plano é compartilhar componentes, arquiteturas e recursos industriais enquanto cada marca preserva desenho, posicionamento e identidade próprios.

Esse tipo de compartilhamento pode reduzir custos de desenvolvimento e ampliar a quantidade de configurações possíveis. Para um mercado sensível a preço como o brasileiro, a competitividade da plataforma passa a ser uma parte importante da equação.

A parceria também amplia a utilização do complexo industrial da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná. O acordo prevê a produção de modelos Geely ao lado de veículos Renault, aproveitando capacidade instalada e estrutura industrial já existente.

A fabricante francesa entende que essa combinação permitirá responder de maneira mais rápida à concorrência crescente das marcas chinesas. Em vez de depender apenas de projetos concebidos na Europa, a empresa passa a trabalhar com uma base tecnológica que pode sustentar produtos específicos para a região.

Híbridos, elétricos e flex poderão conviver na mesma estratégia

No mercado brasileiro, o plano da Renault não está limitado aos veículos 100% elétricos. Segal citou explicitamente a necessidade de considerar também os sistemas flex, relevantes para a realidade energética e comercial do país.

Isso significa que a estratégia local poderá combinar diferentes níveis de eletrificação. Híbridos plenos podem ganhar espaço ao lado de elétricos puros, enquanto soluções compatíveis com combustíveis flex continuam fazendo parte do planejamento.

O executivo afirmou que a futura gama brasileira já está sendo pensada a partir dessa flexibilidade, mas não estabeleceu datas para novos lançamentos nem definiu quais sistemas de propulsão chegarão primeiro.

Por enquanto, portanto, a confirmação está na direção tecnológica, e não em um cronograma fechado de produtos. A definição dos próximos modelos dependerá do planejamento industrial, da competitividade de custos e da evolução da demanda brasileira.

Europa virou referência após alta nas vendas de elétricos

Enquanto o Brasil ainda entra nessa etapa, a Renault observa um cenário diferente na Europa. Segundo Segal, as vendas de veículos 100% elétricos da marca no continente registram crescimento superior a 74%.

O desempenho levou a fabricante a avaliar aumento da capacidade de produção. Modelos como Renault 5, Renault 4, Twingo e Megane elétrico fazem parte dessa estratégia, com o Megane passando também a utilizar bateria com tecnologia LFP.

Segal relacionou parte do movimento recente à alta dos combustíveis e à instabilidade do mercado internacional de petróleo. Segundo sua avaliação, consumidores europeus passaram a reconsiderar o custo de utilização de veículos a combustão.

O executivo afirmou ainda que compradores tradicionalmente concentrados no mercado de usados começaram a migrar para elétricos novos. Essa mudança, porém, representa a interpretação da Renault sobre seu mercado europeu e não significa que o mesmo comportamento será automaticamente reproduzido no Brasil.

Renault tenta adaptar experiência europeia sem copiar o mesmo roteiro

A diferença entre os mercados é justamente o ponto central da estratégia apresentada por Segal. A empresa pretende aproveitar o conhecimento acumulado na Europa, mas adaptar tecnologias, produtos e custos às condições de cada região.

No Brasil, isso coloca Geely, produção local e motores flex dentro da mesma equação. A Renault quer acelerar a eletrificação sem abandonar tecnologias que ainda têm peso relevante para o consumidor brasileiro.

Essa adaptação começou a ganhar espaço dentro do planejamento internacional da companhia depois de anos de prioridade ao continente europeu. A próxima fase será transformar a plataforma e a parceria industrial em produtos efetivamente disponíveis nas concessionárias brasileiras.

Por enquanto, não há calendário detalhado para essa nova gama. O que a Renault já definiu é a direção: usar a parceria com a Geely para combinar híbridos, elétricos e flex no Brasil, enquanto tenta reduzir a distância para uma Europa em que dois de cada três veículos vendidos pela marca já são eletrificados.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

Sair da versão mobile