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Robô humanoide de Stanford desceu a 852 metros, faz operador sentir o fundo do mar e pode ser testado em Santos: SENAI mira uso em plataformas de petróleo brasileira

Robô humanoide de Stanford desceu a 852 metros, faz operador sentir o fundo do mar e pode ser testado em Santos: SENAI mira uso em plataformas de petróleo brasileira

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Robô humanoide de Stanford desceu a 852 metros, faz operador sentir o fundo do mar e pode ser testado em Santos: SENAI mira uso em plataformas de petróleo brasileira

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 09/10/2026 às 16:52

Atualizado em 09/10/2026 às 16:55

Ciência e Tecnologia

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Um robô humanoide de Stanford já mergulhou a 852 metros, transmite sensações táteis ao operador e poderá ser demonstrado na Baía de Santos em novembro. O SENAI estuda seu uso em operações de petróleo e gás no Brasil.

Um robô submarino com rosto, braços e mãos articuladas, capaz de transmitir ao operador a sensação de tocar objetos no fundo do mar, poderá ser demonstrado no litoral de São Paulo em novembro de 2026. Desenvolvido pela Universidade de Stanford, o OceanOneK já realizou um mergulho a 852 metros e foi projetado para trabalhar a até 1.000 metros de profundidade. Agora, SENAI-SP e pesquisadores norte-americanos estudam como essa tecnologia pode atender à indústria brasileira de petróleo e gás.

A aproximação foi anunciada após uma apresentação realizada em 22 de setembro, durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu o professor Oussama Khatib, responsável pelo desenvolvimento do robô, e Daniel Motta, gerente de Inovação e Tecnologia do SENAI-SP. A próxima etapa prevista é levar a tecnologia à Baía de Santos, onde empresas do setor poderão conhecer suas possibilidades de aplicação em operações offshore.

Robô de Stanford já tocou o fundo do mar a 852 metros e foi projetado para mergulhar até 1.000 metros

A capacidade anunciada para o OceanOneK é de 1.000 metros, mas seu mergulho profundo documentado ocorreu em 2022, no Mediterrâneo, quando chegou a 852 metros, perto de Cannes, na França. Na ocasião, a máquina alcançou o leito marinho, colocou uma placa comemorativa no fundo e depois a recuperou, demonstrando movimentos delicados em uma profundidade inacessível ao mergulho humano convencional.

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O OceanOneK reúne uma parte frontal humanoide, com cabeça e dois braços, e uma seção traseira estreita equipada com oito propulsores. Esse arranjo permite controlar a posição do equipamento na água enquanto suas mãos interagem com objetos. Câmeras fornecem visão estereoscópica, permitindo ao operador perceber a profundidade do ambiente e orientar os movimentos com maior precisão.

Foto real 1. OceanOneK durante a expedição de 2022 que alcançou 852 metros no Mediterrâneo. Crédito: Frédéric Osada/DRASSM/Stanford. Imagem e contexto oficiais.

Mãos do robô transmitem resistência e contato ao operador que permanece em segurança na superfície

O recurso mais incomum está na interface háptica, sistema que transmite sensações de força ao ser humano que controla a máquina. Quando os dedos robóticos encostam em um objeto, o operador percebe a resistência pelos controles, em vez de depender exclusivamente de imagens de vídeo.

Essa combinação entre tato e visão já foi utilizada na exploração de naufrágios. O pesquisador Oussama Khatib relatou ter percebido o contato com uma estrutura do navio italiano Le Francesco Crispi, localizado a aproximadamente 500 metros de profundidade. A sensação de resistência ajudou a orientar movimentos próximos aos restos do casco, enquanto as câmeras permitiam observar a área.

Foto real 2. O OceanOneK em testes de manipulação subaquática na piscina de Stanford, antes das expedições ao Mediterrâneo. Crédito: Stanford Robotics Lab. Registro oficial.

Os braços também podem carregar ferramentas. Em outra missão, a equipe usou uma câmera instalada em uma haste para examinar espaços estreitos de um naufrágio sem precisar introduzir toda a estrutura do robô. Em operações industriais, mecanismos semelhantes poderiam auxiliar na observação de equipamentos e pontos de difícil acesso, desde que fossem adaptados e validados para o ambiente de trabalho.

