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Robô humanoide criado em cinco meses pode fechar válvula em vazamento de gás numa plataforma de petróleo enquanto o operador fica em terra com óculos de realidade virtual
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 07/10/2026 às 16:37
Ciência e Tecnologia
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A americana Minerva Humanoids apresentou o Roger, um robô humanoide controlado a distância, com US$ 10 milhões de investimento. A empresa quer colocá-lo em rondas, alarmes de gás e válvulas de plataforma de petróleo, além de desarme de bombas, e promete os primeiros pilotos pagos até o fim do ano.
Um robô humanoide montado em cinco meses pela startup americana Minerva Humanoids foi apresentado nesta terça-feira (6) como candidato a tarefas de risco em plataforma de petróleo e no desarme de bombas. O anúncio saiu em comunicado oficial distribuído pela GlobeNewswire, junto com uma rodada de US$ 10 milhões liderada pelo fundo General Catalyst.
O robô se chama Roger. A empresa, com sede em São Francisco, diz ter ido da ideia a um humanoide que anda em cinco meses. Os protótipos são fabricados e montados na Alemanha, e os primeiros pilotos pagos estão marcados para o outono do Hemisfério Norte, que termina em dezembro.
Quem fez o robô humanoide Roger
A Minerva Humanoids nasceu no fim de 2025 e saiu agora do modo discreto, quando a startup trabalha sem divulgar o produto. Tem escritórios em Cambridge, no estado americano de Massachusetts, e em Sindelfingen, na Alemanha.
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O presidente executivo, Sandor Felber, pesquisou humanoides no laboratório CSAIL, do MIT, e passou pelo projeto Optimus, da Tesla. O diretor de tecnologia, Maurice Rahme, trabalhou seis anos na Boston Dynamics e foi um dos líderes técnicos do Stretch, robô de armazém da empresa.
Além do General Catalyst, a rodada teve os fundos Long Journey Ventures e Credo Ventures como colíderes, mais Hugging Face e Codecademy entre os investidores. Robin Dechant, sócio do General Catalyst, disse no comunicado que construir um humanoide do zero costuma levar anos, e que a equipe fez isso em menos de seis meses.
A empresa promete produzir na Alemanha e nos Estados Unidos sem depender de peças chinesas de fornecedor único. O site The Next Web, que também noticiou a rodada, lembra que a China fabrica quase todos os humanoides vendidos no mundo hoje.
O que o robô humanoide faria numa plataforma de petróleo?
A Minerva Humanoids montou uma página só para petróleo e gás. Nela, simula um turno de trabalho no Mar do Norte, dividido em três zonas da unidade. São cenários de demonstração da própria empresa, não resultados de campo.
O primeiro é um vazamento de gás no módulo de processo. Uma luz de alerta acende numa válvula, o operador assume o Roger a distância e confere a cena pelas câmeras do robô. Em seguida, o robô humanoide segura o volante e fecha a válvula. Depois, solta o equipamento sozinho, enquanto o operador passa para outro robô. A página marca zero pessoas na zona de risco: nenhum trabalhador offshore perto do vazamento.
O segundo é a ronda de inspeção. O Roger faz o trajeto sozinho, lê manômetros e envia as medições. Se aparecer algo fora do normal, o operador entra no controle para conferir. No exemplo, são seis rondas por dia sem nenhum trabalhador offshore no convés.
O terceiro é a operação remota perto do alojamento e do heliponto, onde o robô mexe em joystick e painéis sob comando de voz. A empresa calcula dois assentos de helicóptero a menos a cada troca de turma.
Na página principal, a lista inclui ainda alarme de gás tóxico, vigia de incêndio com as pessoas atrás do ponto de reunião e monitoramento de corrosão.
Como o operador controla o Roger de longe
O controle usa óculos de realidade virtual, rastreadores presos ao corpo e retorno tátil, que faz a mão do operador sentir a resistência do que o robô segura. As câmeras do Roger mandam a imagem direto para os óculos.
Um software próprio da Minerva Humanoids cuida do equilíbrio do robô humanoide, da recuperação depois de uma queda e da navegação. Segundo o comunicado, um operador aprende a comandar o corpo inteiro do robô em questão de minutos.
A empresa oferece três formatos. No semiautônomo, o robô anda e se equilibra sozinho, e a pessoa assume válvulas e ferramentas; a implantação leva um dia de treinamento. No autônomo, o Roger também mexe em válvulas e registra medições, e a implantação pede duas semanas para mapear as rotas. O terceiro é uma frota com vários robôs e reservas na própria unidade.
