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Robôs com inteligência artificial já instalam painéis solares em usinas reais: máquinas trabalham ao lado de operários, superam 35 mil módulos e miram seis milhões em dois anos

Robôs com inteligência artificial já instalam painéis solares em usinas reais: máquinas trabalham ao lado de operários, superam 35 mil módulos e miram seis milhões em dois anos

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Robôs com inteligência artificial já instalam painéis solares em usinas reais: máquinas trabalham ao lado de operários, superam 35 mil módulos e miram seis milhões em dois anos

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 28/10/2026 às 07:54

Atualizado em 28/10/2026 às 08:10

Energia Renovável

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Equipamentos mecanizados podem auxiliar equipes a erguer e posicionar módulos fotovoltaicos em usinas solares de grande porte.

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Robôs com inteligência artificial da Gritt já participaram da instalação de mais de 35 mil painéis solares nos EUA. Entenda como trabalham ao lado de operários e por que há uma meta de seis milhões em dois anos.

Máquinas que antes precisavam de um operador para erguer e posicionar peças pesadas já estão colocando painéis solares nas fileiras de uma usina nos Estados Unidos. Em vez de fabricar um robô inteiramente novo, a startup californiana Gritt Robotics instala inteligência artificial em equipamentos usados na construção civil. A tecnologia foi empregada no estado de Illinois, onde braços mecanizados levantaram módulos e os encaixaram nas estruturas que recebem a luz do sol.

A aposta agora é de outra escala: a empresa afirma trabalhar com três das dez maiores construtoras especializadas em usinas solares de grande porte para participar da instalação de seis milhões de painéis nos próximos dois anos, volume associado a aproximadamente 2,8 gigawatts de projetos. O objetivo ainda está pela frente. Até o momento, a própria Gritt informa ter participado da instalação de mais de 35 mil módulos, e a diferença entre esses dois números revela o tamanho do desafio.

Erguer painéis repetidas vezes, caminhar entre longas fileiras de suportes e enfrentar sol, vento ou lama exige esforço físico e organização. A automação busca realizar parte das tarefas mais desgastantes enquanto profissionais humanos continuam montando e coordenando a usina. Depois de avançar nas fábricas, os robôs passaram a enfrentar o imprevisto típico de um canteiro de obras aberto.

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Usina com 586 mil painéis nos Estados Unidos já colocou robôs para trabalhar com operários

O exemplo mais claro está em Gibson City, no estado de Illinois. Construída para a Earthrise Energy pela Burns & McDonnell, a instalação reúne aproximadamente 586 mil painéis solares em uma área de cerca de 1.700 acres. Sua capacidade é de 346 megawatts em corrente contínua, enquanto a produtora de energia informa 270 megawatts em corrente alternada. São duas formas de medir o mesmo projeto, e não duas usinas adicionais.

Durante a obra, a Burns & McDonnell empregou sistemas da Gritt para colocar parte dos módulos. As máquinas levantaram e posicionaram painéis nos suportes, com acompanhamento de equipes humanas. A construtora confirmou a utilização em campo, enquanto a Earthrise registrou o início da operação comercial do complexo em 9 de junho de 2026.

A dimensão do canteiro explica a dificuldade: o projeto exigiu cerca de 104 mil estacas de sustentação, seis mil estruturas que acompanham a ondulação natural do terreno e chegou a ter mais de 350 profissionais trabalhando na obra. Posicionar milhares de módulos sem provocar danos exige repetir movimentos de carga e encaixe com cuidado. Foi essa etapa que a automação começou a assumir.

Trabalhadores montam painéis solares em outra instalação nos Estados Unidos, uma atividade que exige movimentação e posicionamento cuidadosos. Foto: Dennis Schroeder / Departamento de Energia dos EUA, domínio público.

A experiência não corresponde à montagem robotizada dos 586 mil painéis. A construtora relata a instalação de uma parcela deles com apoio da Gritt, enquanto a startup divulga números acumulados de outras obras. Os resultados comprovados mostram uma tecnologia em uso comercial, sem comprovar que uma usina inteira já possa ser erguida sem trabalhadores.

Máquina aproveita equipamentos de construção e aprende a lidar com poeira, valas e obstáculos

A ideia da Gritt é aproveitar equipamentos pesados e braços robóticos disponíveis no mercado, adicionando sensores, software de controle e inteligência artificial. Em uma instalação solar, a máquina precisa retirar o módulo de sua posição de transporte, movimentá-lo e encaixá-lo em estruturas que se repetem ao longo de grandes áreas.