Equipamento explorou avião da Segunda Guerra, submarino e navio afundado antes de entrar no radar do setor offshore

O histórico do OceanOneK ultrapassa as demonstrações realizadas em piscinas de laboratório. Durante expedições no Mediterrâneo em 2022, o robô inspecionou um caça P-38 Lightning afundado a cerca de 40 metros, um avião Beechcraft Baron encontrado a 67 metros e o submarino francês Le Protée, localizado a aproximadamente 124 metros.

Em águas mais profundas, visitou um naufrágio romano perto de Aléria, na Córsega, a 334 metros, e participou da exploração do Francesco Crispi, a cerca de 507 metros. Os pesquisadores utilizaram suas mãos e instrumentos para examinar estruturas delicadas e recuperar objetos arqueológicos sob orientação de especialistas.

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Essas missões mostraram que o robô consegue realizar tarefas distintas em ambientes submarinos reais, com correntes, sedimentos, obstáculos e estruturas danificadas. Ao mesmo tempo, os testes revelaram dificuldades técnicas: em um dos mergulhos, o cabo de comunicação e alimentação acumulou peso próximo ao robô, exigindo correção antes da subida.

Novembro poderá marcar primeira demonstração na Baía de Santos para empresas brasileiras de petróleo e gás

O interesse brasileiro foi apresentado durante a ROG.e 2026, realizada de 21 a 24 de setembro, no Riocentro. Na programação de inovação do evento, Stanford e SENAI-SP discutiram como levar tecnologias de pesquisa para atividades industriais que exigem inspeções e intervenções em grandes profundidades.

Segundo o SENAI-SP, a aproximação também envolve a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O plano anunciado prevê a volta de Oussama Khatib ao Brasil em novembro, para uma agenda com demonstração do OceanOneK na Baía de Santos diante de empresas do setor de energia.

A demonstração ainda está no calendário de atividades previstas. Até o anúncio do SENAI, não havia sido comunicada uma operação comercial do robô em plataformas brasileiras, nem um contrato para empregá-lo em manutenção submarina no país. A proposta é aproximar a tecnologia das necessidades das empresas e avaliar aplicações que possam avançar para novas etapas de desenvolvimento.

Estruturas submarinas de petróleo exigem inspeções em locais onde mergulhadores não podem atuar

Na indústria offshore, operações profundas envolvem equipamentos instalados no leito marinho, dutos, conexões e estruturas que precisam ser observados e, eventualmente, receber manutenção. A distância da superfície, a pressão da água e a dificuldade de movimentar ferramentas tornam essas tarefas especialmente exigentes.

Robôs submarinos operados remotamente, conhecidos como ROVs, já são utilizados nesse mercado. O diferencial investigado no OceanOneK é combinar a navegação de um veículo subaquático com dois braços manipuladores e controles que devolvem ao operador parte da sensação de contato com o ambiente.

Engenheiros precisaram desenvolver estruturas resistentes à pressão e braços especiais para trabalhar nas profundezas

A quase mil metros abaixo da superfície, a pressão da água é dezenas de vezes superior à pressão atmosférica ao nível do mar. Para proteger os componentes, os pesquisadores utilizaram uma espuma especial com microesferas de vidro que ajuda a manter a flutuabilidade sem colapsar sob a pressão.

Os braços receberam soluções com óleo e molas para equilibrar a pressão externa, enquanto componentes internos foram adaptados para reduzir bolsas de ar comprimível. A equipe também desenvolveu novas configurações de mãos capazes de lidar com objetos diferentes durante as expedições.

Parceria com o SENAI poderá definir os próximos testes de uma tecnologia que ainda não chegou às plataformas brasileiras

O OceanOneK já demonstrou movimentos complexos em naufrágios e um mergulho real de 852 metros. Seu limite de projeto é de 1.000 metros, enquanto o uso em operações comerciais de petróleo e gás ainda depende de desenvolvimento e validação específicos. Para o Brasil, o próximo acontecimento concreto será a possível demonstração anunciada para novembro, na Baía de Santos.

Você acredita que robôs com mãos e sensação de tato podem transformar a inspeção e a manutenção nas plataformas de petróleo brasileiras? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem.Robô humanoide de Stanford desceu a 852 metros, faz operador sentir o fundo do mar e pode ser testado em Santos: SENAI mira uso em plataformas de petróleo brasileiras

Tags

OceanOneK; SENAI; Universidade de Stanford; Robótica Submarina; Petróleo e Gás.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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