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Samsung Heavy Industries fecha contrato de US$ 494 milhões para construir dois navios de gás natural liquefeito, amplia carteira de encomendas para US$ 8 bilhões e garante novas entregas até 2029
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 08/10/2026 às 20:50
Indústria Naval
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Contrato anunciado em 2 de outubro de 2026 eleva para 20 o número de encomendas de transportadores de GNL recebidas pela Samsung Heavy Industries neste ano, enquanto o estaleiro sul-coreano supera em 40% sua meta anual de vendas de navios comerciais e acumula US$ 12,4 bilhões em contratos quando considerados os projetos offshore.
A Samsung Heavy Industries, uma das maiores empresas de construção naval da Coreia do Sul, anunciou um novo contrato de aproximadamente US$ 494,3 milhões para fabricar dois navios transportadores de gás natural liquefeito (GNL), reforçando sua posição em um dos segmentos mais sofisticados e valorizados da indústria naval mundial.
A encomenda foi divulgada em 2 de outubro de 2026 e envolve um armador asiático cuja identidade não foi oficialmente revelada. As duas embarcações deverão ser entregues até maio de 2029, conforme o cronograma informado ao sistema de divulgação regulatória da Coreia do Sul.
O contrato está avaliado em 672,2 bilhões de won, moeda sul-coreana, equivalentes a aproximadamente US$ 494,3 milhões na conversão utilizada no anúncio. Isso representa um valor médio próximo de US$ 247 milhões por navio, embora os documentos públicos não detalhem a composição individual dos custos.
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A negociação ocorre em um momento especialmente favorável para a divisão de construção naval comercial da empresa.
Segundo informações publicadas pela agência sul-coreana Yonhap, a Samsung Heavy Industries acumulou US$ 8 bilhões em encomendas de navios comerciais durante 2026, distribuídos por 46 embarcações. Quando incluídos os contratos de plataformas flutuantes de produção de gás natural liquefeito, a carteira de novos pedidos do ano alcança US$ 12,4 bilhões.
O resultado demonstra como a demanda por embarcações destinadas ao transporte de gás natural vem sustentando investimentos bilionários nos grandes estaleiros asiáticos.
Samsung Heavy Industries supera meta anual em 40% e chega a 20 encomendas ligadas ao transporte de GNL
O novo contrato possui um significado que ultrapassa a venda de duas embarcações.
Com a operação anunciada em outubro, a Samsung Heavy Industries alcançou 20 encomendas em 2026 na categoria de navios transportadores de GNL, incluindo uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação, conhecida pela sigla FSRU.
Esse desempenho contribuiu diretamente para que a divisão de navios comerciais ultrapassasse seu objetivo financeiro estabelecido para o ano.
A companhia havia definido uma meta de US$ 5,7 bilhões em novos contratos comerciais. Até o início de outubro, entretanto, já havia conquistado aproximadamente US$ 8 bilhões, o equivalente a 140% da previsão original.
Em termos práticos, a empresa superou sua meta comercial em cerca de 40%, mesmo restando quase três meses para o encerramento de 2026.
Conforme dados publicados pelo Businesskorea, a carteira de encomendas comerciais conquistadas durante o ano está distribuída entre diferentes tipos de embarcações:
- 20 unidades na categoria de transporte de GNL, incluindo uma FSRU;
- 14 navios petroleiros destinados ao transporte de petróleo bruto;
- 6 transportadores de gás de outras categorias;
- 4 navios porta-contêineres;
- 2 navios transportadores de etano.
A diversidade dos contratos revela uma característica importante da atuação industrial da Samsung Heavy Industries.
Embora o transporte de gás natural liquefeito represente uma parcela expressiva das novas encomendas, a empresa mantém atividades em diferentes segmentos da construção naval, reduzindo sua dependência de um único mercado.
O maior destaque, porém, está no valor agregado das embarcações especializadas.
Navios destinados ao transporte de GNL exigem sistemas criogênicos, estruturas de contenção de carga e tecnologias de controle de temperatura muito mais complexas do que aquelas utilizadas em diversos tipos de cargueiros convencionais.
Essa complexidade ajuda a explicar por que apenas duas embarcações podem representar um contrato próximo de meio bilhão de dólares.
Navios de US$ 247 milhões cada exigem tecnologia capaz de transportar gás natural a aproximadamente 162 graus negativos
Os dois navios encomendados à Samsung Heavy Industries pertencem à categoria dos transportadores de gás natural liquefeito, conhecidos internacionalmente como LNG carriers.
Sua principal função é movimentar grandes quantidades de gás natural entre terminais marítimos, permitindo que países produtores exportem o combustível para mercados localizados a milhares de quilômetros de distância.
Para tornar esse transporte economicamente viável, o gás natural passa por um processo de liquefação.
Durante essa etapa, sua temperatura é reduzida para aproximadamente -162 °C, fazendo com que o combustível passe do estado gasoso para o líquido e ocupe um volume muito menor.
O processo permite transportar quantidades expressivas de energia em embarcações especialmente projetadas para essa finalidade.