Dentro de uma fábrica, os materiais costumam chegar sempre ao mesmo ponto. No campo, a situação muda a cada deslocamento: uma vala pode estar aberta, uma equipe pode caminhar entre fileiras, um painel pode estar coberto de poeira ou a chuva pode alterar a visibilidade. Essas diferenças obrigam o sistema a reconhecer o ambiente antes de executar movimentos.

O cofundador e presidente-executivo Puneet Puri disse à revista pv magazine que a combinação de fileiras repetitivas com condições variáveis faz das usinas solares um campo de testes especialmente útil. Para funcionar com segurança, o robô precisa reconhecer pessoas, cargas e obstáculos enquanto mantém a precisão na instalação.

O diretor de tecnologia Vishal Dugar explica que a empresa pretende aproveitar o aprendizado obtido em uma tarefa para acelerar a adaptação a outras. A companhia quer fornecer um sistema de inteligência para equipamentos já usados na construção, evitando desenvolver uma plataforma mecânica exclusiva para cada serviço.

Os 35 mil painéis já instalados representam apenas uma fração da meta de seis milhões

No site oficial, a Gritt declara que suas máquinas já participaram da instalação de mais de 35 mil painéis, equivalentes a mais de 18 megawatts de capacidade. Também apresenta 2,8 gigawatts de construção solar contratada. A reportagem da pv magazine publicada em outubro associa essa carteira a projetos de três grandes empreiteiras, que envolveriam seis milhões de painéis ao longo dos próximos dois anos.

A diferença é importante para quem acompanha promessas de inteligência artificial. Os 35 mil módulos correspondem ao desempenho de campo informado pela fabricante. Os seis milhões são a escala futura pretendida. Para atender esse volume, as máquinas ainda terão de trabalhar em vários projetos com cronogramas, terrenos, mão de obra e condições climáticas diferentes.

Vista aérea de uma usina solar perto de Mead, Nebraska, em 2026; fileiras de módulos mostram a escala repetitiva da montagem. Foto: AllTheUsernamesAreInUse / Wikimedia Commons, CC0 1.0.

A empresa também anuncia que empreiteiras observaram produtividade até quatro vezes maior e redução de custos de instalação em comparação com o trabalho totalmente manual. São indicadores comerciais divulgados pela Gritt. As fontes consultadas não apresentaram auditoria independente que permita aplicar os mesmos percentuais a qualquer usina.

Falta de trabalhadores impulsiona uso de robôs, mas os operadores continuam na obra

Grandes parques solares frequentemente são construídos longe das cidades, onde contratar e alojar centenas de profissionais durante meses se torna uma dificuldade adicional. Os parceiros da Gritt apontam a escassez de trabalhadores e o desgaste físico da montagem repetitiva como motivos para investir em máquinas capazes de levantar e posicionar módulos.

A parceria com a Burns & McDonnell foi anunciada em agosto de 2026, depois de um período de testes em obras de verdade. A construtora afirma que a tecnologia pode apoiar as equipes em atividades pesadas e repetitivas, mas engenheiros, eletricistas, operadores e profissionais de segurança continuam necessários para planejar e executar as outras etapas.

Para os próprios trabalhadores, a mudança pode exigir treinamento em novas ferramentas. Quem antes movimentava materiais manualmente poderá ter de operar, supervisionar ou corrigir equipamentos guiados por software. O efeito sobre vagas e salários não foi quantificado pelos responsáveis e não pode ser tratado como uma eliminação automática de empregos.

Tecnologia pode interessar ao Brasil, mas ainda não há implantação nacional anunciada

Os resultados documentados foram obtidos nos Estados Unidos. A Gritt e as fontes consultadas não apresentaram contrato, usina ou data de estreia da tecnologia em território brasileiro. Mesmo assim, o princípio pode interessar a construtoras de projetos fotovoltaicos no país, que também precisam transportar milhares de módulos por canteiros extensos e trabalhar sob condições variadas.

A adoção no Brasil dependeria de equipamentos compatíveis, treinamento, custo, condições de segurança e comprovação de produtividade em obras locais. Ainda não há evidência de que o sistema tenha reduzido a conta de luz dos brasileiros ou provocado mudança nos preços da eletricidade nacional.

A Gritt mira ainda outras tarefas, como transportar componentes e posicionar peças de suporte, e pretende levar o software desenvolvido nas usinas solares para obras de data centers e infraestrutura pesada. O aprendizado no campo é a etapa inicial de um plano mais amplo para automatizar trabalhos repetitivos fora das fábricas.

A novidade já saiu do laboratório: robôs participaram da instalação de painéis em uma usina real e operaram ao lado dos profissionais da construção. A próxima prova será transformar dezenas de milhares de módulos em milhões, mantendo a qualidade da montagem e a segurança das equipes. Você acredita que robôs desse tipo poderão se tornar comuns nas obras de energia solar brasileiras? Compartilhe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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