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Resíduos agrícolas podem virar combustível para o próprio produtor: Unicamp aposta em pequenas usinas para reduzir custos e ampliar a autonomia energética no agro

Resíduos agrícolas podem virar combustível para o próprio produtor: Unicamp aposta em pequenas usinas para reduzir custos e ampliar a autonomia energética no agro

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Resíduos agrícolas podem virar combustível para o próprio produtor: Unicamp aposta em pequenas usinas para reduzir custos e ampliar a autonomia energética no agro

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 31/10/2026 às 09:39

Atualizado em 31/10/2026 às 09:40

Biocombustíveis Renováveis

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Imagem: Ilustração artística

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Pesquisadores da Unicamp estudam unidades compactas para transformar resíduos agrícolas em combustíveis renováveis, aproximando a produção das propriedades rurais, reduzindo custos de transporte e abrindo caminho para maior autonomia energética no agronegócio brasileiro.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trabalham em tecnologias para produzir biocombustíveis de resíduos agrícolas e industriais. A proposta é instalar pequenas unidades de produção perto das propriedades rurais, reduzindo gastos com transporte e permitindo o aproveitamento da biomassa.

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Unicamp quer transformar resíduos em biocombustíveis perto de onde são produzidos

A pesquisa acontece no Laboratório de Valoração de Petróleos (ValPet), ligado à Faculdade de Engenharia Química da Unicamp. O espaço desenvolve processos para transformar matérias-primas residuais em produtos de maior valor comercial, incluindo combustíveis renováveis.

Um dos principais desafios está no transporte da biomassa. Como esses resíduos podem ocupar muito espaço e estar espalhados por diferentes regiões, levá-los até grandes instalações industriais pode encarecer a produção.

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Para enfrentar esse problema, os pesquisadores estudam unidades compactas que possam funcionar próximas das fontes de matéria-prima.

A ideia é simples: em vez de transportar grandes quantidades de resíduos por longas distâncias, a produção do combustível seria levada até onde esses materiais estão disponíveis.

Isso também permitiria aproximar as instalações dos locais onde o combustível será utilizado, especialmente nas atividades agrícolas.

Imagem: Reprodução

Produtores rurais poderão fabricar parte do combustível que consomem

O projeto também considera uma possibilidade para o agronegócio brasileiro: permitir que propriedades rurais aproveitem seus próprios resíduos na geração de combustíveis.

Segundo Dirceu Noriler, professor da Unicamp e coordenador da Embrapii E-Renova, a descentralização pode ajudar a aproximar a produção de energia das necessidades do campo.

“E dentro dessa visão, a gente enxerga sim, que o campo possa ser autônomo, ou independente do combustível. Ou seja, ele pode produzir o próprio combustível que ele consome“, explicou Noriler.

Outra possibilidade estudada envolve cooperativas agrícolas. Nesse modelo, pequenos e médios produtores poderiam compartilhar unidades de processamento, dividindo os custos de implantação e funcionamento.

A viabilidade, entretanto, depende de fatores como quantidade de resíduos disponíveis, infraestrutura regional, escala de produção e custos operacionais.

Por enquanto, a proposta apresentada pelos pesquisadores representa uma possibilidade tecnológica em desenvolvimento, não uma solução já implantada comercialmente em propriedades rurais.

Laboratório aproveita experiência de mais de três décadas em separação de materiais

O trabalho atual tem origem em pesquisas iniciadas na década de 1990, quando o ValPet começou a estudar equipamentos conhecidos como destiladores moleculares.

Esses sistemas permitem separar e purificar substâncias presentes em diferentes matérias-primas.

Inicialmente, os pesquisadores trabalharam com resíduos da indústria de óleos vegetais, incluindo soja e palma.

Segundo a professora Maria Regina Wolf Maciel, os estudos envolveram a recuperação de compostos associados às vitaminas E e A, além da purificação de glicerina.

Posteriormente, as tecnologias também foram aplicadas ao petróleo pesado.

Nesse caso, o objetivo era recuperar frações mais leves presentes no material, que poderiam ser aproveitadas pelas refinarias.

A experiência acumulada com esses processos passou a contribuir para novas pesquisas envolvendo biomassa e combustíveis renováveis.

Etanol de segunda geração, biodiesel e biogás também estão entre as pesquisas

O desenvolvimento de unidades compactas não é a única frente estudada na Unicamp.

O laboratório também participa de projetos relacionados ao etanol de segunda geração, processamento de biodiesel e produção de biogás.

Outra linha envolve a incorporação de carbono de origem biológica nas refinarias, além do uso de hidrogênio verde em processos industriais.

As pesquisas contam com parcerias e investimentos de empresas nacionais e internacionais ligadas ao setor energético.

O trabalho inclui testes experimentais, avaliação de desempenho e análises para verificar se os processos podem ser aplicados em escala industrial.

No caso das unidades descentralizadas, ainda será necessário avaliar as condições econômicas e operacionais de cada região.

A proposta é aproveitar a biomassa disponível localmente e desenvolver alternativas de produção de combustíveis renováveis mais próximas dos consumidores, especialmente nas regiões agrícolas.

Matéria elaborada com base em dados e informações de Planeta Campo.

Fonte

https://planetacampo.cana


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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