Diferentemente de um petroleiro convencional, um transportador de GNL precisa possuir sistemas capazes de manter a carga em condições criogênicas durante viagens marítimas prolongadas.
Isso exige tanques de contenção especializados, isolamento térmico, instrumentação de controle, tubulações adequadas e equipamentos destinados ao gerenciamento do gás que evapora naturalmente durante o transporte.
Esse último fenômeno é conhecido como boil-off gas.
Dependendo do projeto da embarcação, parte desse gás pode ser aproveitada como combustível para a propulsão naval ou administrada por sistemas específicos de tratamento e reliquefação.
Esses requisitos aumentam a complexidade da engenharia e tornam a construção de navios metaneiros uma atividade concentrada em estaleiros com elevada capacidade tecnológica.
No caso da encomenda anunciada em outubro, a Samsung Heavy Industries confirmou o número de embarcações, o valor contratual e o prazo de entrega, mas não detalhou oficialmente todas as características técnicas dos novos navios.
Informações de mercado divulgadas posteriormente associam o pedido a embarcações com capacidade aproximada de 174 mil metros cúbicos de GNL. Essa especificação, entretanto, não aparece como confirmação expressa no comunicado regulatório original.
Armador japonês K Line é apontado como possível comprador dos dois navios, mas Samsung não confirma identidade
Um dos pontos que ainda cercam o contrato é a identidade da empresa responsável pela encomenda.
No comunicado apresentado ao mercado sul-coreano, a Samsung Heavy Industries identificou o cliente apenas como um armador localizado na Ásia.
Entretanto, publicações especializadas em transporte marítimo e construção naval passaram a associar a negociação à empresa japonesa Kawasaki Kisen Kaisha, conhecida internacionalmente como K Line.
Segundo reportagem publicada pelo portal Riviera Maritime Media em 7 de outubro de 2026, informações de corretoras marítimas indicam que a K Line estaria por trás da aquisição dos dois navios.
A publicação também aponta que as embarcações teriam capacidade de aproximadamente 174 mil metros cúbicos cada, com valor estimado em US$ 247,5 milhões por unidade.
A possível participação da companhia japonesa é relevante porque a K Line já possui experiência na operação de grandes navios destinados ao transporte de gás natural liquefeito.
A empresa mantém relações comerciais com companhias do setor energético, incluindo operações relacionadas à Diamond Global Energy, ligada ao grupo Mitsubishi.
Em maio de 2026, um navio denominado Diamond Gas Jade, construído pela Samsung Heavy Industries e com capacidade de 174 mil metros cúbicos, participou de uma cerimônia de nomeação no estaleiro sul-coreano.
Apesar das informações divulgadas pelo mercado, a identidade da compradora dos dois navios anunciados em outubro ainda não foi oficialmente confirmada pela Samsung Heavy Industries.
Por esse motivo, a participação da K Line deve ser tratada como informação atribuída a fontes especializadas do setor, e não como um dado definitivo do contrato.
Estaleiro de Geoje possui dique de 640 metros capaz de construir quatro grandes navios de GNL simultaneamente
A capacidade produtiva da Samsung Heavy Industries é um dos fatores que ajudam a explicar seu desempenho comercial em 2026.
A empresa mantém um grande complexo industrial em Geoje, cidade localizada na costa sul da Coreia do Sul e reconhecida internacionalmente pela concentração de instalações de construção naval.
Nesse complexo, a companhia dispõe de grandes estruturas destinadas à montagem de embarcações comerciais e unidades offshore.
Um dos principais equipamentos industriais é o dique número 3, que possui aproximadamente 640 metros de comprimento e 97,5 metros de largura.
Segundo informações divulgadas pelo Chosunbiz, a instalação possui capacidade para construir simultaneamente até quatro grandes transportadores de GNL.
A dimensão do dique permite organizar atividades de montagem de grandes blocos estruturais, movimentação de equipamentos e integração de componentes em diferentes embarcações.
A produção de um navio moderno não ocorre apenas dentro do dique de construção.
Antes da montagem final, grandes seções metálicas são fabricadas em oficinas industriais, onde chapas de aço passam por processos de corte, conformação, soldagem e preparação estrutural.
Esses módulos são posteriormente transportados para as áreas de montagem, permitindo que diferentes partes da embarcação sejam fabricadas simultaneamente.
A adoção desse processo reduz a dependência de uma sequência única de construção e permite aproveitar melhor a infraestrutura industrial disponível.
No segmento de navios metaneiros, essa organização precisa ser acompanhada por procedimentos rigorosos de instalação e inspeção dos sistemas destinados ao armazenamento de gás natural liquefeito.
A capacidade de fabricar várias unidades simultaneamente representa uma vantagem competitiva para empresas que precisam administrar contratos de centenas de milhões de dólares e cumprir cronogramas estabelecidos com anos de antecedência.
Samsung aposta em automação, inteligência artificial e transformação digital para ampliar produtividade naval
A expansão da carteira de encomendas ocorre paralelamente aos investimentos da Samsung Heavy Industries em modernização industrial.
