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Saipem instala 9 estacas de 105 metros no fundo do mar, mas terreno instável obriga equipe a mudar a montagem da plataforma

Saipem instala 9 estacas de 105 metros no fundo do mar, mas terreno instável obriga equipe a mudar a montagem da plataforma

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Saipem instala 9 estacas de 105 metros no fundo do mar, mas terreno instável obriga equipe a mudar a montagem da plataforma

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 14/10/2026 às 12:49

Petróleo e Gás

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Estaca de aço descendo no Golfo do México para fixar a jaqueta da plataforma, na operação feita para a Saipem. Foto: Divulgação/CAPE Holland

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Operação realizada no Golfo do México usou peças de 253 toneladas; o desafio era estabilizar a estrutura antes de liberar os guindastes.

Nove estacas de 105 metros e 253 toneladas cada entraram na montagem de uma plataforma no Golfo do México, em operação da Saipem documentada pela CAPE Holland. O trabalho, realizado em 2019, exigiu uma mudança de sequência porque a camada superficial do terreno se mostrou menos estável que o esperado.

O peso das peças não resolveu sozinho o problema. Antes de liberar os guindastes, a equipe precisava garantir que a armação permanecesse estável sobre o terreno marinho. A operação mostra por que a parte menos visível de uma plataforma de petróleo e gás pode comandar toda a sequência de montagem.

Por que uma plataforma precisa de estacas gigantes se a estrutura já é pesada?

Peso não substitui fundação. A plataforma precisa de um caminho definido para transmitir esforços ao fundo do mar, e os elementos que aparecem acima da água são apenas parte desse sistema. A fabricante Sif distingue as pernas da estrutura, que sustentam a parte superior, das estacas usadas para ancorá-la.

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Essa separação ajuda a interpretar imagens submarinas. A armação metálica, conhecida como jaqueta, não é uma única peça maciça enterrada. Ela reúne membros de aço e pontos de conexão projetados para trabalhar em conjunto. As estacas fazem a ligação dessa estrutura com o solo.

O tamanho impressiona, mas a pergunta decisiva é outra: o conjunto permanece estável durante cada fase de instalação? Antes de funcionar como uma unidade, as peças passam por posições temporárias. A montagem também precisa ser segura nessas etapas, quando parte das conexões ainda não está concluída.

Quanto mediam as peças e por que 105 metros não significam 105 metros enterrados?

A ficha do projeto separa comprimento, profundidade da água e penetração no solo. São medidas diferentes, embora uma legenda curta de vídeo possa fazer parecer que todas descrevem a mesma coisa.

Medida da operaçãoValorFonteNúmero de estacas9CAPE HollandComprimento de cada estaca105 mCAPE HollandPeso informado por estaca253 tCAPE HollandProfundidade da água60 mCAPE HollandPenetração indicada no terreno80 mCAPE Holland

Uma peça pode ter um segmento dentro do terreno e outro ligado à estrutura. Da mesma forma, a distância entre a superfície e o leito marinho não é o comprimento da estaca. Confundir essas referências muda completamente a leitura da obra.

O que o terreno instável obrigou a equipe a mudar durante a montagem?

O navio utilizado foi o Saipem 7000. Segundo o relato da fornecedora, a jaqueta precisava continuar apoiada por um guindaste, mas levantar as estacas originalmente exigia os dois equipamentos. A solução foi preparar estacas no terreno e depois reposicioná-las, estabilizando a estrutura antes de soltá-la.

Navio-guindaste e convés carregado de tubos durante a montagem da plataforma no Golfo do México. Foto: Divulgação/CAPE Holland

O caso ilustra um problema mais amplo descrito pela Acteon: solo duro, blocos de rocha e resistência lateral elevada podem impedir que uma fundação alcance a posição prevista pelo método inicialmente escolhido.

Nessas condições, existem alternativas de instalação, incluindo soluções que combinam perfuração e preenchimento do espaço ao redor da estaca. A escolha depende do terreno e do projeto. Não existe uma receita única que sirva para qualquer plataforma ou que possa ser definida apenas observando o peso da peça.

O raciocínio econômico é direto: equipamento esperando, reposicionamento e mudança de sequência consomem a operação. Resolver a estabilidade temporária não é um detalhe separado da produtividade. É uma condição para que o trabalho possa continuar.

Onde o Brasil usa estruturas fixas para produzir gás longe da costa?

A Petrobras apresenta Mexilhão como um empreendimento com plataforma fixa na Bacia de Santos, a aproximadamente 145 quilômetros de Caraguatatuba, em uma lâmina d’água de 172 metros. Sua capacidade informada é de 15 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Mexilhão é um projeto diferente da operação da Saipem, mas torna concreta a função dessas estruturas no Brasil: sustentar equipamentos de produção e tratamento em um ponto determinado do mar. A fundação fica integrada à infraestrutura que permite aproveitar o gás produzido longe da costa.

Também evita misturar plataformas fixas com unidades flutuantes. O endereço offshore é comum, mas a solução estrutural muda. Uma imagem de jaqueta e estacas não pode ser usada para explicar automaticamente qualquer navio de produção.

O que acontece com esse aço quando a plataforma deixa de produzir?

O trabalho pesado reaparece no descomissionamento. A Heerema documentou a retirada de Goldeneye, no Mar do Norte, em 2021: a parte superior tinha 1.280 toneladas e a jaqueta, 3.019 toneladas. As estacas foram cortadas três metros abaixo do leito marinho.

O navio Thialf, da Heerema, ergue a estrutura da plataforma Goldeneye na retirada do campo no Mar do Norte. Foto: Divulgação/Heerema

A empresa informou uma expectativa de reciclagem de 97% dos materiais. Esse percentual era uma previsão apresentada para aquele projeto, não uma garantia aplicável a todas as plataformas.

Da instalação à retirada, a fundação participa de toda a conta industrial. A parte que some debaixo da água precisa sustentar a operação enquanto há produção e, depois, entrar no planejamento de desmontagem, transporte e destinação do material.

Tags

plataformas, offshore, Saipem, engenharia, fundações


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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