O que muda para o trabalhador offshore com um robô no convés?
A promessa da Minerva Humanoids é que toda pessoa fique em segurança em terra, com o Roger trabalhando 24 horas por dia na unidade. Para o trabalhador offshore, isso significaria trocar a ida ao ponto do vazamento por uma sala de controle, olhando pelas câmeras do robô.
A página fala também em menos assentos de helicóptero, menos camas a bordo e menos risco ligado ao número de pessoas embarcadas. Cada pessoa a mais numa plataforma de petróleo é alguém para transportar, alojar e evacuar numa emergência.
Felber disse no comunicado que a empresa não quer substituir as pessoas que fazem esses trabalhos. A Minerva não citou nenhuma petroleira como cliente, nem quantas vagas de trabalhador offshore um robô ocuparia. Por enquanto, o que existe é a demonstração e a promessa de pilotos pagos.
A conta das mortes no setor de energia
A empresa abre o comunicado com uma estimativa: cerca de 7 mil mortes de trabalhadores de energia por ano, uma a cada 75 minutos.
O número não vem de uma contagem do setor. A Minerva pegou a taxa da Organização Internacional do Trabalho, de 330 mil mortes no trabalho em 3,46 bilhões de trabalhadores, dado de 2023. Depois, aplicou essa taxa aos 76 milhões de trabalhadores de energia contados pela Agência Internacional de Energia.
Fazendo a conta: 330 mil divididos por 3,46 bilhões dão cerca de 9,5 mortes a cada 100 mil trabalhadores. Multiplicando pelos 76 milhões do setor, chega-se a perto de 7,2 mil por ano.
O ano tem 525.600 minutos. Divididos por 7 mil mortes, dão uma morte a cada 75 minutos.
Na prática, é uma média mundial de todas as profissões aplicada ao setor de energia. Ela dá a ordem de grandeza do problema, mas não mede o risco específico de quem trabalha numa plataforma de petróleo.
Do desarme de bombas aos aeroportos
Fora do petróleo, a vitrine foi militar. A Minerva Humanoids mostrou o robô humanoide no centro de excelência em desarme de explosivos da Otan, em Šamorín, na Eslováquia.
Dominic Asquith, veterano das Forças Especiais britânicas e chefe de operações perigosas da empresa, lembrou no comunicado a longa caminhada que o técnico faz até o artefato. Hoje, segundo ele, o trabalho conta com robôs de esteira que têm um braço só.
A startup tem parceria com a universidade MBZUAI, dos Emirados Árabes, voltada ao setor de energia. Com a Universidade de Waterloo, no Canadá, estuda a visão do robô em fumaça e escuridão. Também avalia levar o Roger a dois dos dez aeroportos mais movimentados do mundo.
A Petrobras já testa robôs nas plataformas
No Brasil, a Petrobras encerrou em 2025 um ano de avaliações com robôs de solo em plataformas e refinarias, segundo reportagem do portal Clic Portela, de abril. O projeto se chama Pilotos com Robôs de Solo em Plataformas e Refinarias.
A Petrobras levou os robôs ao Cenpes, seu centro de pesquisa, a unidades da Bacia de Santos, ao Porto de Macaé e à refinaria Replan. O consórcio reuniu USP São Carlos, UFSCar, UFMG e UFRJ, com coordenação do professor Thiago Boaventura, da USP.
Os modelos testados pela Petrobras foram o ANYmal, da suíça ANYbotics, o Spot, da Boston Dynamics, e robôs de esteira da austríaca Taurob, feitos para ambientes com risco de explosão. As tarefas eram ler manômetros, checar válvulas e lâmpadas, detectar vazamento de gás e medir vibração.
A diferença está no corpo. Os robôs da Petrobras andam sobre quatro patas ou esteiras. O Roger anda sobre duas pernas e, nos cenários da empresa, usa a mão para girar o volante de uma válvula. O relatório técnico do projeto brasileiro ainda estava sendo consolidado em abril, e a Petrobras não anunciou compra de robô humanoide.
O que ainda falta provar
O Roger existe como protótipo funcional, e os pilotos pagos só começam nos próximos meses. As cenas de vazamento e de ronda são simulações publicadas pela Minerva Humanoids, não operações em plataforma de petróleo real.
A disputa também está cara. O The Next Web lembra que a britânica Humanoid levantou US$ 152 milhões em julho. Perto disso, os US$ 10 milhões do Roger são uma rodada inicial, e o robô humanoide ainda precisa mostrar no convés o que mostrou no vídeo.
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robos
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