A empresa vem desenvolvendo iniciativas relacionadas à digitalização de processos, automação e integração de tecnologias avançadas nas atividades de construção naval.
Segundo informações publicadas pelo Seoul Economic Daily, essas iniciativas fazem parte da estratégia de transformação dos estaleiros da companhia em instalações industriais mais inteligentes.
O objetivo é ampliar a produtividade, melhorar o planejamento da fabricação e reduzir problemas que podem surgir durante a montagem de grandes embarcações.
Na construção naval, atrasos podem ocorrer em diferentes etapas, desde a entrega de equipamentos especializados até a integração de sistemas e a execução de testes finais.
Ferramentas digitais de planejamento podem ajudar a organizar essas atividades e melhorar o acompanhamento dos processos produtivos.
A automação também pode ser aplicada a determinadas tarefas industriais repetitivas, como operações de corte e soldagem, respeitando as exigências técnicas de cada etapa.
O uso de inteligência artificial aparece como parte dessa transformação, especialmente no desenvolvimento de sistemas capazes de apoiar decisões relacionadas à produção e ao gerenciamento industrial.
Isso não significa que os novos navios contratados serão necessariamente construídos de maneira totalmente automatizada.
A fabricação de embarcações complexas continua dependendo de grande quantidade de profissionais especializados, incluindo engenheiros navais, técnicos industriais, soldadores, inspetores e equipes responsáveis pela instalação de equipamentos.
O avanço tecnológico procura tornar esses processos mais eficientes e previsíveis, sem eliminar a necessidade de supervisão e qualificação profissional.
Para a Samsung Heavy Industries, a modernização possui importância estratégica: quanto maior a carteira de encomendas, maior a necessidade de administrar simultaneamente diferentes cronogramas de fabricação.
Com contratos offshore, gigante sul-coreana acumula US$ 12,4 bilhões em novos pedidos durante 2026
Embora a encomenda de outubro tenha elevado para US$ 8 bilhões o valor dos contratos de navios comerciais, esse montante não representa toda a atividade comercial conquistada pela empresa durante o ano.
A Samsung Heavy Industries também atua na fabricação de grandes instalações offshore destinadas à indústria de energia.
Entre os projetos contratados em 2026 estão duas unidades flutuantes de produção de gás natural liquefeito, conhecidas como FLNG.
Essas estruturas desempenham funções diferentes das embarcações destinadas exclusivamente ao transporte do combustível.
Enquanto os navios metaneiros movimentam GNL entre terminais, unidades FLNG podem realizar processamento, liquefação, armazenamento e transferência do gás natural em instalações marítimas.
Os dois projetos offshore representam aproximadamente US$ 4,4 bilhões em encomendas.
Com isso, a empresa acumulou US$ 12,4 bilhões em novos contratos durante 2026, considerando 46 embarcações comerciais e duas unidades offshore.
O resultado corresponde a aproximadamente 89% da meta global de US$ 13,9 bilhões estabelecida para o ano.
Existe, portanto, uma diferença importante entre os indicadores apresentados pela companhia.
Na divisão de navios comerciais, a Samsung já ultrapassou sua meta anual em 40%. Considerando toda a empresa, incluindo os grandes projetos offshore, ainda havia uma diferença de aproximadamente US$ 1,5 bilhão para alcançar o objetivo global de 2026.
Essa distinção é fundamental para compreender o desempenho da construtora naval sem confundir contratos comerciais com encomendas de instalações energéticas.
Entregas até maio de 2029 prolongam atividade industrial e reforçam posição da Coreia do Sul no mercado de navios de GNL
O contrato de 672,2 bilhões de won possui vigência prevista entre 2 de outubro de 2026 e 31 de maio de 2029, conforme as informações apresentadas ao mercado.
O cronograma estabelece o período durante o qual os dois navios deverão ser construídos e entregues ao cliente.
Os pagamentos previstos incluem valores iniciais e parcelas vinculadas ao avanço das atividades de fabricação, embora as condições financeiras detalhadas não tenham sido integralmente divulgadas.
O prazo também pode sofrer alterações conforme o andamento da construção, possibilidade mencionada nas informações regulatórias do negócio.
Para a Samsung Heavy Industries, a encomenda contribui para manter a programação de produção de seu complexo industrial nos próximos anos.
Cada novo contrato desse porte movimenta uma cadeia de fornecedores responsável por fabricar equipamentos, estruturas metálicas, sistemas de propulsão, instalações elétricas e componentes especializados.
A contratação também reforça a posição da Coreia do Sul em um mercado no qual a capacidade de construir navios de grande porte precisa estar associada ao domínio de tecnologias de elevada complexidade.
A empresa chega a outubro de 2026 com resultados comerciais expressivos, mas ainda terá o desafio de converter o elevado volume de encomendas em embarcações entregues dentro dos prazos e custos previstos.
O próximo marco do contrato será o avanço da fabricação dos dois novos navios de GNL, cuja entrega está programada até maio de 2029. Até lá, permanecem sem confirmação oficial a identidade do armador contratante e as especificações completas das embarcações.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

